Foto por cortesia de CinemaScópio - MK Production - One Two Films - Lemming

Foto por cortesia de CinemaScópio, MK Production, One Two Films e Lemming via Festival de Cannes

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DOMINGOS CONVERSA #15: CINEMA, PODER E ELEIÇÃO NO BRASIL, COM LISANDRO NOGUEIRA

DOMINGOS CONVERSA #15: CINEMA, PODER E ELEIÇÃO NO BRASIL, COM LISANDRO NOGUEIRA

Para o professor e pós-doutor, o cinema ajuda a revelar contradições políticas de um país sem consenso mínimo e sem projeto de longo prazo

27 de dezembro de 2025 às 12:44

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Domingos Conversa

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O cinema brasileiro vive um novo momento de visibilidade internacional, mas, para o professor e pós-doutor em Cinema Lisandro Nogueira, esse reconhecimento não pode ser analisado de forma isolada. Em entrevista ao último episódio do ano do podcast Domingos Conversa, exibido nesta segunda-feira (29), ele afirma que o audiovisual reflete um país politicamente fragmentado, sem consensos mínimos e sem um projeto claro de nação, cenário que também ajuda a compreender o ambiente eleitoral brasileiro.

“O Brasil hoje é um país politicamente pobre. Falta um projeto de nação”, afirma Lisandro. Segundo ele, a ausência de diretrizes de longo prazo faz com que o país caminhe por ciclos de avanço e retrocesso, tanto na política quanto na cultura.

Cinema e leitura do tempo presente

Para o professor, o retorno recorrente de filmes brasileiros à temática da ditadura militar não se limita a uma revisão histórica. Ele avalia que essas produções dialogam diretamente com o presente e com as dificuldades do país em elaborar seus próprios conflitos. “Quando o cinema volta à ditadura, ele não está falando só do passado. Ele está tentando entender o agora”, afirma.

Lisandro sustenta que o cinema acaba ocupando um espaço que a política institucional evita, ao tensionar temas como poder, violência de Estado, memória e silêncios históricos. Para ele, esse movimento ajuda a revelar contradições que reaparecem em momentos de disputa política e eleitoral.

Polarização e ausência de consenso

Outro ponto central da análise de Lisandro é a polarização política. Na avaliação dele, o confronto permanente entre campos ideológicos não produz avanços estruturais. “Nós pensamos sempre na próxima eleição, nunca no país que queremos ser”, critica.

Segundo o cineasta, tanto a esquerda quanto a direita falham ao não apresentar projetos consistentes para áreas estratégicas como educação, cultura, energia e soberania. Essa fragilidade, afirma, torna o Brasil vulnerável a interesses externos e dificulta a consolidação de políticas de Estado.

“A polarização não constrói nada. Ela interessa a quem está fora do país e enfraquece o Brasil internamente”, afirma.

Cinema brasileiro e fragilidade estrutural

Durante a entrevista, Lisandro também analisa o funcionamento histórico do cinema brasileiro, marcado por ciclos de reconhecimento pontual e longos períodos de estagnação. Para ele, prêmios e conquistas isoladas não resolvem um problema estrutural. “O cinema brasileiro vive de espasmos. A gente celebra agora, mas depois passa anos sem política consistente”, observa.

Na avaliação do professor, a inexistência de uma indústria cinematográfica sólida impede que o audiovisual se transforme em geração contínua de emprego, renda e circulação cultural. Sem política de Estado, diz, o cinema acaba acompanhando a instabilidade da economia e da política nacional.

Oscar, mercado e fetiche

Lisandro também relativiza o peso simbólico do Oscar no debate sobre cinema brasileiro. Para ele, a premiação está mais associada ao mercado do que à estética. “O Oscar é uma festa da indústria do cinema americano. O que pesa ali é marketing, dinheiro e lobby”, afirma.

Ainda assim, ele reconhece que estratégias de distribuição e campanhas bem estruturadas são fundamentais para que filmes brasileiros consigam circular internacionalmente. “Não basta fazer um filme bom. Sem distribuição, ele não existe”, resume.

Financiamento da cultura e debate raso

O financiamento público da cultura é outro tema abordado na conversa. Lisandro critica o debate superficial em torno da Lei Rouanet e afirma que a cultura costuma ser tratada como bode expiatório. “Todo país do mundo financia cultura. O problema do Brasil não é o financiamento, é a falta de debate sério sobre critérios”, diz.

Segundo ele, enquanto a cultura é atacada, outros subsídios econômicos deixam de ser questionados. “Atacam a cultura, que é o primo pobre, mas não discutem subsídios para bancos, indústria ou agronegócio”, afirma.

Cinema e eleições

Ao relacionar cinema e eleições, Lisandro afirma que o audiovisual não decide votos, mas ajuda a compreender o ambiente simbólico em que a disputa política ocorre. Para ele, filmes funcionam como instrumentos de leitura do país. “O cinema não explica uma eleição sozinho, mas ajuda a entender o contexto social, histórico e cultural em que ela acontece”, diz. O episódio do Domingos Conversa com Lisandro Nogueira está disponível na TV Capital, nas plataformas de podcast e no site domingosketelbey.com.br.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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