Estudo aponta espaço para carnes e produtos industriais, mas condicionantes regulatórias e concorrência exigem preparação das empresas
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Economia
Goiás pode ampliar em até US$ 218 milhões suas exportações para a União Europeia com a implementação do acordo comercial entre o bloco e o Mercosul, segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). O potencial de crescimento, porém, depende da capacidade das empresas de atender às exigências do mercado europeu e disputar espaço com concorrentes internacionais.
A estimativa integra o levantamento “Os Impactos do Acordo Mercosul-União Europeia para Goiás”, elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial da entidade e apresentado na Expoind 2026. A versão completa reúne análises sobre exportações, importações, regras regulatórias, sustentabilidade, propriedade intelectual e investimentos.
O valor de US$ 218 milhões havia sido divulgado na primeira etapa do trabalho, em maio. Trata-se de uma projeção de vendas adicionais, não de receita já obtida. O material encaminhado pela Fieg não informa em quanto tempo esse crescimento poderia ocorrer nem detalha as premissas utilizadas no cálculo.
Carnes e produtos industriais têm espaço para crescer
Carne bovina, carne de frango, couro, açúcar, gelatinas e produtos químicos aparecem entre os segmentos com maior potencial de expansão. A avaliação da entidade é que a redução das barreiras comerciais pode favorecer tanto mercadorias que já têm compradores na Europa quanto a entrada de novos produtos.
Segundo os dados apresentados pela Fieg, a União Europeia respondeu por 12,5% das exportações goianas em 2025, com compras de US$ 1,68 bilhão. O peso do bloco no comércio exterior estadual ajuda a dimensionar o interesse da indústria nas condições de acesso a esse mercado.
Para o analista de desenvolvimento industrial da Fieg Saulo Nogueira, o acordo pode ampliar a diversidade da pauta exportadora e a participação de Goiás em cadeias de maior valor agregado.
“O acordo melhora as condições de acesso dos produtos goianos ao mercado europeu e reduz custos comerciais que historicamente dificultavam a competitividade brasileira. Isso cria oportunidades tanto para ampliar exportações já consolidadas quanto para inserir novos produtos industriais de Goiás no mercado europeu”, afirma.
Redução de tarifas não elimina exigências
A primeira etapa do levantamento identificou a eliminação imediata de tarifas europeias para cerca de 2,9 mil produtos brasileiros, dos quais 93% eram industriais. Esse universo, contudo, abrange mercadorias nacionais e não corresponde, necessariamente, aos produtos exportados por Goiás.
A versão completa do estudo amplia a análise para além das tarifas. Uma das quatro partes examina regras e exigências regulatórias que podem facilitar ou restringir o comércio entre os blocos. Outra trata de sustentabilidade, propriedade intelectual, investimentos e cooperação internacional.
A distinção é relevante para avaliar o alcance da projeção. Uma condição tributária mais favorável pode melhorar o preço de entrada de um produto, mas não dispensa o cumprimento dos requisitos para sua comercialização. O próprio material da Fieg reconhece que aproveitar o acordo exige preparação das empresas.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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