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DOMINGOS CONVERSA #47: O QUE ACONTECEU COM O FUTEBOL BRASILEIRO? COM JOSÉ LEAL E JOSÉ CARLOS LOPES

DOMINGOS CONVERSA #47: O QUE ACONTECEU COM O FUTEBOL BRASILEIRO? COM JOSÉ LEAL E JOSÉ CARLOS LOPES

Comentaristas esportivos avaliam a eliminação precoce do Brasil, a interferência de Trump na Copa e o vazio de craques na base da seleção

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Domingos Conversa

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O problema da Seleção Brasileira não começou contra a Noruega nem será resolvido até 2030. Para os comentaristas esportivos José Leal e José Carlos Lopes, a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo apenas escancarou um processo que vem sendo construído há décadas: o Brasil deixou de jogar como Brasil.

No novo episódio do Domingos Conversa, os dois fizeram um diagnóstico da maior seleção campeã do mundo e apontaram uma perda de identidade como principal causa do distanciamento do país em relação às principais potências do futebol. Na avaliação deles, enquanto o Brasil passou a importar conceitos do futebol europeu, as seleções do Velho Continente incorporaram justamente características que fizeram da escola brasileira uma referência mundial.

Brasil deixou de ser Brasil

"O dono desse produto, que é o Brasil, não está fazendo uso dele", resumiu José Leal ao defender que o futebol brasileiro abandonou sua principal marca: o drible, a criatividade e a capacidade de decidir jogos com talento individual. José Carlos Lopes foi além. "Eles jogam o que o Brasil jogou, e o Brasil não consegue jogar mais", afirmou.

Segundo os comentaristas, o problema começa ainda na formação dos atletas. Para Leal, o país deixou de produzir jogadores capazes de desequilibrar uma Copa do Mundo. "Você acompanha o Campeonato Brasileiro Sub-20 e não vê um Pelé, um Garrincha, um Tostão. A perspectiva de entrar em uma Copa para ser campeão hoje é zero", avaliou. Ele também atribuiu parte da responsabilidade à crise administrativa vivida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Ancelotti não faz milagre

José Carlos Lopes compartilha da mesma preocupação. Para ele, a renovação da Seleção não apresenta nomes capazes de assumir o protagonismo das gerações campeãs. "Com esse grupo de jogadores não se forma uma boa seleção", afirmou. Segundo ele, a chegada de Carlo Ancelotti criou a expectativa de que um treinador experiente pudesse transformar um elenco limitado em uma equipe competitiva, algo que não aconteceu na Copa de 2026.

Mesmo assim, os dois descartam uma troca imediata no comando técnico. José Leal defendeu a permanência do italiano até o fim do contrato e questionou quem teria condições de assumir a Seleção neste momento. José Carlos prefere uma avaliação gradual. "Tem que ser passo a passo. Daqui a pouco o trabalho não deslancha e você precisa reavaliar", ponderou.

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O eterno menino Neymar

Outro ponto de consenso foi a avaliação sobre Neymar. Para José Carlos, o camisa 10 teve futebol suficiente para conquistar o prêmio de melhor jogador do mundo, mas nunca conseguiu amadurecer fora das quatro linhas. "Ele nunca deixou de ser criança. Foi um eterno menino", definiu. As lesões também tiveram papel determinante. Na visão do comentarista, a contusão sofrida às vésperas do 7 a 1 contra a Alemanha mudou completamente o destino daquela Copa. "Aquela joelhada colocou o Brasil de joelhos."

Quando a política entrou em campo

Embora a crise da Seleção tenha dominado a maior parte da conversa, os comentaristas reservaram críticas à própria organização da Copa de 2026. Para José Leal, o torneio realizado por Estados Unidos, Canadá e México marcou uma inversão inédita na relação entre a FIFA e os países-sede.

"Hoje o futebol, principalmente um evento do tamanho da Copa do Mundo, é mais político do que mesmo futebol", afirmou.

José Carlos Lopes concorda. Segundo ele, a influência do presidente norte-americano Donald Trump sobre decisões relacionadas ao torneio demonstrou que a entidade máxima do futebol perdeu parte da autonomia que historicamente exercia sobre os organizadores das Copas. "Antes a FIFA impunha as regras. Desta vez aconteceu o contrário", avaliou.

Wilton chegou mais longe que a Seleção

Ao longo da entrevista, os jornalistas também analisaram o legado de Messi e Cristiano Ronaldo, discutiram o espaço ocupado por Vinícius Júnior e projetaram o futuro da arbitragem goiana com Wilton Pereira Sampaio, representante da Federação Goiana de Futebol na competição. O árbitro foi elogiado pela atuação em jogos de alto nível e apontado como um dos nomes brasileiros que conseguiu avançar mais do que a própria Seleção.

O caminho até 2030

A conversa também passou pelas transformações do jornalismo esportivo, pela pressão exercida pelas redes sociais e pela influência crescente das casas de apostas. Para os entrevistados, o futebol brasileiro só voltará a disputar uma Copa como favorito quando recuperar sua identidade, reorganizar a formação de jogadores e enfrentar os problemas administrativos que se acumulam fora de campo.

Para ambos, nenhuma mudança será suficiente enquanto o Brasil não reencontrar aquilo que o transformou na maior potência da história das Copas do Mundo: sua própria forma de jogar.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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