Tecnologia já consolidada em cirurgias de próstata e rins começa a ser utilizada também em operações mais complexas e menos frequentes
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A cirurgia robótica, já utilizada de forma mais ampla em procedimentos de próstata e rins, começa a avançar também para operações urológicas menos frequentes em Goiânia.
No Hospital Mater Dei Goiânia, um dos procedimentos realizados recentemente foi uma linfadenectomia inguinal bilateral robótica, cirurgia que consiste na retirada de linfonodos das duas regiões da virilha.
O procedimento foi conduzido pelo urologista Fernando Leão e marcou a primeira utilização da plataforma robótica nessa região anatômica dentro da unidade.
Tecnologia amplia possibilidades
Embora a técnica já seja utilizada em outros países e existam experiências no Brasil, a abordagem robótica ainda é menos comum nesse tipo de cirurgia.
Segundo Fernando Leão, o avanço mostra uma expansão do uso da tecnologia dentro da urologia. “Estamos começando a sair daqueles procedimentos mais tradicionais da robótica, como próstata e rim, e levando a tecnologia para outras patologias e outros tipos de operação”, afirma.
A linfadenectomia inguinal pode ser indicada em situações específicas em que há necessidade de retirada dos linfonodos localizados na região da virilha.
Cirurgia exige precisão
A região é considerada delicada e pode apresentar complicações relacionadas à ferida operatória, como infecção, necrose da pele e formação de linfocele.
Na cirurgia robótica, o médico controla os instrumentos a partir de um console, com visão tridimensional e ampliada da área operada.
Segundo o urologista, a utilização da plataforma permite realizar o procedimento com incisões menores e maior precisão.
O paciente submetido à cirurgia apresentou boa evolução e recebeu alta hospitalar.
Próstata ajudou a consolidar tecnologia
A urologia foi uma das especialidades que mais incorporaram a cirurgia robótica nos últimos anos, especialmente em operações relacionadas ao câncer de próstata.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028.
Para 2026, são estimados 2.610 novos casos em Goiás e 670 em Goiânia.
Esse volume ajudou a consolidar a utilização da robótica na especialidade. Agora, com o amadurecimento das equipes e das plataformas, outros procedimentos passam a ser incorporados.
Uso deve avançar para outras áreas
O coordenador de Urologia Robótica do Hospital Mater Dei Goiânia, João Pedro Nunes, afirma que a ampliação das indicações faz parte da evolução da tecnologia. “A urologia foi uma das especialidades que mais incorporaram a cirurgia robótica. Começamos principalmente pelas cirurgias de próstata, depois avançamos para rins, reconstruções do trato urinário e outros procedimentos oncológicos”, explica.
No Hospital Mater Dei Goiânia, o programa de cirurgia robótica começou em outubro e já contempla procedimentos urológicos, cirurgias de hérnia, ginecológicas e para tratamento de endometriose.
A previsão é ampliar gradualmente o uso da plataforma para cirurgias torácicas, colorretais e do aparelho digestivo.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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