Petista derrota Flávio Bolsonaro, mas terá de negociar com oposição fortalecida no Congresso e governadores que apoiaram o adversário
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Política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reverteu a desvantagem do primeiro turno, venceu o senador Flávio Bolsonaro (PL) neste domingo (25) e conquistou seu quarto mandato. A recuperação assegura mais quatro anos no Planalto, mas deixa uma tarefa que a vitória presidencial não resolve: construir sustentação em um Congresso no qual o partido do adversário ampliou sua força.
Às 21h16, com 99,79% das seções totalizadas, o Tribunal Superior Eleitoral já classificava a eleição como matematicamente definida. Lula somava 64.092.177 votos, equivalentes a 51,76% dos válidos. Flávio tinha 59.734.450, ou 48,24%. A diferença ultrapassava 4,3 milhões de votos.
Lula começou o segundo turno atrás. Em 4 de outubro, recebeu 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio. Teve três semanas para recuperar terreno e conquistar eleitores que não o haviam escolhido. A vitória deste domingo inverteu aquela ordem e impediu o retorno da família Bolsonaro à Presidência.
Na reta final, o petista intensificou a mobilização digital e as manifestações de rua. Ao votar em São Bernardo do Campo, antes da apuração, agradeceu pelo apoio recebido. “Nunca vi nada igual”, afirmou. A votação confirmou a recuperação, embora o peso de cada movimento da campanha ainda dependa de análise dos dados.
A próxima negociação
O PL elegeu 19 senadores e terá 28 das 81 cadeiras a partir de 2027, considerando também os mandatos que continuam. Será a maior bancada da Casa, enquanto o PT ficará com nove integrantes. O partido de Flávio terá força para organizar a oposição, mas também dependerá de alianças para formar maioria.
Para Lula, o resultado aumenta a importância da negociação com o centro. A maioria conquistada na eleição presidencial não se transfere automaticamente para as votações do Congresso. As primeiras escolhas de equipe e prioridades mostrarão como o presidente pretende sustentar o novo mandato.
As promessas também passam a ser cobradas como compromissos de governo. Na campanha, Lula defendeu a ampliação do Pé-de-Meia, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais e o fim da escala 6x1. Agora, precisará apresentar mecanismos, financiamento e apoio político para executar sua agenda.
O efeito em Goiás
A reeleição mantém o governador Daniel Vilela (MDB) e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) diante de uma administração federal que trabalharam para derrotar. Ambos apoiaram Flávio no segundo turno. Daniel preserva a força de sua vitória estadual, conquistada com 59,17% dos votos válidos, mas iniciará o próximo mandato sem um aliado no Planalto.
Para Caiado, o desfecho encerra duas apostas nacionais frustradas: sua candidatura presidencial, que não chegou ao segundo turno, e o apoio ao senador do PL. O ex-governador mantém influência em Goiás, mas terá de reorganizar sua atuação fora do Executivo estadual e sem a perspectiva de um governo federal aliado.
Lula tomará posse em 5 de janeiro de 2027. Até lá, terá de transformar a recuperação eleitoral em acordos capazes de sustentar suas decisões. A quarta vitória amplia sua trajetória política. O próximo mandato será medido pela capacidade de responder às expectativas de quem o reelegeu e aos problemas que alimentaram o voto contra seu governo.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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