
Jornalista revelou que pediu para deixar o comando do PSDB em Goiânia, afirmou que ainda não decidiu se será candidato e admitiu que aceitaria “com muita honra” uma eventual vaga de vice de Marconi Perillo
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O jornalista Matheus Ribeiro revelou, no episódio 50 do Domingos Conversa, que pediu para deixar a presidência do PSDB em Goiânia. O comunicado foi feito na semana passada ao presidente estadual do partido, Gustavo Sebba, em meio às discussões internas para a convenção tucana marcada para 5 de agosto.
Matheus ressaltou que a decisão não representa rompimento e que continuará filiado, aliado da direção estadual e primeiro suplente de deputado federal pelo partido. Segundo ele, o objetivo é se liberar das obrigações administrativas da presidência para avaliar, com mais tranquilidade, os próximos passos de sua trajetória política.
“Eu pedi o meu desligamento”, afirmou. “Não afeta em nada o meu status de filiado, de aliado, de alguém que está inserido no partido.”
A entrevista passou pelos bastidores do PSDB, pela pré-campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, pela possibilidade de Matheus disputar as eleições de 2026 e pela ação partidária que resultou na cassação do mandato da vereadora Aava Santiago pelo Tribunal Regional Eleitoral de Goiás.
Candidatura ainda está em aberto
Apesar da proximidade da convenção, Matheus disse que ainda não decidiu se disputará uma vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara dos Deputados. Segundo ele, caso a decisão dependesse apenas de sua vontade neste momento, a preferência seria continuar dedicado à comunicação e aos projetos empresariais.
“Hoje, bem tranquilamente, eu preferiria continuar no estúdio da Lig Digital me dedicando ao meu trabalho”, disse.
O jornalista ponderou, no entanto, que ainda pretende ouvir aliados, eleitores e pessoas que participaram das duas campanhas que disputou. Em 2022, Matheus recebeu quase 47 mil votos e ficou como primeiro suplente de deputado federal. Dois anos depois, concorreu à Prefeitura de Goiânia e terminou a eleição com mais de 46 mil votos.
“Até o dia 5 ainda está aberta a possibilidade de colaborar com Goiás, de colaborar com as pessoas que acreditam em mim e, sobretudo, com o nosso partido, seja qual for a missão definida”, declarou.
Matheus afirmou que não pretende entrar em uma campanha apenas para ocupar espaço na chapa. Segundo ele, uma eventual candidatura dependerá de condições políticas, apoio e identificação com o projeto apresentado.
“Não quero novamente entrar em uma disputa sem estar abraçado não só pelas pessoas, mas também pelos ideais que eu defendo.”
Marconi “já está forte”
Ao analisar a disputa pelo governo de Goiás, Matheus afirmou que Marconi Perillo já chega fortalecido à campanha. Para ele, o ex-governador consolidou a pré-candidatura ao percorrer o interior do estado e retomar o contato direto com lideranças e eleitores.
“Eu acredito que o Marconi já está forte. Principalmente porque ele é uma máquina de trabalho e percorreu Goiás de cabo a rabo”, afirmou.
Matheus disse ter conversado com Marconi no mesmo dia da entrevista. Segundo ele, o ex-governador está animado com a campanha, mas também demonstra preocupação com a situação fiscal de Goiás e com as incertezas econômicas enfrentadas pelo país.
Para o jornalista, a experiência de quatro mandatos torna Marconi um candidato preparado para retornar ao Palácio das Esmeraldas.
“O Marconi é um governador pronto porque governou quatro vezes. É um governador pronto porque as derrotas que sofreu o fizeram amadurecer e porque é uma pessoa disposta a se renovar.”
Questionado sobre o principal adversário do tucano, Matheus afirmou que o desafio será convencer o eleitorado de que uma mudança no comando do estado não representa um risco.
“Eu acho que o principal adversário é a percepção de que Goiás pode arriscar. Goiás não pode arriscar.”
Possibilidade de ser vice
Matheus também foi questionado sobre a possibilidade de ocupar a vaga de vice na chapa de Marconi. Ele afirmou que não pleiteia a posição, mas admitiu que aceitaria a missão caso fosse convidado.
“Seria uma função que eu desempenharia com muita honra, confesso a você”, declarou.
O jornalista ponderou que a escolha do vice depende de uma relação de confiança pessoal com o candidato e da construção de alianças partidárias. Para ele, o PSDB deve buscar composições com outras legendas, embora o cenário seja dificultado pelos interesses dos dirigentes partidários.
