Deputada federal afirma que saída para o Republicanos foi amadurecida por mais de um ano e rejeita tese de que tenha deixado o partido pela “porta dos fundos”
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Política
A deputada federal Lêda Borges (Republicanos) afirmou, em entrevista ao Domingos Conversa, que a decisão de deixar o PSDB após 20 anos de filiação foi amadurecida ao longo de mais de um ano. A parlamentar rejeitou a leitura de que tenha saído pela “porta dos fundos” ou traído o ninho tucano, disse que não pretende desconstruir sua trajetória no partido, pregou gratidão ao ex-governador Marconi Perillo e, ao mesmo tempo, afirmou que torce pela vitória do governador Daniel Vilela (MDB), a quem apoiará nas eleições deste ano.
“Na verdade, ela não foi uma decisão neste ano. Eu só poderia sair neste ano, na janela partidária. Essa decisão foi sendo amadurecida nos últimos 12 meses”, afirmou ao jornalista Domingos Ketelbey.
Lêda se filiou ao Republicanos depois de convite do presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, colega da parlamentar na Câmara Federal. Segundo ela, a legenda ocupa hoje um espaço de centro e moderação. “É um partido de centro, é um partido moderado, e eu creio que o Brasil precisa dessa moderação. Nada de extremos”, disse.
A deputada também tratou da relação do Republicanos com a Igreja Universal. Lêda afirmou que Marcos Pereira ampliou o perfil do partido e abriu a legenda para outros segmentos da sociedade. “O Republicanos tem muita força nacional. Hoje nós temos o presidente da Câmara Federal que é Republicanos”, afirmou.
Ao falar sobre a saída do PSDB, Lêda negou que tenha rompido de forma traumática com Marconi Perillo. Segundo ela, a relação com o ex-governador é de respeito, e a decisão de deixar o partido foi comunicada a quem, na avaliação dela, precisava ser comunicado.
“Tudo foi externado a ele. E a quem eu tinha que me reportar era ele. Por quê? Porque eu não tive apoio de nenhum prefeito do PSDB”, afirmou. Questionada se não teve apoio de nenhum prefeito tucano na eleição para deputada federal, Lêda respondeu: “Não.”
A parlamentar disse que não se incomoda com críticas internas porque, segundo ela, os setores que levantam a tese de deslealdade não foram decisivos para sua eleição à Câmara. “Isso não me incomoda, porque quem pensa assim não me ajudou a estar federal”, disse.
Lêda afirmou ainda que sua aproximação com o governo estadual ocorreu apenas depois da reeleição de Ronaldo Caiado. Ela lembrou que, em 2022, apoiou Gustavo Mendanha contra o então governador. “Eu só me aproximei do governo para contribuir com Goiás e com o povo goiano, depois do governador Ronaldo Caiado ser reeleito. Eu não aproveitei de governo para ser reeleita”, afirmou.
A deputada disse que atuou como oposição a Caiado enquanto esteve na Assembleia Legislativa, mas que, ao chegar ao Congresso Nacional, passou a enxergar outro papel institucional. “Eu preciso estar lá e contribuir com o meu Estado. Isso não compõe a questão partidária. Isso compõe a minha atribuição enquanto representante de Goiás no Congresso Nacional”, declarou.
Para rebater as acusações de traição, Lêda citou a postura de prefeitos tucanos na campanha de 2022. Segundo ela, parte dos gestores do PSDB posou ao lado de Caiado durante o segundo turno da eleição estadual. “Houve uma permissão do partido, consequentemente, à época, do nosso presidente estadual, de que o PSDB pudesse caminhar com o Caiado. Portanto, o PSDB contribuiu com a reeleição do Ronaldo Caiado. O que só eu deveria fazer de oposição?”, questionou.
Perguntada se considera desmedidas as críticas e insinuações de deslealdade, a deputada foi incisiva. “Totalmente. Não houve pessoa mais leal e que pagou um preço altíssimo do que eu, enquanto deputada estadual e na campanha”, afirmou.
No Republicanos, Lêda passa a integrar uma legenda que tenta ampliar espaço em Goiás nas eleições deste ano. Segundo ela, o partido trabalha para eleger dois deputados federais pelo estado.
A parlamentar também tratou do Entorno do Distrito Federal, sua principal base política. Ex-prefeita de Valparaíso, ela afirmou que a região tem peso eleitoral para reivindicar espaço na chapa majoritária, mas perde força pela falta de unidade entre lideranças locais. “Se houvesse união, com certeza, com 800 mil eleitores, nós estaríamos pleiteando junto ao Daniel essa vaga de vice ou de suplência do Senado”, disse.
Mesmo defendendo mais espaço para o Entorno, Lêda declarou apoio ao presidente licenciado da Faeg, José Mário Schreiner (PSD), na disputa pela vaga de vice de Daniel. “Eu gosto muito do Zé Mário. Eu já declarei, inclusive. Acho ele um homem preparado”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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