Adriana Accorsi quer duas mulheres na majoritária, mas aliados cobram espaço antes de fechar frente em Goiás
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Política
O PT adiou para quarta-feira (17) a reunião que pode começar a tirar do papel a chapa majoritária de Luís César Bueno em Goiás. O encontro com os partidos da Frente Democrática, antes previsto para esta semana, foi remarcado para as 9h30, na sede do Diretório Estadual. O motivo informado foi de ordem pessoal.
Na prática, a mudança empurra por mais dois dias uma conversa que o partido já não controla sozinho. Depois de escolher Luís César para disputar o Governo de Goiás, o PT precisa fazer algo mais difícil do que resolver sua própria briga interna: convencer os aliados de que haverá espaço real na chapa.
A mesa reúne PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT. Todos dizem defender um palanque para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado. Nem todos, porém, querem entrar na composição apenas para bater palma.
Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, a deputada federal Adriana Accorsi, presidente estadual do PT, reconheceu que a próxima etapa será decidir a engenharia da chapa. “Agora nós temos que, reunidos, decidir quem vai ser senador, quem vai ser suplente, quem vai ser vice”, afirmou.
Adriana tenta conduzir o processo com uma promessa de método. “O PT, a direção do PT, não vai impor nenhuma colocação. A gente quer discutir de forma muito democrática”, disse.
O discurso será testado na quarta. O PSOL, por exemplo, já avisou que pretende cobrar espaço. A presidente estadual da sigla, Cíntia Dias, disse à coluna Giro, de O Popular, que soube pela imprensa da escolha de Luís César e que a unidade do campo progressista é importante, mas “não a qualquer preço”.
O PDT também não está no automático. Presidente estadual da legenda, Kowalsky Ribeiro lançou seu nome ao Senado, mantém conversas com Luís César, Daniel Vilela e Marconi Perillo, e só descarta com mais ênfase o bolsonarismo de Wilder Morais. É aliado possível, não adesista.
Adriana sabe que a chapa precisará refletir essa disputa por espaço. Uma de suas apostas é dar protagonismo às mulheres na composição majoritária. À Tribuna, ela disse que pretende trabalhar para que a chapa tenha ao menos duas candidaturas femininas.
“O que eu gostaria e que eu vou tentar é que nessa chapa majoritária tenha pelo menos duas mulheres”, afirmou. Ela citou Isaura Lemos e Cíntia Dias como nomes “excelentes”, “experientes” e “qualificados” para a composição.
A presidente do PT, no entanto, não cravou onde cada uma poderia entrar. “As duas têm total capacidade de ocupar tanto o cargo de vice como de Senado. Então a gente vai conversar, ver a preferência dos partidos”, completou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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