Guilherme Carvalho avalia que ex-governador mira adversário errado ao concentrar ataques em Lula e precisa disputar diretamente o eleitorado de Flávio Bolsonaro
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O professor e cientista político Guilherme Carvalho avalia que o ex-governador Ronaldo Caiado precisa mudar a estratégia da campanha presidencial e “radicalizar à direita” se quiser romper a barreira dos 5% das intenções de voto. Em entrevista ao podcast Domingos Conversa, ele afirmou que o principal desafio do goiano não é enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas avançar sobre o eleitorado hoje concentrado em Flávio Bolsonaro.
“Ronaldo Caiado não tem como adversário o Lula. Por quê? Porque o eleitor do Lula não fica tendente a votar no Ronaldo Caiado. São plataformas diferentes. O desafio de Ronaldo Caiado é chegar no segundo turno”, afirmou ao jornalista Domingos Ketelbey.
Na avaliação de Guilherme, Caiado precisa direcionar sua estratégia para o candidato que ocupa o espaço político imediatamente à sua frente. “Quem está na faixa dele? Flávio. Quem está diretamente acima dele”, disse.
O cientista político considera que Caiado perdeu oportunidades de apresentar ao eleitor nacional um discurso mais contundente sobre segurança pública, justamente a área utilizada pela campanha para projetar os resultados de Goiás.
Segundo ele, apenas apresentar estatísticas sobre a redução da criminalidade no Estado não é suficiente para produzir diferenciação eleitoral. “O eleitor quer ouvir, na verdade, não o que caiu. Ele quer ouvir como você fez e como você vai fazer”, afirmou.
Para Guilherme, Caiado dispõe de um ativo que outros candidatos do campo da direita não possuem: resultados administrativos que podem ser apresentados como experiência concreta de governo.
“É o momento de Ronaldo Caiado radicalizar seu discurso. Radicalizar pela direita”, disse. Na avaliação do professor, o ex-governador precisa mostrar ao eleitor conservador não apenas que possui posições semelhantes às de Flávio, mas que seria capaz de executar medidas que o bolsonarismo não conseguiu implementar quando esteve no Palácio do Planalto.
Sabatina foi oportunidade desperdiçada
Guilherme também fez uma avaliação crítica da participação de Caiado na sabatina do Jornal Nacional. Para ele, o ex-governador teve uma oportunidade de explicar nacionalmente como pretende reproduzir os resultados obtidos em Goiás, especialmente na segurança pública, mas não conseguiu transformar os números em uma narrativa sobre sua proposta para o país. “Ele desperdiçou essa oportunidade ontem na sabatina”, afirmou.
Segundo o cientista político, Caiado apresentou Goiás como referência, mas não detalhou suficientemente como sua experiência seria convertida em política nacional. “Ele não explica exatamente como ele vai mudar o Brasil, como ele vai melhorar a segurança pública. Isso faria toda a diferença se o discurso for radical”, disse.
No jogo rápido ao final do Domingos Conversa, Guilherme deu nota 6,5 para o desempenho do ex-governador no Jornal Nacional.
Tempo começa a pesar contra Caiado
A estagnação nas pesquisas também entrou na análise. Questionado sobre Caiado permanecer na faixa dos 5% mesmo depois do primeiro debate presidencial e de uma sequência de sabatinas, Guilherme afirmou que a repetição da atual estratégia reduz o tempo disponível para uma reação.
“Não dá para você ter resultados diferentes fazendo a mesma coisa sempre”, afirmou.
Para ele, Caiado está sendo percebido como um político tradicional e precisa encontrar uma forma de se diferenciar dentro do próprio campo da direita. “Ele precisa dar nome aos bois, ele precisa radicalizar o seu discurso. E o radicalizar dele é à direita”, disse.
Guilherme ponderou, porém, que uma mudança de estratégia pode já enfrentar uma corrida contra o relógio. “Eu não sei se dá tempo, no sentido de que ele pode conseguir fazer isso nas próximas oportunidades, mas ele já perdeu muitas oportunidades de fazer isso.”
Ao ser perguntado se Caiado conseguiria ultrapassar os atuais 5%, respondeu de forma direta: “Se radicalizar”. Para chegar a um patamar próximo de 15%, entretanto, avaliou que o goiano ainda dependeria de algum fato novo capaz de alterar a dinâmica da disputa presidencial.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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