Deputada defende divulgação nas escolas de plataforma que reúne caminhos de proteção para mulheres em 21 municípios da Grande Goiânia
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Política
A deputada federal Delegada Adriana Accorsi afirmou que a cultura “red pill” chegou às salas de aula e tem transformado professoras e alunas em alvos de intimidação, desrespeito e deslegitimação.
A declaração foi feita nesta terça-feira (25), durante o lançamento da Rede Conecta, plataforma que reúne informações sobre serviços, canais de denúncia e coletivos destinados a mulheres em situação de violência nos 21 municípios da Região Metropolitana de Goiânia.
Segundo Accorsi, "alunos influenciados por discursos masculinistas que circulam, principalmente nas redes sociais, reforçam ideias de superioridade masculina e ataques ao feminismo, reproduzindo episódios de agressividade verbal, ironias, sexualização e comportamentos misóginos".
A deputada anunciou que pretende integrar a Rede Conecta e sugeriu que a plataforma seja divulgada nas escolas, especialmente entre estudantes do ensino médio. De acordo com ela, palestras realizadas em unidades de ensino evidenciaram que muitas jovens sofrem violência, mas não conhecem os caminhos disponíveis para buscar proteção.
Accorsi é autora do Projeto de Lei 6.039/2025, que propõe a inclusão obrigatória de conteúdos e atividades sobre prevenção à misoginia e promoção da equidade de gênero nos currículos da Educação Básica das redes pública e privada.
A parlamentar argumenta que meninos não nascem odiando mulheres, mas podem aprender comportamentos violentos no convívio social e digital. Para ela, o enfrentamento desses discursos também deve ocorrer por meio da conscientização desde a infância.
Rede começa com 145 registros
Desenvolvida pela Associação Cultura, Cidade e Arte (ACCA), a Rede Conecta organiza informações sobre serviços públicos, instituições e coletivos ligados à saúde, à Justiça, à assistência social, ao acolhimento, à orientação e à autonomia econômica.
A plataforma começou a funcionar com 145 registros. O levantamento apresentado pela organização indica que 20 dos 21 municípios não possuíam serviço acionável de proteção e abrigo. O mesmo número não tinha iniciativa mapeada de autonomia econômica, enquanto 11 cidades não contavam com atendimento especializado. Os dados serão atualizados conforme novos serviços e iniciativas forem identificados e incluídos.
Segundo a pesquisadora Márcia Cristina Hizim Pelá, porta-voz institucional da ACCA, o objetivo é organizar informações e redes de confiança para transformar direitos formais em caminhos concretos de proteção e autonomia.
Segurança pública
Durante o evento, Accorsi também defendeu a qualificação dos profissionais da segurança pública responsáveis pelo atendimento a mulheres em situação de violência.
A deputada citou casos ocorridos no interior do Estado e em Águas Lindas de Goiás para sustentar que ainda existem falhas entre a denúncia e a proteção efetiva das vítimas. "É inadmissível uma coisa dessa acontecer hoje em dia", desabafou.
Accorsi é autora de 24 projetos de lei ligados à prevenção e ao combate à violência de gênero.
Relatórios de sua autoria aprovados em comissões da Câmara determinam que agressores paguem pelos custos das tornozeleiras eletrônicas e que as forças policiais conduzam vítima e suspeito à delegacia quando a denúncia for apresentada por terceiros, mesmo diante de recusa inicial da mulher em depor.
A parlamentar também apresentou propostas voltadas à geração de empregos para vítimas de violência, à criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher em municípios pequenos e à garantia de recursos para os Centros de Referência de Atendimento à Mulher.
A Rede Conecta pode ser acessada gratuitamente pelo endereço redeconecta.org.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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