Vice-prefeito de Aparecida defende Luiz do Carmo como vice de Daniel Vilela e critica a pulverização de candidaturas ao Senado
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O vice-prefeito de Aparecida de Goiânia, João Campos (Podemos), confirmou que será candidato a deputado federal nas eleições de 2026. Em entrevista ao Domingos Conversa, ele disse que pretende buscar o sexto mandato na Câmara, defendeu Luiz do Carmo para a vice de Daniel Vilela, revelou uma conversa reservada com Ronaldo Caiado antes das eleições de 2022 e afirmou ter sido enganado por Arthur Lira em uma votação no Congresso.
A candidatura, segundo João Campos, está definida dentro do grupo político. Falta apenas a formalização durante a convenção partidária.
“Está posto. Isso está definido. É claro que passa pela convenção do partido, mas está definido”, afirmou.
João Campos deixou a Câmara dos Deputados em 2023, após cinco mandatos consecutivos, e voltou às urnas em 2024, quando foi eleito vice-prefeito na chapa de Leandro Vilela. Para ele, o retorno a Brasília não representaria um afastamento de Aparecida, mas uma forma de fortalecer politicamente a cidade.
“Aparecida carece, ou merece, pelo tamanho do colégio eleitoral, ter um deputado federal. Não ter um deputado federal do grupo político que governa a cidade parece deixar Aparecida um pouco menor politicamente”, disse.
O vice-prefeito afirmou que pretende usar a experiência acumulada no Congresso para ampliar a capacidade do município de buscar recursos e abrir portas no governo federal.
“Imagine o Leandro tendo um irmão, do ponto de vista político, que hoje é vice-prefeito, em Brasília, de mãos dadas com ele, na condição de deputado federal. Isso fará muito mais diferença”, declarou.
João Campos também descartou deixar a disputa para coordenar uma eventual campanha de Gustavo Mendanha ao Senado. Segundo ele, o projeto de voltar à Câmara já está amadurecido e não depende das definições da chapa majoritária.
Luiz do Carmo na vice
Na corrida pela vaga de vice-governador na chapa de Daniel Vilela, João Campos declarou preferência pelo ex-senador Luiz do Carmo.
Ele também elogiou o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, Zé Mário Schreiner, e o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, mas não escondeu sua escolha.
“Se você me pergunta se tenho alguma preferência, tenho. Acho que Luiz do Carmo, com quem tenho mais proximidade e pela história dele, seria a minha escolha”, afirmou.
Para João Campos, a quantidade de interessados no posto é consequência da posição eleitoral ocupada atualmente por Daniel Vilela. A vice, segundo ele, tornou-se uma das vagas mais disputadas da base diante da perspectiva de continuidade do grupo no poder.
“Por que a vice de Daniel desperta tanto interesse? Primeiro porque é governo. Segundo porque, considerando o cenário de hoje, as coisas convergem muito para uma reeleição de Daniel”, disse.
A conversa com Caiado
João Campos também revelou detalhes de uma conversa reservada com Ronaldo Caiado nas prévias das eleições de 2022. O encontro ocorreu no escritório de representação do Governo de Goiás, em Brasília, quando Caiado ainda construía a chapa para disputar a reeleição.
“Caiado me chamou para um diálogo no escritório de representação de Goiás. Naquele encontro, convidou-me para ser o candidato ao Senado da chapa dele”, contou.
Campos disse que respondeu ao convite com um alerta. Ele era contrário à estratégia de lançar mais de um candidato ao Senado dentro da mesma base política.
“Eu disse ao Caiado que era contra essa tese. Ele respondeu que também achava que isso não fazia sentido”, relatou.
A estratégia, no entanto, acabou alterada. A base governista apresentou mais de uma candidatura e João Campos decidiu deixar o grupo para concorrer ao Senado na chapa liderada por Gustavo Mendanha.
“Essa foi a razão pela qual não permaneci. Sem briga, fiz a minha opção”, afirmou.
O afastamento, de acordo com o vice-prefeito, foi político e temporário. Não houve rompimento pessoal com Caiado. Passada a eleição, Campos voltou a se aproximar do grupo e hoje declara apoio à candidatura presidencial do ex-governador.
Base dividida ao Senado
A experiência de 2022 continua a orientar a avaliação de João Campos sobre o atual cenário eleitoral. Para ele, a existência de quatro pré-candidatos ao Senado ligados à base de Daniel Vilela beneficia o candidato ao governo, mas prejudica os próprios postulantes às duas vagas.
