Programa de alfabetização chega a Goiás e reúne jovens, adultos e idosos que buscam autonomia para atividades básicas do cotidiano
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O Brasil reduziu a taxa de analfabetismo da população com 15 anos ou mais para 4,9% em 2025, primeira vez que o indicador ficou abaixo de 5% na série recente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Apesar do avanço, 8,4 milhões de brasileiros ainda não sabiam ler e escrever, segundo o IBGE.
A redução do analfabetismo formal também não encerra outro desafio educacional: garantir que quem aprende a ler e escrever consiga usar essas habilidades com autonomia no cotidiano, seja para compreender documentos, acessar serviços, acompanhar informações ou participar de atividades profissionais.
Programa chega a seis estados
Nesse cenário, uma parceria entre o Instituto Equatorial e o Instituto Yduqs ampliou em 2026 o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos para Maranhão, Pará, Amapá, Piauí, Goiás e Alagoas.
Criada em 2018, a iniciativa informa já ter atendido mais de 2 mil pessoas. O curso é gratuito, tem 120 horas distribuídas ao longo de quatro meses e utiliza situações do cotidiano como parte do processo de alfabetização.
Estudantes de Pedagogia da Estácio e da Wyden também participam como monitores, conciliando a formação acadêmica com a experiência em sala de aula.
Aos 81 anos, Vanda quer ler a Bíblia
Em Goiânia, uma das participantes é Vanda da Silva, de 81 anos. Ela começou a frequentar as aulas no Setor Central com um objetivo pessoal: conseguir ler a Bíblia sem depender de outras pessoas.
A busca por autonomia também inclui atividades cotidianas que exigem leitura. Segundo o programa, Vanda decidiu retomar os estudos após perder pessoas próximas que costumavam auxiliá-la nessas tarefas. “A dor no corpo não é maior do que a minha vontade de aprender. Cada aula é um passo, e eu não vou parar até conseguir ler sozinha”, afirma.
Educação além da infância
O caso expõe uma dimensão que permanece mesmo com a queda das taxas nacionais: pessoas que ficaram fora da escola durante a infância ou interromperam os estudos continuam demandando políticas e projetos de educação ao longo da vida.
Além da leitura e da escrita, a alfabetização pode ampliar acesso a serviços públicos, mercado de trabalho, informação e participação social.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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