“Vice não é um cargo menor, mas não acredito que seja um cargo que se pleiteia.”
Matheus também rejeitou um alinhamento automático do PSDB com a direita ou com a esquerda. Segundo ele, a legenda deve preservar uma posição de centro e construir uma alternativa própria para Goiás.
“Não acredito que combine com o PSDB esse atrelamento a uma esquerda ou a uma direita, ambas problemáticas.”
Ao comentar uma possível aliança entre Marconi e o PT, Matheus afirmou que não acredita que o ex-governador se sentiria confortável com a composição.
“O PSDB não tem candidatura presidencial. Nem por isso precisa comprar o problema dos outros ou querer resolvê-lo de uma forma imediatista.”
Saída do comando do PSDB
Matheus avaliou que sua passagem pela presidência do PSDB de Goiânia teve como principal resultado a recuperação eleitoral da legenda na capital. Segundo ele, o partido multiplicou por mais de dez sua votação em relação à eleição municipal anterior e recebeu mais de 37 mil votos para a Câmara Municipal em 2024.
Ele assumiu o diretório em maio daquele ano, às vésperas do processo eleitoral, e comandou a organização da chapa proporcional e a candidatura própria à prefeitura.
“Acredito que a nossa maior resposta veio meses depois que assumi. Conseguimos construir uma campanha e ter um resultado de expressão.”
Matheus citou o advogado Michel Magul, vice-presidente municipal do partido, como um nome preparado para assumir o diretório, caso essa seja a decisão da direção estadual.
Segundo ele, o pedido de desligamento pretende apenas abrir espaço para que possa avaliar o futuro político sem as obrigações institucionais do cargo.
“Quero ficar desobrigado dessa função enquanto presidente para pensar novos caminhos e compor isso com a minha vida, com a minha profissão e com as pessoas que confiam no meu trabalho.”
Cassação de Aava Santiago
Um dos pontos centrais da entrevista foi a cassação do mandato da vereadora Aava Santiago. Matheus é um dos signatários da ação apresentada pelo PSDB após a parlamentar deixar a sigla e se filiar ao PSB fora da janela partidária.
O TRE-GO julgou procedente a ação por seis votos a um. Para Matheus, o processo não representa perseguição política, mas uma consequência da legislação eleitoral que estabelece que, nas disputas proporcionais, o mandato pertence ao partido.
“A decisão partidária é uma consequência. O mandato proporcional pertence ao partido”, afirmou.
Matheus lembrou que Aava havia declarado anteriormente que não deixaria o PSDB por saber que não havia janela partidária aberta. Ele sustentou que, como presidente municipal, não poderia deixar de defender os interesses da legenda.
“Existe uma legislação eleitoral. O partido defende o seu interesse e eu, enquanto presidente, jamais poderia me furtar da minha responsabilidade por gostar ou não gostar de quem quer que seja.”
Ao rebater críticas de que a ação atingiu a mulher mais votada da história da Câmara de Goiânia, Matheus afirmou que a votação não altera as regras de fidelidade partidária.
“A cassação não é por ter sido a mais votada. A verdade é que houve uma mudança de partido fora da janela partidária. Isso é uma ilegalidade.”
Voto em Mabel
Durante o bate-bola do programa, Matheus também revelou que votou em Sandro Mabel no segundo turno da eleição municipal de 2024. Na época, ele não declarou apoio público a nenhum dos dois candidatos que chegaram à etapa final da disputa. “No segundo turno, eu votei no Mabel. Eu não queria o Fred Rodrigues de jeito nenhum. Acho que seria muito pior para Goiânia”, afirmou.
Apesar do voto, Matheus resumiu a gestão de Mabel com a palavra “marketing”. Ele disse que, no segundo turno, preferiu agir como cidadão e não participar de uma campanha por conveniência política. “No segundo turno eu preferi ser cidadão. Eu não quis ser político.”
Lula favorito
Mesmo filiado ao PSDB e apoiador de Marconi, Matheus afirmou acreditar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencerá a eleição presidencial de 2026.
“Eu acredito que o Lula vença a eleição”, declarou.
Matheus disse reconhecer a capacidade do petista de se reconstruir politicamente, embora tenha ressaltado que não votará nele.
Ao responder quem será o próximo governador de Goiás, foi direto: “Eu defendo e voto em Marconi”.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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