Pedido ao STF cita agravamento do quadro clínico do ex-presidente e afirma que custódia na PF passou a representar risco real à vida
7 de janeiro de 2026 às 20:20
·
Política
O senador Wilder Morais lidera uma articulação no Congresso para pedir ao Supremo Tribunal Federal a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O requerimento, que já reúne a assinatura de 25 senadores, será encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
A coleta de apoios começou na última terça-feira (6), após novos episódios que, de acordo com os parlamentares, agravaram o estado de saúde do ex-presidente. O texto sustenta que a custódia na Polícia Federal, em Brasília, tornou-se clinicamente incompatível diante de um quadro descrito como grave, complexo e progressivamente agravado.
No documento, os senadores listam enfermidades de natureza cardiovascular, digestiva, renal, respiratória e metabólica, muitas associadas às sequelas permanentes do atentado sofrido por Bolsonaro em 2018. O argumento central é que as condições exigem acompanhamento médico contínuo e resposta imediata a intercorrências, o que não estaria plenamente assegurado no regime atual.
O pedido menciona ainda episódios recorrentes de agravamento durante o período de custódia, alguns com risco concreto à vida. Entre eles, a queda sofrida pelo ex-presidente na sala onde cumpre pena, durante a madrugada, quando bateu a cabeça. O episódio é apresentado como um marco da urgência da medida humanitária.
Há também referência a soluços incoercíveis crônicos, condição registrada em prontuários médicos, que demanda intervenções frequentes e ajustes constantes de medicação. Para os signatários, a soma dos fatores transforma a prisão na PF em um ambiente de risco.
Como idealizador da iniciativa, Wilder Morais afirma que a sucessão de eventos desde o início da prisão “demonstra que a pena cumprida na PF passou a representar risco real à vida do presidente”. Para o parlamentar, a mudança para o regime domiciliar seria necessária para preservar “a saúde, a integridade e a própria existência” de Bolsonaro.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
Continue a leitura








