Prefeitura de Aparecida de Goiânia - Pra Frente Aparecida
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Cintia Dias ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Cintia Dias ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Cintia Dias ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Cintia Dias ao lado de Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

DOMINGOS CONVERSA #55: PDT NA VICE, PSOL NO SENADO E CONSTRUÇÃO DA FRENTE AMPLA, COM CÍNTIA DIAS

DOMINGOS CONVERSA #55: PDT NA VICE, PSOL NO SENADO E CONSTRUÇÃO DA FRENTE AMPLA, COM CÍNTIA DIAS

Presidente do PSOL em Goiás detalha acordos da chapa de Luis César Bueno, admite insegurança com a demora nas definições e projeta participação de lideranças nacionais na campanha

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Domingos Conversa

Podcast

A presidente do PSOL em Goiás, Cíntia Dias, afirmou que o acordo construído pelos partidos de esquerda prevê uma candidatura da Federação PSOL-Rede ao Senado e a indicação do PDT para a vice na chapa encabeçada pelo ex-deputado estadual Luis César Bueno, do PT, ao Governo de Goiás.

Em entrevista ao Domingos Conversa, Cíntia disse que a composição foi registrada em uma ata encaminhada à direção nacional da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. O documento, segundo ela, reserva ao PSOL-Rede a primeira vaga ao Senado.

“Essa ata foi encaminhada com o PSOL ocupando a primeira vaga do Senado. A discussão para a Federação Nacional deliberar é entre a segunda vaga, que seria ou o PCdoB ou o PSB”, afirmou.

A segunda candidatura ao Senado era disputada pelo ex-deputado federal Aldo Arantes, do PCdoB, e pela ex-deputada estadual Isaura Lemos, do PSB. Cíntia disse que o impasse decorre da tentativa de acomodar os partidos sem apagar as principais lideranças da frente.

“Temos nomes de grande relevância. Escolher entre nós, do PSOL e da Rede, o PCdoB com o Aldo Arantes ou a própria Isaura, que vem pelo PSB, é um conflito de interesses”, declarou.

PDT deve indicar vice de Luis César

Cíntia tratou como consolidada a participação do PDT na chapa de Luis César Bueno. De acordo com a dirigente, o partido ficou responsável pela indicação do candidato a vice-governador e também ocuparia a segunda suplência da candidatura do PSOL-Rede ao Senado.

“Isso já está dado”, respondeu ao ser questionada sobre a vice. “Se tiver alguma reviravolta, será uma surpresa para nós. Esses são os acordos que a gente tem.”

A presidente do PSOL afirmou que o PDT passou a integrar a construção após negociações conduzidas pelos partidos da frente. Antes de aceitar a vice e uma suplência, a legenda também pleiteava espaço na chapa majoritária.

“O PDT também pleiteava um cenário e agora já está se dispondo a trabalhar com a gente na suplência e na vice do Luis César”, explicou.

Demora alimentou risco de palanques paralelos

Apesar de demonstrar confiança na consolidação da aliança, Cíntia admitiu que a demora do PT e dos demais partidos para fechar a chapa gerou insegurança e abriu espaço para a possibilidade de mais de um palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás.

“Se não tem uma definição pronta, acabada, o risco é iminente. Porque a política é movimento”, afirmou.

Para a dirigente, uma ruptura representaria uma “surpresa dolorosa”, especialmente porque o PSOL retirou a possibilidade de lançar candidatura própria ao governo para participar da frente.

“Nós estamos construindo uma candidatura, uma pré-campanha para governo desde o ano passado. Retirar essa candidatura em nome de uma frente é uma necessidade, mas também é uma tarefa que a gente tem cumprido nacionalmente. Então, isso precisa valer”, disse.

Cíntia também criticou a demora na divulgação dos acordos.

“O fato de a gente não ter essas definições já publicitadas nos causa inseguranças. Num processo coletivo sempre vai haver discussões. O que não pode haver é essa eterna dúvida.”

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Apoio a Luis César

A presidente do PSOL declarou apoio à candidatura de Luis César Bueno e vinculou a escolha à atuação da deputada federal e presidente do PT em Goiás, Adriana Accorsi.

“Eu acho que é uma indicação importante, até porque confio muito na presidente Adriana Accorsi. Já que a indicação do Luis César é uma indicação da Adriana, a gente tem que ter confiança”, afirmou.

Cíntia destacou a experiência política do petista, que já exerceu mandatos de vereador por Goiânia e deputado estadual.

“Ele é um cara que conhece o Estado. Já foi deputado, já foi vereador. Então, não tem motivo para não legitimar essa candidatura.”

Boulos e lideranças nacionais em Goiás

Cíntia afirmou que lideranças nacionais do PSOL e da Rede assumiram o compromisso de participar da campanha em Goiás. Entre os nomes mencionados estão o ex-deputado federal Guilherme Boulos, o deputado federal Ivan Valente, o deputado federal e pastor Henrique Vieira e a ministra Marina Silva.

