Zé Mario (Foto: Reprodução)

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Zé Mário vê candidatura de Caiado a presidência “fortalecida” e diz que “não foge da raia” sobre ser vice de Daniel

Zé Mário vê candidatura de Caiado a presidência “fortalecida” e diz que “não foge da raia” sobre ser vice de Daniel

Presidente da Faeg nega movimento formal para vice, mas admite disposição para assumir missão

18 de dezembro de 2025 às 07:50

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Política

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, avalia que a eleição de 2026 já está colocada no centro do debate político nacional e estadual. Para ele, o cenário presidencial passa por mudanças profundas com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o reposicionamento das forças da direita.

Ainda assim, Schreiner vê a pré-candidatura presidencial do governador Ronaldo Caiado (UB) fortalecida com a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no xadrez político, enquanto em Goiás a disputa pelo governo começa a ganhar contornos mais claros.

Em entrevista exclusiva ao Blog do DK, Schreiner afirma que o governador Ronaldo Caiado construiu, ao longo dos últimos anos, o caminho para a sucessão estadual ao consolidar o nome do vice-governador Daniel Vilela (MDB) como pré-candidato.

Do outro lado, aponta o ex-governador Marconi Perillo como o principal adversário no momento, ainda que ressalte o desgaste político acumulado pelo tucano após derrotas recentes e vê o senador Wilder Morais (PL), correndo por fora da disputa. “É um senador da República, representa o maior partido do estado, tem toda a prerrogativa e condição de ser candidato e um player importante, mas a demonstração pública ainda é baixa”, salientou.

O dirigente também chama atenção para a diversidade interna do agro goiano e rejeita a ideia de que o setor se comporte como um bloco homogêneo nas eleições. De acordo com ele, há realidades muito distintas entre grandes produtores, médios, pequenos e a agricultura familiar, o que dificulta generalizações políticas.

Questionado sobre a corrida pela vaga de vice na chapa governista, Schreiner diz que não existe uma pré-candidatura formal e afirma que qualquer definição dependerá da convergência de forças políticas.

Leia abaixo a entrevista completa de José Mário Schreiner ao Blog do DK:

Leia abaixo a entrevista completa de José Mário Schreiner, ao Blog do DK


Domingos Ketelbey: Presidente da Faeg, José Mário Schreiner. Mário também está entrando no ano político. Qual a perspectiva do senhor para 2026?

José Mário Schreiner: Nós sabemos que 2026 vai ser um ano de um debate político muito grande no Brasil, principalmente. Nós temos as eleições presidenciais que já estão na pauta e, sem dúvida nenhuma, um debate bastante profundo em relação a quem seria candidato. Os cenários, com a inelegibilidade do presidente Bolsonaro, mudam bastante. Agora, claro, com o lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro também, isso leva a um reposicionamento de grande parte daqueles que ele pretendia conquistar.

Domingos Ketelbey: Quais são as suas pretensões? Como é que o senhor vê todo esse cenário agora em Goiás?

José Mário Schreiner: O estado não é diferente. Aqui nós temos um cenário mais bem delineado. O governador Ronaldo Caiado tem o seu candidato, que é o vice-governador Daniel Vilela. Ele já vinha falando isso desde a época em que trouxe o Daniel para essa composição política. É claro que o Daniel também tem se colocado como pré-candidato ao governo. Temos, por outro lado, o ex-governador Marconi Perillo, que tem se movimentado muito, tanto na capital quanto no interior, com vários segmentos.

Domingos Ketelbey: Acredita que a candidatura do senador Wilder ao Governo vai vingar?

José Mário Schreiner: Tem horas que parece que vai, tem horas que parece que não vai. Ele fala que em abril vai se movimentar. É um senador da República, representa o maior partido do estado, tem toda a prerrogativa e condição de ser candidato e um player importante, mas a demonstração pública ainda é baixa.

Domingos Ketelbey: Hoje, então, o principal adversário da máquina, que vai ser o Daniel Vilela, seria o ex-governador Marconi Perillo?

José Mário Schreiner: Hoje sim, no momento seria sim.

Domingos Ketelbey: Ele parece ter uma simpatia muito grande pelo agro, tem setores do agro que nutrem uma simpatia pelo Marconi...

José Mário Schreiner: Isso é muito difuso. Quando você fala em agro, precisa segmentar. O agro é muito heterogêneo. Tem o agro dos grandes produtores, da média produção, da pequena propriedade, da agricultura familiar. Muitas vezes as pessoas enxergam só o agro da colheitadeira guiada por GPS, mas existe um outro agro, aquele atrás do morro, que tem uma importância muito grande e impacta muito o interior do estado.

