
Entrevista aborda crise de confiança, fake news e os riscos da inteligência artificial no processo eleitoral
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Política
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O presidente da OAB-GO, Rafael Lara, afirmou que o Judiciário brasileiro vive um processo de “reconstrução de imagem”, especialmente em relação ao Supremo Tribunal Federal, e apontou que a queda de confiança da população nas instituições está ligada à falta de apuração de condutas. A declaração foi feita em entrevista ao Domingos Conversa, exibido na TV Capital, nesta segunda-feira (6) e disponível em todos os tocadores de podcast.
Ao longo da entrevista, Lara reconheceu o desgaste na percepção pública sobre o Judiciário e defendeu que eventuais denúncias envolvendo integrantes do sistema devem ser investigadas.
“Existe uma situação muito delicada, sensível e lamentável do que a gente está vivendo com o Poder Judiciário”, afirmou. Segundo ele, a crise de imagem exige reação institucional. “Quando você tem uma crise de imagem do Supremo Tribunal Federal, é hora do próprio Supremo reavaliar o que está acontecendo.”
O presidente da OAB-GO também criticou a exposição de ministros da Corte fora do ambiente processual. “Nós precisamos voltar a um momento em que o ministro do Supremo fala nos autos e não na frente de uma câmera”, disse.
Outro ponto abordado foi o inquérito das fake news, em tramitação no STF. Lara classificou o procedimento como inadequado do ponto de vista jurídico.
“É um inquérito perpétuo. Nenhum tipo de inquérito pode durar tanto tempo”, afirmou.
Ele ressaltou que a posição da OAB é de acompanhamento institucional, com foco na legalidade, mas reforçou a necessidade de limites claros na atuação das instituições.
Eleições de 2026 e impacto da inteligência artificial
Ao projetar o cenário eleitoral, Lara afirmou que o principal desafio das eleições de 2026 será o avanço da desinformação em um ambiente digital mais sofisticado.
“As desinformações, especialmente agora criadas por inteligência artificial, continuam. Esse é o grande desafio”, disse.
Segundo ele, a discussão deixou de ser apenas sobre fake news e passou a envolver um nível mais complexo de manipulação de informação.
Urnas eletrônicas e voto impresso
Sobre o sistema eleitoral, o presidente da OAB-GO afirmou que o debate sobre a segurança das urnas perdeu força após 2022 e classificou a discussão sobre voto impresso como política.
“A Ordem entende que a urna eletrônica tem segurança. Essa é uma discussão muito mais política do que técnica”, afirmou.
8 de janeiro e anistia
Ao comentar os atos de 8 de janeiro, Lara evitou classificar o episódio como tentativa de golpe e afirmou que o tema ainda será interpretado ao longo do tempo.
“Precisamos de mais tempo, de livros de história, para compreender o que foi o 8 de janeiro”, disse.
Apesar disso, condenou os atos de violência. “É inadmissível qualquer ataque às instituições.”
Sobre propostas de anistia, afirmou que se trata de uma decisão política. “Cabe aos agentes políticos decidir. A OAB acompanha sob a ótica da legalidade.”
No campo local, Lara avaliou como positiva a relação da OAB-GO com o governo estadual e afirmou que espera continuidade do diálogo com o novo governador, Daniel Vilela.
Segundo ele, a formação jurídica do emedebista pode facilitar a interlocução institucional. “Ele tem maior compreensão dos pleitos. Isso nos anima muito”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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