Wilder Morais acentua racha no PL com críticas ao prefeito de Anápolis (Foto: Divulgação)

Wilder Morais acentua racha no PL com críticas ao prefeito de Anápolis (Foto: Divulgação)

Wilder Morais acentua racha no PL com críticas ao prefeito de Anápolis (Foto: Divulgação)

Wilder Morais acentua racha no PL com críticas ao prefeito de Anápolis (Foto: Divulgação)

Em meio a um novo racha, Wilder chama Márcio Corrêa de “traidor”

Em meio a um novo racha, Wilder chama Márcio Corrêa de “traidor”

Ataque amplia a crise no partido após prefeito reagir ao processo de expulsão e receber respaldo de Flávio Bolsonaro

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O senador Wilder Morais, presidente do PL em Goiás e candidato ao Governo de Goiás, elevou o tom contra o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, nesta quinta-feira (27). Em vídeo publicado nas redes sociais, o dirigente afirmou que o correligionário seria considerado “traidor” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração foi feita depois de Márcio apoiar a reeleição do governador Daniel Vilela (MDB), adversário de Wilder na disputa pelo Palácio das Esmeraldas. O senador lembrou que o prefeito foi eleito em 2024 pelo PL, com participação direta de Bolsonaro e da estrutura partidária.

Wilder sustentou que, se estivesse em liberdade, Bolsonaro não permitiria a permanência no partido de alguém que, segundo ele, decidiu caminhar contra o projeto político da legenda. “Certamente seria considerado traidor”, afirmou.

O candidato do PL também colocou em dúvida os compromissos assumidos pelo prefeito com outros dois nomes do partido: o vereador Major Vitor Hugo, candidato à Câmara dos Deputados, e o deputado federal Gustavo Gayer, que disputa o Senado.

“Não me admira romper também um apoio prometido ao Major Vitor Hugo e ao Gustavo Gayer”, declarou após citar o apoio do prefeito ao candidato a reeleição a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, Amilton Filho, do MDB.

A citação aos dois amplia o alcance da crise. Márcio trabalha pela eleição de Vitor Hugo e Gayer e afirmou ter consultado o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, antes de anunciar apoio a Daniel. Segundo interlocutores do prefeito, a direção nacional teria autorizado o arranjo, desde que ele permanecesse engajado na campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência e dos candidatos da legenda em Goiás.

Processo no Conselho de Ética

A ofensiva de Wilder ocorreu no mesmo dia em que a Executiva estadual do PL decidiu, por unanimidade, receber uma representação ético-disciplinar contra Márcio. O processo será encaminhado ao Conselho de Ética, que deverá elaborar parecer antes de uma decisão definitiva sobre eventual expulsão.

O advogado do partido, Leonardo Batista, ressaltou que a reunião analisou apenas a admissibilidade do pedido e não aplicou qualquer punição. A defesa do prefeito participou da sessão e recebeu uma cópia integral do processo.

A representação foi apresentada depois de Márcio participar, no sábado (22), da inauguração do comitê de Daniel Vilela em Anápolis. O PL sustenta que seu estatuto proíbe ocupantes de mandato filiados à legenda de apoiar candidatos de outros partidos quando há candidatura própria.

Márcio reage e recebe apoio de Flávio

Antes da publicação do vídeo de Wilder, Márcio já havia reagido ao processo. O prefeito acusou o senador de adotar dois pesos e duas medidas e afirmou que, caso o partido pretenda punir casos de infidelidade, deveria começar pelo próprio presidente estadual.

“Se for expulsar por infidelidade partidária, tem que começar pelo presidente, tem que expulsar deputado federal que não apoia esse projeto, tem que expulsar vários prefeitos também que não estão com esse projeto”, disse.

Márcio também revelou ter recebido uma ligação de Flávio Bolsonaro após o avanço do processo. De acordo com o prefeito, o candidato à Presidência afirmou: “Conte comigo, você tem sido importante para mim em Goiás”. O gesto da direção nacional expõe a distância entre o comando estadual de Wilder e o grupo que atua ao lado de Márcio em Anápolis.

O embate, que começou com a escolha do prefeito pelo palanque de Daniel, agora envolve a direção nacional, candidatos proporcionais e a campanha presidencial do PL. A tentativa de enquadrar Márcio por infidelidade partidária abriu uma disputa sobre quem, de fato, controla o partido em Goiás.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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