Domingos Ketelbey: Então, hoje, a polarização é contra Daniel?

José Mário Schreiner: Se o Wilder não se movimentar, é Marconi contra Daniel, sem dúvida.

Domingos Ketelbey: O PT, de certa forma, tem uma força, mas não suficiente para a chapa?

José Mário Schreiner: Não existe uma tradição de votação expressiva do PT no estado. A gente vê isso pela quantidade de prefeituras: são três no estado de Goiás. Ele tem mais concentração na capital, mas não tem esse enraizamento orgânico no estado. A esquerda propriamente dita, ainda não tem uma definição, comenta-se na Adriana Accorsi, do próprio Edward Madureira, que é um bom quadro foi reitor da universidade, foi professor e diretor da Escola de Agronomia, a pessoa que tem aí já concorreu a deputado federal, uma pessoa que tem um bom conhecimento. 

Domingos Ketelbey: Parece que existe uma corrida para vice do Daniel. Fala-se no nome do senhor. Como o senhor vê isso?

José Mário Schreiner: Não existe uma pré-candidatura a vice. Criou-se essa figura. Eu continuo conversando com quem sempre conversei. Comenta-se essa possibilidade, mas quem vai decidir é a convergência de forças, a participação do governador e a vontade da população. Eu nunca fui de correr a raia. Se as pessoas acreditarem, confiarem e a população enxergar que é viável, a gente tem que estar pronto para encarar uma missão sempre com cabeça erguida.

Domingos Ketelbey: Se o senhor fosse convidado lá na frente, estaria preparado?

José Mário Schreiner: Depende dessas escolhas e de os nossos pares entenderem que é esse o momento. Sem vontade pessoal. A pessoa não pode ser candidata dela mesma.

Domingos Ketelbey: O agro seria importante nessa configuração?

José Mário Schreiner: O agro tem uma representatividade muito forte do ponto de vista econômico. O trabalho da Faeg, do Senar e do Sebrae alcança micro e pequenas empresas, são centenas de milhares no estado. Existe força, existe representatividade, mas isso depende da convergência de forças, não de vontade individual.

Domingos Ketelbey: O senhor começou falando sobre o cenário presidencial. Nesse sentido, o governador Ronaldo Caiado lança uma pré-candidatura mesmo diante do apoio que o ex-presidente Jair Bolsonaro deu ao senador Flávio Bolsonaro. Hoje há duas candidaturas colocadas no campo da direita. O senhor vê essa pré-campanha do governador criando força?

José Mário Schreiner: Penso o seguinte: a decisão do presidente Bolsonaro, mesmo na condição em que ele se encontra, de apoiar o Flávio Bolsonaro, favorece o cenário, principalmente para o governador Ronaldo Caiado. Favorece em função do partido e das composições políticas. Existia aquela definição do Republicanos e, depois, a federação com o PP, e com isso surgiram reposicionamentos. Com o Flávio, há um certo repúdio de alguns setores, assim como ocorreu em relação ao governador Tarcísio. Isso acaba favorecendo o governador Ronaldo Caiado. Eu vejo o governador Caiado como pré-candidato em qualquer circunstância. Ele é pré-candidato independentemente desse cenário. E vejo também a possibilidade de uma boa performance. Ele tem experiência, é um pré-candidato extremamente preparado e maduro. Quem conhece o governador hoje sabe do ponto de maturidade política que ele alcançou e dos posicionamentos que ele assumiu ao longo do tempo. Essa aprovação elevada que ele tem em Goiás é legítima, porque foi construída. Estamos falando de uma aprovação próxima de 90%, o que demonstra um respaldo político importante. Isso não surge por acaso.

Domingos Ketelbey: Essa multiplicidade de candidaturas da centro-direita não acaba favorecendo a máquina e o presidente Lula?

José Mário Schreiner: Eu vejo como favorável haver mais de um candidato. Porque isso cria as condições para um segundo turno. Se você concorre com apenas um candidato da centro-direita, existe o risco de uma eleição de turno único, o que não seria interessante para o Brasil. Ter mais candidaturas amplia o debate. Essa multiplicidade, seja com o Flávio Bolsonaro, com a primeira-dama, com o governador Tarcísio, com o Ratinho Júnior ou com o próprio governador Caiado, tende a forçar um segundo turno. Isso é positivo porque amplia a discussão e cria a oportunidade de a direita disputar o governo do Brasil de forma mais consistente.



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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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