Estimativa da Fieg considera exportações de produtos de origem animal ao bloco europeu; JBS de Mozarlândia e Minerva Foods de Palmeiras de Goiás estão entre as plantas mais afetadas
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Economia
A suspensão das importações de produtos brasileiros de origem animal pela União Europeia pode provocar um impacto de US$ 16,8 milhões por mês sobre as exportações de Goiás, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg).
A restrição entrou em vigor na quinta-feira (3) e atinge produtos como carnes bovina, suína e de aves, peixes de cultivo, mel, ovos, equinos e envoltórios utilizados pela indústria de alimentos.
A análise da Fieg considera o histórico das vendas goianas para o bloco europeu e o potencial de expansão dessas exportações. Em 2025, Goiás comercializou cerca de US$ 190,3 milhões em produtos de origem animal com países da União Europeia, uma média mensal próxima de US$ 15,8 milhões.
Entre janeiro e julho deste ano, as vendas somaram aproximadamente US$ 95 milhões, queda de cerca de 14% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Carne bovina concentra exportações
A carne bovina responde pela maior parte das vendas goianas afetadas pela decisão. Em 2025, foram cerca de US$ 171 milhões exportados para a União Europeia, o equivalente a aproximadamente 90% do total de produtos de origem animal comercializados pelo Estado com o bloco.
Segundo a Fieg, duas unidades frigoríficas goianas devem sentir de forma mais direta os efeitos da suspensão: a planta da JBS em Mozarlândia e a unidade da Minerva Foods em Palmeiras de Goiás.
As duas plantas são habilitadas a exportar para a União Europeia e trabalham com cortes de maior valor agregado destinados ao mercado europeu.
Problema envolve comprovação das regras
A restrição está relacionada às exigências estabelecidas pela União Europeia para controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
Segundo a análise da Fieg, a medida não decorre da identificação de carne contaminada ou imprópria para consumo. O problema apontado pelas autoridades europeias é a capacidade de o Brasil comprovar, por meio de registros, controles oficiais e rastreabilidade, que as regras são cumpridas ao longo de todo o ciclo produtivo.
“A suspensão se trata de uma questão de capacidade de comprovação documental, e não de questões sanitárias sobre a carne brasileira”, afirmou o analista econômico da Fieg Saulo Nogueira.
A decisão europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados foi tomada em maio, com efeitos a partir de setembro.
Mercado europeu paga mais
Embora a União Europeia não seja o principal destino da carne brasileira em volume, é considerada estratégica para os frigoríficos que comercializam cortes premium.
De acordo com a Fieg, os valores pagos no mercado europeu são, em média, cerca de 20% superiores aos praticados em outros destinos.
Em 2025, a União Europeia foi o quarto maior destino da carne bovina brasileira, com compras de aproximadamente 128 mil toneladas e US$ 1,05 bilhão.
Por isso, o redirecionamento da produção para países como China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul pode reduzir parte do impacto, mas não necessariamente compensar a receita obtida no mercado europeu.
“Exportadores goianos podem, e devem, redirecionar sua produção para a China, que hoje é a maior importadora do Brasil; para os Estados Unidos, que vêm ampliando as compras; e para mercados asiáticos como Japão, Indonésia e Coreia do Sul”, disse Saulo Nogueira.
Adequação pode levar mais tempo na pecuária
Um dos principais desafios está na cadeia da carne bovina. As exigências europeias precisam ser comprovadas durante todo o ciclo de vida do animal.
Na avaliação da Fieg, um bovino abatido com cerca de 30 meses precisaria cumprir as novas condições desde o nascimento. Isso significa que, mesmo depois da adequação dos procedimentos, parte da produção poderá levar mais de dois anos para atender integralmente às exigências de rastreabilidade.
O Ministério da Agricultura e Pecuária publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, que restringe o uso de antimicrobianos como melhoradores de desempenho animal e estabelece novos procedimentos para certificação.
A Fieg recomenda que as empresas revisem contratos, acompanhem as exigências europeias e busquem mercados alternativos enquanto durarem as restrições.
Conferi os principais números diretamente na nota técnica da Fieg, que sustenta a estimativa de US$ 16,8 milhões mensais para Goiás.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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