Ex-governador rebateu discurso de “achismo” sobre imunização e recuperou posição que já havia adotado durante a pandemia
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Política
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) deu uma bronca pública em um podcast de direita ao defender a vacinação e rebater questionamentos sem base científica contra imunizantes. Médico, Caiado afirmou que vacina prevista em calendário oficial não pode ser tratada como opinião de bancada.
A fala ocorreu durante participação no Iron Talks, apresentado pelo médico Felipe Sestrato. No trecho que passou a circular nas redes, Sestrato defende que é preciso manter “a mente aberta para questionar”. Caiado reage e enquadra a discussão no campo da ciência, não do palpite.
“Se está no calendário, se existe um estudo científico. Você pode questionar o que quiser, mas não pode impedir uma criança de ser salva amanhã. Então, deixa vacinar. Você está cometendo um erro”, afirmou o ex-governador. Em seguida, completou: “Esses fundamentos de achismo não é ciência”.
A bronca chama atenção porque Caiado tenta se consolidar como presidenciável de direita em 2026, mas não aderiu ao discurso antivacina que ganhou espaço em parte do bolsonarismo durante a pandemia. No episódio, prevaleceu o Caiado médico sobre o Caiado candidato.
Também não foi a primeira vez que ele se posicionou a favor da vacinação. Em janeiro de 2021, ainda como governador de Goiás, Caiado aplicou a primeira dose da CoronaVac no Estado e afirmou que “a ciência mostrou a sua capacidade de superar etapas” ao viabilizar vacinas contra a Covid-19 em tempo recorde.
Meses depois, em abril de 2021, ao receber a segunda dose da CoronaVac, Caiado voltou a defender a ampliação da imunização e disse que a preocupação era avançar “o máximo possível” na vacinação, diante do risco de uma nova onda da doença.
O episódio também recupera uma marca da atuação de Caiado no início da pandemia. Em entrevista ao Roda Viva, em abril de 2020, ele condenou a politização da saúde e afirmou que, em 44 anos como médico, nunca havia visto embate semelhante em torno de uma crise sanitária. Ele chegou a entrar em atrito com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e parcela significativa da militância bolsonarista por conta do assunto.
Há, porém, uma ressalva política a ser feita. A defesa da vacina por Caiado conviveu, em Goiás, com resistência à vacinação compulsória. Em 2021, ele sancionou lei que impedia a aplicação obrigatória da vacina contra Covid-19 no Estado. A diferença é central: Caiado se colocou contra a obrigatoriedade, mas não contra a vacina.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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