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Burnout faz quase 7 mil trabalhadores se afastarem em 2025

Burnout faz quase 7 mil trabalhadores se afastarem em 2025

Excesso de cobrança, dificuldade para descansar e conexão constante com o trabalho estão entre os fatores ligados ao esgotamento profissional

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Você termina o expediente, mas continua respondendo mensagens, pensando nas tarefas pendentes e acompanhando cobranças pelo celular? A dificuldade para se desconectar do trabalho está entre os fatores relacionados ao crescimento dos casos de burnout no Brasil.

Em apenas dois anos, o número de afastamentos por problemas associados ao esgotamento profissional aumentou 296%. Os registros passaram de 1.760, em 2023, para 6.985, em 2025, conforme dados do INSS reunidos pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Os números incluem apenas os trabalhadores que ficaram afastados por mais de 15 dias. Isso significa que pessoas que interromperam as atividades por um período menor ou que não informaram o problema ao empregador ficaram fora da contagem.

O crescimento dos registros está relacionado a fatores como falta de descanso, excesso de estímulos, dificuldade para separar trabalho e vida pessoal e permanência em ambientes profissionais disfuncionais.

Carga elevada, pressão exagerada, controle excessivo, ausência de reconhecimento, falta de autonomia e equipes pequenas também podem contribuir para o adoecimento. Quando um funcionário precisa se afastar, os colegas podem receber novas tarefas e acabar sobrecarregados, criando um efeito em cadeia dentro da empresa.

Burnout não é apenas cansaço

O diagnóstico não é feito por meio de um único exame ou teste. Os profissionais de saúde avaliam as queixas, os sintomas, a forma como a pessoa realiza suas atividades e as características do ambiente de trabalho.

Entre os sinais observados estão esgotamento físico, mudanças no sono, irritabilidade, tristeza e dificuldade para concluir demandas. A pessoa também pode perder a sensação de valor, considerar-se incapaz e começar a trabalhar no automático.

Essa atuação automática é chamada de despersonalização. O trabalhador continua cumprindo tarefas, mas se sente desconectado do que está fazendo e pode perder eficiência com o tempo.

A perda de sentido também aparece nos relatos sobre burnout. O profissional segue produzindo, alcançando metas e recebendo novas demandas, mas deixa de compreender a finalidade da rotina ou de encontrar satisfação no trabalho.

Mensagens fora do expediente


A dificuldade para descansar não depende apenas do comportamento individual. Levantamento realizado pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida com representantes de empresas que somam 300 mil funcionários mostrou que 89% das organizações não possuem regras para impedir mensagens profissionais fora do horário de trabalho.

A mesma pesquisa revelou que 65% das empresas consultadas não mantêm programas voltados à prevenção de riscos à saúde mental.

Por isso, os especialistas alertam que não basta pedir ao funcionário que faça terapia, pratique exercícios ou descanse durante o afastamento. Também é necessário investigar as condições que ajudaram a provocar o esgotamento.

Dependendo da situação, o retorno poderá exigir redução da carga de trabalho, reorganização da equipe e diminuição dos fatores de estresse. Sem mudanças no ambiente, o trabalhador poderá continuar adoecendo mesmo que adote cuidados individuais.

O que mudou para as empresas?

Desde 26 de maio, a NR-1 passou a incluir fatores de risco à saúde mental. A norma obriga as empresas a reconhecer e controlar situações capazes de provocar sofrimento psicológico nos funcionários.

Assédio, metas excessivas, jornadas prolongadas e problemas na comunicação interna estão entre as situações que precisam ser observadas.

No âmbito individual, os especialistas recomendam estabelecer limites para o tempo dedicado ao trabalho, manter períodos adequados de sono e reservar espaço para exercícios, lazer, hobbies e convivência com amigos e familiares.

O cuidado pessoal é importante, mas não substitui a criação de um ambiente profissional saudável. A prevenção do burnout depende tanto dos hábitos do trabalhador quanto das condições oferecidas pela organização.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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