Senador do PSD falou ao Domingos Conversa sobre eleição de 2026, disputa ao Senado, Pix, emendas parlamentares, escala 6x1 e bastidores de Brasília
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O senador Vanderlan Cardoso (PSD) defendeu uma aliança entre Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) na disputa pela Presidência da República em 2026. Em entrevista ao Domingos Conversa, exibida nesta segunda-feira (15), às 21h30, na TV Capital, no YouTube e nos tocadores de podcast, o parlamentar afirmou que uma composição entre os dois pré-candidatos poderia ocupar o espaço de eleitores que rejeitam tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a família Bolsonaro.
“Eu torço que Caiado vá e Zema de vice”, afirmou Vanderlan. Para o senador, há um vácuo eleitoral aberto no campo da centro-direita. “A maioria não quer nem o presidente Lula e nem quer a família Bolsonaro. Então tem um vácuo aí para essa outra candidatura”, disse.
Vanderlan também avaliou que, se chegar ao segundo turno, Caiado teria condições de vencer a eleição presidencial. “Eu aposto muito numa surpresa agradável, que o nosso governador pegue essa opção da direita, dos descontentes que não querem nem um nem outro. Se for para o segundo turno, eu acho que ganha”, afirmou.
Crítica aos filhos de Bolsonaro
Durante a entrevista, Vanderlan fez críticas à postura de integrantes da família Bolsonaro diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos contra o Brasil. O senador citou Eduardo Bolsonaro ao comentar declarações favoráveis a sanções e sobretaxas contra produtos brasileiros.
“Contribui, sim. Não sou eu que estou falando, não. O próprio Eduardo falou isso quando houve as taxações contra o Brasil. Ele parabenizou, aplaudiu”, disse.
Vanderlan afirmou que não considera aceitável ver brasileiros comemorando medidas que possam atingir empresas, produtores e trabalhadores do país. “Eu não aplaudo nunca isso. Eu não posso. Como gerador de emprego e renda, que colabora com esse país, esse tipo de atitude não é louvável. Não é uma atitude republicana, não é uma atitude de quem diz que gosta do nosso país”, declarou.
No bate-bola final, o senador também foi questionado sobre Flávio Bolsonaro. “Para mim, com tudo isso que está acontecendo aí, ele ainda não deu uma explicação que a gente acredite nele”, respondeu.
Lula e segurança pública
Vanderlan também cobrou o governo Lula na área da segurança pública. Ao comentar a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos, o senador afirmou que o Brasil deveria ter tomado a iniciativa antes.
Ele defendeu que PCC, Comando Vermelho e milícias sejam enquadrados como organizações terroristas. “Eu incluiria ali os milicianos também. PCC, Comando Vermelho, os milicianos, como terroristas, que praticam o terrorismo”, afirmou.
Questionado se o governo federal tem sido negligente no enfrentamento ao crime organizado, Vanderlan respondeu: “Tem sido, sim. Nós não podemos passar a mão na cabeça de ninguém.”
O senador disse ainda que o Brasil virou rota estratégica do tráfico internacional. “O Brasil hoje não é um grande produtor de drogas ilícitas, mas aqui é um grande ponto estratégico. Está saindo em cargueiros com toneladas e toneladas de cocaína”, afirmou.
Pix e Banco Central
Vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Vanderlan também falou sobre a proposta que dá autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central e blinda o Pix contra descontinuidade ou cobrança.
Segundo ele, o projeto não deve ser tratado como pauta de governo ou de partido. “Não era um projeto de partido, era um projeto de país”, afirmou.
Vanderlan disse que a proposta busca proteger um sistema que se tornou central na vida dos brasileiros. “Nós conseguimos aprovar, colocando o Pix no projeto de emenda à Constituição, que não pode ser mexido, não pode ser transferido e não pode ser cobrado”, declarou.
O senador afirmou ainda que o Banco Central precisa de estrutura para fiscalizar fintechs, bancos e novas operações financeiras. “Se nós não aprovarmos esse projeto, o Banco Central vai colapsar”, disse.
Emendas Pix
Outro ponto da entrevista foi o projeto de Vanderlan que trata das chamadas emendas Pix. O senador afirmou que as transferências especiais viraram “uma festa de desvio de recursos” por falta de fiscalização.
“Se o parlamentar coloca uma emenda para construir uma ponte, ela não pode ser usada para fazer shows. Tem que construir a ponte, prestar conta e assim por diante”, afirmou.
Segundo Vanderlan, o projeto foi apresentado antes de decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o tema. “Nós apresentamos um projeto muito antes do ministro Flávio Dino barrar isso no Supremo Tribunal Federal”, disse.
Escala 6x1
Vanderlan também comentou a proposta que trata do fim da escala 6x1. O senador disse que o tema deve ser analisado com “maturidade” pelo Senado e defendeu a possibilidade de contratação por hora como alternativa para trabalhadores e empresas.
“Eu pretendo apresentar essa emenda. Dá a oportunidade também para ser por hora, a contratação por hora”, afirmou.
O senador disse que fez uma consulta com funcionários de suas empresas e que 87% se mostraram favoráveis à mudança. Ainda assim, afirmou que é preciso avaliar o impacto sobre os empregadores. “Como é que vai ser esse custo? Quem vai pagar? E as empresas que vão arcar com isso?”, questionou.
Vanderlan citou sua experiência empresarial nos Estados Unidos para defender a contratação por hora. “Eu tive empresa nos Estados Unidos durante sete anos. Não estou falando porque me falaram. Funcionava muito bem”, disse.
Senado em Goiás
Na parte estadual da entrevista, Vanderlan falou sobre a disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026. Pré-candidato à reeleição, ele disse que não pretende escolher adversários nem pressionar outros nomes a recuar.
“Eu não vou ficar escolhendo adversários políticos, de hipótese alguma. Nem vou colocar o governador Daniel Vilela em situação constrangedora”, afirmou.
Apesar disso, Vanderlan admitiu que a multiplicação de candidaturas na base governista pode dificultar a disputa. “Essa quantidade de candidaturas da base prejudica. Inclusive a primeira-dama, ex-primeira-dama Gracinha Caiado. Prejudica a todos. O eleitor fica um pouco confuso com relação a isso”, disse.
O senador afirmou que nenhuma eleição está definida antes da urna. “Não existe candidatura ganha nem perdida antes de eleição. Eu sou prova disso”, declarou.
Vanderlan citou a própria vitória ao Senado em 2018 e a eleição municipal de Goiânia em 2024 como exemplos de disputas em que o cenário mudou ao longo da campanha. “Toda eleição tem margem para surpresa”, afirmou.
Vice de Daniel Vilela
O senador também comentou a escolha do vice na chapa de Daniel Vilela ao governo de Goiás. Vanderlan citou Luiz do Carmo, José Mário Schreiner, Paulo do Vale, Sérgio Silveira, Adriano Rocha Lima e outros nomes como opções competitivas.
“O Luiz do Carmo é um excelente nome. Todos eles são. Eu tenho muita afinidade com o Luiz, por ser membro da igreja e tudo mais. Mas acho que todos eles, a decisão no momento certo virá”, disse.
Para Vanderlan, qualquer nome escolhido deverá agregar ao projeto de Daniel. “Qualquer um deles que Daniel Vilela tiver como vice vai ajudar bastante o nosso Estado”, afirmou.
O episódio completo do Domingos Conversa com Vanderlan Cardoso está disponível no YouTube, na TV Capital e nos principais tocadores de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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