
A segunda rodada do especial de Copa sai do empate ruim com o Marrocos e termina discutindo vício em apostas e a camisa amarela como objeto de disputa política
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O Domingos Conversa na Copa já tem segundo episódio no ar. De novo na mesa do Gercina Bar, no Setor Sul de Goiânia, Domingos Ketelbey recebeu o advogado e conselheiro do Goiás Esporte Clube Michel Magul e o professor de História Tiago Zancopé para uma conversa que começou no desempenho do Brasil na Copa de 2026 e foi parar na cultura, na geopolítica e nas apostas esportivas.
O formato segue o da estreia: papo de torcedor, gravado entre uma gelada e outra, mas com o futebol sempre conversando com política, economia e história. Desta vez, com o Brasil já classificado às oitavas, a régua subiu.
O Brasil de Ancelotti e o brilho de Vini Jr
A mesa avaliou que empatar na primeira fase não é problema, já que o Brasil foi campeão em 1994 mesmo tropeçando, mas que a forma do empate com o Marrocos acendeu o alerta. Primeiro tempo dominado, jogadores abaixo e a lateral direita improvisada até a entrada de Danilo. De lá para cá, a leitura foi de um time que cresceu rumo ao mata-mata, com Vini Jr puxando a fila. "O Vini tá carregando essa seleção nas costas", resumiu Zancopé. Os dois também rebateram a implicância com a nacionalidade de Carlo Ancelotti, lembrando que o Brasil sempre exportou técnicos e jogadores e que pouco mais de um ano de trabalho é tempo curto para cobrança.
Neymar e a nova geração
Neymar virou capítulo à parte. Os convidados reconheceram o peso da sua liderança, mas também o limite físico depois das lesões, numa espécie de última dança do camisa 10. O contraponto veio da garotada tratada como a fome que empurra o time, com Matheus Cunha, Endrick e Rayan. Matheus Cunha foi o mais elogiado, por recolocar o camisa 9 brasileiro na conta dos gols.
As 48 seleções e o mundo que torce pelo Brasil
Michel e Tiago admitiram que torciam o nariz para o formato de 48 seleções e mudaram de ideia diante dos jogos da primeira fase e de zebras como o Equador batendo a Alemanha. Para eles, a Copa ficou mais democrática sem perder a disputa. A conversa puxou ainda o futebol como fenômeno de migração e identidade, com jogadores que defendem países onde nem nasceram, e as razões que fazem o mundo torcer pelo Brasil, do Líbano, que tem uma das maiores colônias brasileiras, ao Haiti do jogo da paz. No meio do caminho, sobrou espaço para Pier Paolo Pasolini e seu texto sobre Brasil e Itália, e para a influência dos animes japoneses na paixão pela bola.
Bets e a camisa amarela
Os dois debates mais fora das quatro linhas fecharam o episódio. O primeiro, a explosão das bets, tratada como caso de saúde pública, com comparação à política antitabagismo e alerta para o endividamento das famílias e a pressão sobre quem assiste aos jogos. O segundo, a camisa amarela da seleção, que segundo a mesa ficou impregnada pela disputa política no Brasil, algo que não se vê na relação de outros povos com seus mantos.
O segundo episódio do Domingos Conversa na Copa já está disponível no YouTube e nos tocadores de podcast. O programa é uma produção DK Jornalismo.
CRÉDITOS
Apresentação e roteiro: Domingos Ketelbey
Edição, mixagem e design: Lucas Coqueiro
Styling: Tainara Maia
Foto: Lucas Coqueiro
Trilha: Starostin

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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