Cachaça Orizona

Cachaça Orizona (Divulgação)

Cachaça Orizona

Cachaça Orizona (Divulgação)

Cachaça Orizona

Cachaça Orizona (Divulgação)

Cachaça Orizona

Cachaça Orizona (Divulgação)

Indicação Geográfica consagra cachaça de Orizona

Indicação Geográfica consagra cachaça de Orizona

Selo do INPI reconhece notoriedade da bebida e amplia o alcance comercial dos produtores locais

19 de dezembro de 2025 às 10:40

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Cultura

A história da cachaça de Orizona começa antes da própria cidade aprender a se chamar assim. Remonta a 1840, quando desbravadores mineiros fincaram moradia na então Comarca de Santa Cruz, ergueram uma capela e levaram consigo uma receita que atravessaria gerações. A bebida passou de pai para filho, de alambique em alambique, até se confundir com a identidade local. Nesta semana, quase dois séculos depois, essa tradição ganhou chancela oficial: a cachaça de Orizona recebeu a Indicação Geográfica (IG) do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

O selo reconhece formalmente a qualidade, a reputação e a procedência do produto, atestando que aquela cachaça só pode ser o que é porque nasce em Orizona. Para os produtores, trata-se de um ponto de inflexão. “É um divisor de águas”, resume Edgar de Castro Correa, presidente da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Orizona (Apacor), entidade que passa a ser a guardiã da IG. “Estamos em festa. É um dia histórico para a cidade.”

A conquista não veio por acaso, tampouco de um dia para o outro. Levou cerca de um ano e meio de trabalho técnico, articulação institucional e, sobretudo, organização coletiva. O processo começou com um diagnóstico que apontou o potencial do produto. Depois vieram o dossiê, o conselho regulador, o levantamento histórico e as normas técnicas.

Era preciso provar que a cachaça não apenas nasce ali, mas que foi ela quem ajudou a tornar Orizona conhecida. “A notoriedade do produto é central para uma Indicação Geográfica”, explica João Luiz Prestes Rabelo, analista e gestor estadual de IG do Sebrae Goiás.

De acordo com ele, a IG agrega valor imediato e abre portas para mercados mais exigentes. Feiras nacionais, eventos internacionais e até exportação entram no horizonte. “Quando você protege a origem, você amplia o mercado”, afirma.

O reconhecimento também impõe responsabilidades: manter padrão, controlar processos e fortalecer a associação que representa os produtores. Edgar faz questão de dividir os méritos. Agradece ao Sebrae Goiás, à consultora Daniela Soares Couto e faz um destaque especial a um nome que se tornou referência local: José Natal Barbosa.

Professor universitário aposentado da UnB, José Natal decidiu, há 20 anos, assumir a fazenda da família da esposa e elevar a produção da cachaça sem romper com a tradição. “Sempre acreditou na fama, na qualidade e na história da cachaça de Orizona”, diz Edgar.

José Natal, produtor da cachaça Minha Saudade, também contribuiu com pesquisa. Seu livro sobre a história da cachaça em Goiás e em Orizona, ainda em fase final, serviu como fonte para o dossiê apresentado ao INPI. Para ele, a IG é fruto de um esforço coletivo. “Tínhamos vontade, mas não sabíamos o caminho. O Sebrae nos mostrou. A UFG entrou com estudos, a prefeitura cedeu o espaço físico da associação. Não fui eu que fiz. Nós que fizemos”, afirma.

A rede de parcerias inclui ainda Emater, IF Goiano, Sindicato Rural e representantes do Ministério da Agricultura. O olhar agora se amplia para além da bebida. Sustentabilidade, reaproveitamento do bagaço da cana, produção de rapadura e açúcar mascavo entram na agenda. A universidade ajuda a manter o padrão técnico; os produtores miram novos mercados.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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