Paralisação segue por tempo indeterminado, mas TST determinou manutenção de 80% dos trabalhadores em cada unidade
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Cidades
A greve nacional dos trabalhadores dos Correios continua sem previsão de encerramento. Para quem está esperando uma encomenda, porém, a paralisação não significa a suspensão completa das entregas.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou, em decisão liminar, que 80% do efetivo seja mantido em atividade em cada unidade dos Correios durante a greve. A determinação alcança áreas consideradas essenciais, incluindo atendimento, transporte e distribuição.
Mesmo com a manutenção de parte significativa dos trabalhadores, podem ocorrer atrasos em encomendas e alterações no atendimento de algumas unidades enquanto durar a mobilização.
A greve começou na noite de quinta-feira (10), com efeitos a partir de sexta (11), depois que trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pelos Correios para o novo Acordo Coletivo de Trabalho.
Minha encomenda será entregue?
As entregas continuam sendo realizadas durante a greve. Os Correios adotaram medidas de contingência para reduzir os efeitos da paralisação, incluindo remanejamento de trabalhadores e ações logísticas para preservar a operação. A determinação judicial para manter 80% do efetivo reforça a continuidade das atividades essenciais.
Isso, entretanto, não garante que todas as encomendas chegarão dentro do prazo originalmente previsto. A paralisação pode provocar atrasos dependendo da região, da adesão dos funcionários e da operação de cada unidade.
Para quem já tem uma encomenda em trânsito, o mais indicado é acompanhar as movimentações pelo sistema oficial de rastreamento dos Correios.
TST determina 80% do efetivo trabalhando
A decisão liminar do TST foi tomada no sábado (12), depois que os Correios levaram o conflito trabalhista ao tribunal. A estatal pediu que a paralisação fosse considerada abusiva e solicitou a retomada dos serviços. Enquanto o conflito não é solucionado, a Justiça determinou a manutenção de 80% dos empregados em atividade em cada unidade.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro. Até lá, empresa e representantes dos trabalhadores ainda podem chegar a um acordo.
Por que os funcionários dos Correios estão em greve?
Um dos principais impasses envolve o plano de saúde oferecido aos empregados, aposentados e dependentes. A Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect) afirma que mudanças discutidas no modelo de custeio do benefício preocupam os trabalhadores. A entidade defende a preservação de direitos e a manutenção da assistência médica.
Os Correios, por outro lado, afirmam que a proposta apresentada preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior e previa reajuste de 100% do INPC para salários e benefícios.
A proposta detalhada pela própria Findect antes das assembleias previa reajuste de 100% do INPC, correspondente a 4,35% em 2026, retroativo a 1º de agosto, além de novo reajuste pelo INPC em 2027.
Greve não tem data para terminar
Até esta segunda-feira (14), não havia previsão para o encerramento da paralisação. A greve foi aprovada por tempo indeterminado e a Findect mantém a mobilização enquanto prosseguem as discussões sobre o acordo coletivo. Por isso, quem depende dos Correios para receber ou enviar produtos deve acompanhar a situação da encomenda e o funcionamento das unidades durante os próximos dias.
A greve acontece ainda em meio à crise financeira enfrentada pela estatal. Os Correios registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões (cinco bilhões e seiscentos milhões de reais) no primeiro semestre de 2026 e buscam uma nova operação de crédito para reforçar o caixa.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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