Pressão de parlamentares derruba Olavo Noleto
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Política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuou da indicação do goiano Olavo Noleto para a Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela articulação política do governo, após resistência no Congresso. A avaliação no Planalto é de que a função exige um perfil com experiência parlamentar e capacidade de negociação direta com deputados e senadores.
Noleto, atual secretário-executivo do Conselhão, chegou a ser tratado como certo para substituir a ministra Gleisi Hoffmann, que deixará o cargo para disputar o Senado. A indicação, no entanto, não avançou diante da reação negativa de lideranças da base e do Centrão.
A principal crítica é objetiva: falta de lastro político. Noleto nunca exerceu mandato eletivo e, na leitura de congressistas, não teria força para “fechar” acordos nem para cobrar fidelidade em votações sensíveis.
O recuo expõe uma fragilidade já conhecida do governo na relação com o Legislativo. Em ano eleitoral, a função de articulador ganha peso adicional, sobretudo pela pressão por liberação de emendas e pela necessidade de manter uma base heterogênea sob controle.
Com a mudança de rota, o presidente passou a priorizar um nome com trânsito consolidado no Congresso. O favorito no momento é o senador Otto Alencar, visto como quadro capaz de dialogar com centro, esquerda e direita.
Outras alternativas seguem no radar, como o ministro Wellington Dias, mas enfrentam resistências internas e conflitos de função dentro do próprio governo.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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