
Ex-deputado vê produção legislativa “fraca”, ataca reforma tributária e prevê eleição em dois turnos em Goiás
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Entrevistado da nova edição do Domingos Conversa, o ex-deputado estadual Simeyzon Silveira revela bastidores da relação entre o setor produtivo e o poder público. Diretor de Relações Institucionais da Fecomércio-GO, ele avalia como a política impacta a economia goiana e critica o que chama de “empobrecimento” do debate público. O episódio foi ao ar nesta segunda-feira (23) e está disponível em todas as plataformas de podcast.
Na entrevista, Simeyzon aprofunda a crítica ao ambiente político atual e afirma que o país atravessa um momento de baixa qualidade no debate público. “Hoje nós vivemos um ambiente muito infértil”, disse. “A discussão política está apegada a ideologias, a pautas que não tratam da estrutura do país.”
Para ele, há uma inversão de prioridades na atuação dos agentes públicos. “A produção política dá trabalho, exige tempo, exige responsabilidade. Hoje o político entende que não precisa mais fazer grandes entregas”, afirmou. “Ele pega um celular e xinga meia dúzia de gente, e isso está fazendo sucesso.”
O ex-deputado também direciona críticas à reforma tributária, tratada como um dos principais pontos de preocupação para o setor produtivo. “Ninguém sabe onde isso vai chegar”, disse. “No final, é a classe produtiva que vai pagar essa conta.” Segundo ele, o país deveria ter priorizado outras mudanças estruturais antes da reforma. “É uma reforma tributária para aumentar impostos.”
Na Fecomércio-GO, Simeyzon relata atuação voltada ao monitoramento de projetos legislativos e à tentativa de antecipar impactos sobre o ambiente de negócios. “Se o setor produtivo não se movimenta, ele fica atado por uma série de leis que aumentam a burocracia”, afirmou.
Ele cita como exemplo o acúmulo de exigências legais sobre empresas. “Nós temos mais de 180 leis que obrigam o comerciante a colocar cartaz dentro da loja”, disse. “São pequenas coisas que, somadas, inviabilizam o negócio.”
No campo eleitoral, Simeyzon avalia que a polarização seguirá como eixo central da disputa em 2026. “Eu não acredito que essa eleição vá fugir da polarização”, afirmou. Para ele, o bolsonarismo mantém capacidade decisiva de transferência de votos. “É o único movimento que consegue transferir votos em massa hoje.”
Ao analisar o cenário nacional, ele aponta dependência da esquerda em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “O Lula precisa ser candidato. Se tirar o Lula do processo, a esquerda tende a se esfacelar.”
Em Goiás, Simeyzon projeta uma disputa mais acirrada e com dois turnos. “Para mim, é uma eleição de dois turnos”, disse. Segundo ele, a entrada do senador Wilder Morais no cenário altera o equilíbrio da disputa. “Tirou o governo de uma zona de conforto.”
O ex-deputado avalia que o candidato governista deve estar no segundo turno e vê disputa aberta pela outra vaga. “Wilder e Marconi devem brigar por esse espaço.”
Sobre a composição de chapa, Simeyzon defende um critério eleitoral para a escolha do vice. “Para combater o voto do bolsonarismo, precisa ser um vice evangélico”, afirmou. Ele cita nomes como Gustavo Mendanha e Luiz do Carmo.
Filiado à Democracia Cristã e se apresentando como pré-candidato a deputado estadual, Simeyzon também projeta desempenho da legenda. “Não é uma chapa que tem figurante. Todo mundo tem voto”, disse. “Uma chapa com 300 mil votos faz quatro deputados, e a nossa passa disso.”
No bate-pronto, foi direto nas projeções. “Daniel Vilela”, respondeu ao ser questionado sobre o próximo governador. E completou: “Ronaldo Caiado”, ao apontar quem será o próximo presidente da República. Ao final, ele reforça a necessidade de mudança no ambiente político. “Espero que a gente consiga fugir desse ambiente infértil, dessa polarização que é muito complicada.”

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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