“A metodologia de múltiplas candidaturas na base é muito boa para o candidato a governador, mas não é boa para os candidatos ao Senado, porque divide”, avaliou.
Gracinha Caiado, Gustavo Mendanha, Vanderlan Cardoso e Zacharias Calil são apresentados como candidatos do campo governista. João Campos elogiou os quatro e evitou apontar um favorito.
“São quatro candidatos com musculatura e história. Não dá para dizer com segurança quem reúne as melhores condições”, afirmou.
Campos reconheceu o capital político acumulado por Gracinha durante os anos em que atuou como primeira-dama, destacou a força eleitoral de Mendanha em Aparecida e no interior, citou a experiência parlamentar de Vanderlan e lembrou a projeção nacional de Zacharias na medicina.
Questionado sobre seus votos para o Senado, disse que deverá seguir a construção do partido. Também reconheceu a ligação política com Gustavo Mendanha, com quem disputou as eleições de 2022 e compartilha a base eleitoral em Aparecida.
Caiado para presidente
Na disputa presidencial, João Campos reafirmou apoio a Ronaldo Caiado. O vice-prefeito considera que o goiano poderá crescer quando a campanha começar oficialmente e o eleitor nacional tiver maior contato com sua trajetória.
“Eu vou votar nele e trabalhar por ele”, afirmou.
Campos aposta que os debates e o horário eleitoral poderão favorecer Caiado, principalmente pela experiência administrativa e pela atuação na segurança pública. Ainda assim, reconhece a dificuldade de romper a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bolsonarismo.
“Penso que o principal adversário de Caiado é Flávio, por causa da polarização”, avaliou.
O vice-prefeito também criticou a forma como a família Bolsonaro conduziu divergências públicas envolvendo Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente. Para ele, faltou capacidade de produzir uma imagem de unidade.
“Eu teria procurado Michelle. Os dois sairiam da sala abraçados e o Brasil diria: esse povo sabe se entender. Mas isso não aconteceu”, disse.
João Campos afirmou que, caso Caiado não avance ao segundo turno, apoiará o representante da direita que disputar a etapa final contra Lula. Ele avaliou que Flávio Bolsonaro teria condições de vencer, embora considere Caiado mais preparado para governar o país.
“Eu fui enganado”
Um dos momentos mais duros da entrevista ocorreu quando João Campos foi questionado sobre arrependimentos de sua passagem pela Câmara dos Deputados.
O ex-parlamentar citou o voto pela manutenção da prisão do então deputado Daniel Silveira e atribuiu sua decisão a uma articulação conduzida pelo presidente da Casa à época, Arthur Lira.
“Eu me arrependo de ter aceitado, de ter sido induzido a votar pela manutenção da prisão de Daniel Silveira”, afirmou.
Segundo Campos, Lira informou aos deputados que havia um entendimento político segundo o qual, após a manutenção da prisão, a Câmara aprovaria medidas destinadas a fortalecer as prerrogativas do Congresso.
“Confiando na palavra do presidente Lira, votei pela manutenção da prisão. O que me foi dito não foi levado a termo”, declarou.
João Campos afirmou que o compromisso apresentado aos parlamentares não foi cumprido. “Eu fui enganado”, resumiu.
Ao ser questionado se considerava ter sido traído por Arthur Lira, concordou com a definição de que foi “induzido a erro” pelo então presidente da Câmara.
Marconi e Wilder
No encerramento do programa, João Campos também analisou os principais nomes da oposição ao governo Daniel Vilela.
Sobre Marconi Perillo, afirmou que o ex-governador possui lembrança eleitoral e um grupo político consolidado, mas enfrenta um limite provocado pela rejeição acumulada ao longo de sua trajetória. “Marconi tem um teto baixo”, avaliou.
Em relação a Wilder Morais, disse que o senador precisa ampliar sua presença junto ao eleitorado para converter o potencial apresentado nas pesquisas em uma candidatura competitiva. “Wilder precisa ir para as ruas”, afirmou.
João Campos encerrou a entrevista apostando na reeleição de Daniel Vilela, reiterando sua preferência por Luiz do Carmo para a vice e reafirmando apoio à candidatura de Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto.
Entre a volta à Câmara, as articulações em Aparecida e os ressentimentos deixados por Brasília, o vice-prefeito mostrou que pretende ocupar novamente um espaço central na política goiana. Desta vez, carregando cinco mandatos, a vice-prefeitura da segunda maior cidade de Goiás e algumas contas ainda abertas com o passado.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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