Pablo Cid Bember (Foto: Divulgação)

Pablo Cid Bember (Foto: Divulgação)

Pablo Cid Bember (Foto: Divulgação)

Pablo Cid Bember (Foto: Divulgação)

Césio-137 e até som da coleta seletiva viram música em concerto nesta quinta (03) em Goiânia

Césio-137 e até som da coleta seletiva viram música em concerto nesta quinta (03) em Goiânia

Filarmônica de Goiás estreia obra do compositor Pablo Cid Bember inspirada na tragédia de 1987 e em sons que fazem parte do cotidiano da capital

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Cultura

Um dos episódios mais dolorosos da história de Goiânia e um som conhecido por quem vive na capital estarão juntos no palco nesta quinta-feira (3). A Orquestra Filarmônica de Goiás estreia a Suíte nº 3, “Goiânia”, composição do violinista e compositor Pablo Cid Bember, de 29 anos.

A obra tem como inspiração dois elementos ligados à cidade: o toque reproduzido pelos caminhões da coleta seletiva e o acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em setembro de 1987.

A apresentação será realizada no Teatro Escola Basileu França e integra a temporada 2026 Natureza e Sons da Filarmônica, sob regência do maestro Neil Thomson.

Um som conhecido dos goianienses

Para construir a suíte, Bember partiu da melodia criada pelo músico Olemir Candido de Freitas e utilizada desde 2008 nos caminhões responsáveis pela coleta seletiva.

O compositor transformou esse elemento cotidiano em matéria-prima para uma obra orquestral. “Trago, por meio de texturas, melodias e contrapontos, paisagens sonoras que dialogam com a realidade do dia a dia goianiense”, explica Bember.

A proposta transforma um som presente nas ruas da cidade em representação musical de Goiânia, mas a composição também estabelece uma conexão com um episódio muito mais dramático da história da capital.

Césio-137 também inspira composição


A estreia acontece justamente em setembro, mês em que o acidente radiológico com o Césio-137 completa 39 anos.

A relação entre a coleta seletiva e a tragédia não é apenas simbólica. Em 1987, o material radioativo foi encontrado dentro de um aparelho de radioterapia abandonado. O equipamento acabou sendo manuseado por catadores de materiais recicláveis, dando início ao episódio que marcou definitivamente a história de Goiânia. A partir dessa conexão, Bember utiliza a música para colocar em diálogo memória e cotidiano.

A apresentação acontece poucos dias depois de Goiânia avançar também na preservação institucional dessa história. A capital terá um Memorial e Museu do Césio-137, após a sanção da lei que cria o espaço dedicado à memória do acidente e de suas vítimas.

Quem é Pablo Cid Bember

Natural de Bauru, no interior de São Paulo, Pablo Cid Bember é bacharel em Composição Musical pela Universidade Federal de Pelotas e faz pós-graduação em Gestão Cultural pela Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Aos 29 anos, já passou pela Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, onde atuou como monitor e arranjador, e também desenvolveu trabalhos com a Orquestra Sinfônica de Goiânia e a Filarmônica de Goiás.

Atualmente, Bember trabalha como arquivista da própria Filarmônica, que agora leva ao palco uma composição criada por ele a partir das referências sonoras e históricas da capital.

A estreia da Suíte nº 3, “Goiânia” será nesta quinta-feira (3), no Teatro Escola Basileu França, com regência de Neil Thomson.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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