Vitória de Lula representaria a primeira reversão entre primeiro e segundo turnos desde 1989; eleição de Flávio levaria família Bolsonaro a concentrar cargos no Executivo e no Congresso
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O segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25) terminará com um marco inédito na história política recente do país. Se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer, será a primeira vez desde a implantação do sistema de dois turnos, em 1989, que um candidato à Presidência supera no segundo turno o adversário que terminou a primeira votação na liderança. Se Flávio Bolsonaro (PL) ganhar, a família Bolsonaro ampliará uma presença já significativa no Executivo e no Congresso Nacional.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença de 1,87 ponto percentual foi a menor já registrada entre os dois primeiros colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização.
Virada nunca ocorreu desde 1989
Desde a primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a disputa presidencial na rodada seguinte.
Sete eleições chegaram ao segundo turno entre 1989 e 2022, e em todas elas o candidato que liderou a primeira votação confirmou a vitória.
Uma vitória de Lula, portanto, quebraria uma sequência histórica de mais de três décadas.
O petista também alcançaria outro marco: seria eleito para exercer o quarto mandato como presidente da República.
Família Bolsonaro ampliaria presença no poder
Uma vitória de Flávio Bolsonaro também produziria uma configuração inédita na Nova República pela concentração de cargos eletivos nacionais entre integrantes de uma mesma família.
Além de Flávio na Presidência, Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado nas eleições deste ano. Jair Renan Bolsonaro conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados. Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, também foi eleito deputado federal.
Com Flávio no Palácio do Planalto, integrantes da família ocupariam simultaneamente a Presidência da República, duas cadeiras no Senado e postos na Câmara dos Deputados.
Primeiro turno teve diferença de 2,2 milhões de votos
Flávio recebeu 56.104.268 votos no primeiro turno.
Lula obteve 53.876.617.
A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos em um universo superior a 125 milhões de votos válidos.
O resultado colocou os dois candidatos em uma disputa muito mais apertada do que a observada no primeiro turno de 2022, quando Lula abriu vantagem de 5,23 pontos sobre Jair Bolsonaro.
Pesquisas apontaram empate técnico
As últimas pesquisas divulgadas antes da votação mantiveram o cenário indefinido.
Datafolha e Quaest registraram Flávio Bolsonaro com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, diferença dentro das respectivas margens de erro.
Outros levantamentos divulgados durante a última semana também apresentaram diferenças pequenas entre os candidatos.
As pesquisas retratam o momento em que as entrevistas foram realizadas e não representam previsão do resultado das urnas.
Disputa mobilizou ruas na reta final
A campanha ganhou intensidade nas três semanas entre os dois turnos.
Apoiadores de Lula e Flávio realizaram manifestações em diferentes capitais, enquanto as duas campanhas intensificaram agendas públicas, propaganda eleitoral e mobilização nas redes sociais.
Lula tentou recuperar a diferença registrada no primeiro turno, enquanto Flávio buscou preservar a vantagem obtida em 4 de outubro.
Resultado começa a ser conhecido após 17h
A votação termina às 17h, pelo horário de Brasília.
A totalização dos votos começa após o fechamento das urnas e poderá ser acompanhada pelos sistemas oficiais da Justiça Eleitoral.
Independentemente do vencedor, a eleição de 2026 entrará para a história: ou pela primeira virada presidencial entre os dois turnos desde a redemocratização ou pela ampliação inédita da presença de uma mesma família nos principais espaços do poder federal.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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