Cristiano Cunha relata insegurança, desgaste político e cobra revisão da aliança
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Política
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O presidente estadual do PV, Cristiano Cunha, afirmou em entrevista exclusiva ao Blog do DK que a pressão interna do PT levou o deputado estadual Julio Pina a desistir da permanência no partido e elevou o tom ao admitir a que avalia a possibilidade jurídica de rompimento com a Federação Brasil da Esperança. "Espero que tenha sido o último embate, outros diretórios no Brasil também demonstram insatisfação. O PT quer todos os espaços", avalia. A declaração foi feita nesta quinta-feira (2).
De acordo Cunha, o movimento de saída foi consequência direta do ambiente criado dentro da federação nas últimas semanas, marcado por exposição pública e insegurança política. Parlamentares ligados ao PT já haviam pedido que a Federação vetasse à filiação do parlamentar. “O Julio, devido a essa pressão, já conversou comigo que, pela insegurança, ele não fica. Ele vai sair. Ele sentiu isso na base dele também”, afirmou.
O dirigente diz que chegou a atuar pessoalmente para tentar segurar o deputado, inclusive com respaldo jurídico, mas avalia que o desgaste ultrapassou o limite político. “Eu fiz um parecer como advogado, mostrei pra ele que havia respaldo jurídico para permanecer no PV, que a independência e a autonomia prevalecem. Mas o problema não era jurídico, era político. O desgaste foi muito grande”, disse.
Cunha atribui esse desgaste à estratégia adotada por lideranças do PT, que, segundo ele, passaram a sinalizar publicamente que a candidatura de Pina poderia ser barrada na convenção. “Eles ficaram a semana inteira indo pra imprensa, falando várias vezes por dia que iam cortar ele, que tinham maioria. Isso gera uma pressão psicológica enorme. O grupo dele começa a duvidar, a ficar inseguro”, afirmou.
Na avaliação do presidente do PV, a decisão de Julio Pina foi pragmática diante do risco eleitoral. “Eu falei pra ele: se for pra colocar a eleição em risco por causa de vaidade, não vale a pena. Eu, no lugar dele, também sairia”, disse.
Cunha sustenta que a saída do deputado fragiliza diretamente a capacidade eleitoral da federação, especialmente diante de perdas acumuladas em relação ao último pleito. “Sem o Julio, sem Luiz César Bueno e sem o Donizete, você tira mais de 40 mil votos da conta. O Julio ajudaria a recompor isso. Agora, sem ele, a tendência é cair. Pode diminuir pra duas cadeiras”, afirmou.
Ele também questiona a falta de reposição desses votos por parte dos demais partidos da federação. “Eu já vinha cobrando nomes do PT e do PCdoB pra saber quem ia repor essa votação. Até hoje não sei. Não apareceu essa lista”, disse.
O episódio levou Cunha a defender abertamente a saída do PV da federação, o que, segundo ele, já foi comunicado à direção nacional do partido. “Esse, pra mim, foi o último embate. Eu já estou pressionando o PV pra gente sair da federação. Não tem como crescer desse jeito”, afirmou.
Para o dirigente, o desgaste provocado pelo caso Julio Pina afeta diretamente a credibilidade da legenda. “Agora cai no descrédito. Como é que você traz um nome de peso sabendo que depois vai ter pressão, que vão falar que vai cortar na convenção? Isso aconteceu em 2024 e está acontecendo de novo agora”, disse.
Cunha ainda aponta falta de coesão interna como um dos principais entraves para a continuidade da aliança. “Não existe coesão. É o PT e o PCdoB puxando pra um lado e o PV puxando pro outro. Assim não dá pra construir nada junto”, afirmou.
Além do impasse proporcional, o presidente do PV também critica a indefinição da federação no campo majoritário para 2026. “Até agora não tem nome pro governo. A gente está no prazo e não apareceu ninguém. Isso também mostra a dificuldade que a federação está tendo”, disse.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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