“Existe a promessa, não é a esperança. Existe uma promessa dessas visitas estarem com a gente”, disse.

Segundo ela, a orientação nacional do PSOL é formar frentes estaduais para fortalecer a campanha de Lula no primeiro turno e enfrentar a ideia de que Goiás seria um território eleitoralmente inacessível à esquerda.

“Essa proposta de frente é uma proposta que vem da nossa nacional. A gente precisa fortalecer a campanha do Lula, a campanha do primeiro turno, e também quebrar esse discurso de que alguns estados e cidades são conservadores e pronto.”

Cíntia afirmou, porém, que não poderia garantir a presença do presidente em eventos eleitorais no Estado.

“Eu gostaria muito que o Lula viesse, porque ele conheceria Goiás com as pessoas do campo progressista. Mas não tenho como fazer a promessa do Lula. Das lideranças do PSOL, a gente tem.”

Na avaliação da dirigente, a ausência histórica de Lula nas campanhas estaduais está mais relacionada ao peso numérico do eleitorado goiano do que a uma resistência política.

“Eu acredito que realmente é pelo fator numérico. Ele vai jogar força nos estados que vão fazer uma diferença e uma grande contribuição para a campanha do primeiro turno.”

PSOL admite desvantagem na comunicação

Durante a entrevista, Cíntia reconheceu que a direita utiliza as redes sociais de maneira mais eficiente e disse que o campo progressista precisa ampliar sua presença nos espaços de comunicação.

“Acho que o campo da direita, nesse sentido, usa melhor. A esquerda precisa aprender a abrir espaços”, afirmou.

Ela citou o crescimento de políticos que construíram projeção por meio das plataformas digitais, sem depender dos meios tradicionais de comunicação.

“A gente tem uma seção de novos quadros que são youtubers. É uma ferramenta que dá publicidade, fura barreiras e faz com que você não precise esperar o convite de uma entrevista.”

Cíntia, no entanto, defendeu que a campanha não fique restrita às redes sociais.

“Não dá para aproveitar só os momentos da rede social. Precisa ir à casa de um por um, à porta da fábrica, à porta das empresas. Ocupar as ruas é a nossa alternativa.”

Antipetismo e pautas identitárias

A presidente do PSOL afirmou que a esquerda não deve organizar sua atuação com base no medo do antipetismo.

“Esse medo do antipetismo não nos cabe. O projeto de governo do campo progressista, neste momento, é representado pelo Lula”, declarou.

Ela também rebateu a crítica de que a esquerda teria abandonado a economia para priorizar pautas identitárias. Para Cíntia, as duas agendas são indissociáveis.

“A mulher que sai às cinco horas da manhã para pegar o ônibus e trabalhar não sai primeiro mulher e depois trabalhadora. Ela sai uma mulher preta, trabalhadora, mãe e, muitas vezes, mãe solo.”

Segundo a dirigente, não é possível discutir emprego, renda e serviços públicos sem considerar gênero, raça e as diferentes realidades sociais.

“Não tem como fazer um debate sério sobre economia sem discutir as pautas identitárias. Vamos discutir o Estado da forma que ele é, com sua diversidade.”

Crítica ao abandono do Entorno

Cíntia também criticou a atuação dos governos de Goiás e do Distrito Federal no Entorno de Brasília. Para ela, a região é procurada durante as campanhas, mas não recebe políticas públicas capazes de enfrentar seus problemas estruturais.

“O Entorno não é de ninguém. Goiás vai lá, faz campanha de helicóptero. O Distrito Federal faz do mesmo jeito e ninguém resolve os problemas. Virou uma cidade dormitório”, afirmou.

Ela comparou a situação com a transformação econômica de Aparecida de Goiânia, impulsionada pela instalação de polos industriais.

“Uma política voltada para fazer com que a cidade fosse industrializada mudou a realidade das pessoas. É possível mudar a realidade das mulheres, dos homens e da juventude a partir das pautas econômicas.”

Meta de eleger deputado estadual

O PSOL-Rede prepara pela primeira vez uma chapa completa de candidatos proporcionais em Goiás. Cíntia disse que a meta mínima é conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas admitiu dificuldades financeiras para sustentar todas as candidaturas. “A gente espera entregar essa chapa completa e eleger pelo menos um deputado estadual”, afirmou.

Segundo ela, a principal preocupação é evitar a desistência de candidatas mulheres diante do baixo volume de recursos disponível.

“Nossa dificuldade neste momento é segurar as companheiras mulheres, porque o recurso que vem para o PSOL é muito pequeno. Muitas não terão condições de fazer campanha com esse recurso.”

Cíntia disse que as candidaturas do campo progressista enfrentam estruturas mais caras e dependem de militância, trabalho de base e posicionamento ideológico. “As nossas campanhas não são milionárias. São candidaturas ideológicas, com muito debate, muito discurso e muito pouco dinheiro.”

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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