Tecnologia responde por 76,2% das transações presenciais; pesquisa mostra que 73% dos brasileiros já utilizam a modalidade
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Economia
Encostar o cartão ou o celular na maquininha virou um hábito cada vez mais comum no comércio brasileiro. No primeiro semestre de 2026, os pagamentos por aproximação movimentaram R$ 1 trilhão (um trilhão de reais), crescimento de 18,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que divulgou o balanço do setor em agosto. A tecnologia utilizada nos pagamentos sem contato, já representa 76,2% das transações presenciais realizadas com cartões no país.
Três em cada quatro brasileiros já usam aproximação
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido da Abecs mostra que 73% dos brasileiros utilizam pagamentos por aproximação. Entre os usuários, 91% apontam a rapidez e a comodidade como os principais benefícios da tecnologia.
O cartão físico continua sendo o dispositivo mais utilizado, citado por 65% dos usuários. O celular aparece em seguida, com 41%, enquanto os relógios inteligentes são utilizados por 2%. Os percentuais não devem ser somados, pois uma mesma pessoa pode utilizar mais de um dispositivo.
A adesão também varia conforme a faixa etária. Entre os jovens de 18 a 24 anos, 86% utilizam a modalidade. O percentual é de 82% entre pessoas de 25 a 34 anos, 73% na faixa de 35 a 44 anos, 69% entre 45 e 59 anos e 60% entre brasileiros com 60 anos ou mais.
Maquininhas ajudam a impulsionar o crescimento
A expansão da infraestrutura de pagamentos é um dos fatores apontados pela Abecs para explicar o avanço. Segundo a entidade, praticamente todos os terminais de pagamento instalados no país já contam com a funcionalidade de aproximação. “Hoje quase 100% dos terminais de pagamento instalados contam com a funcionalidade de aproximação, e essa disponibilidade segue crescendo”, afirmou Giancarlo Greco, presidente da Abecs, durante a apresentação do balanço.
O crescimento acompanha uma mudança mais ampla no uso dos cartões. No primeiro semestre, as transações com cartões de crédito, débito e pré-pagos movimentaram R$ 2,3 trilhões (dois trilhões e trezentos bilhões de reais), alta de 8% em relação ao mesmo período de 2025. Foram 23,9 bilhões de transações, o equivalente a uma média de 133 milhões de pagamentos por dia.
Celular também vira maquininha
Outra tecnologia que avança é o chamado tap on phone, que permite transformar smartphones e tablets em terminais de pagamento. Segundo os dados apresentados pela Abecs, essa modalidade movimentou R$ 53,6 bilhões (cinquenta e três bilhões e seiscentos milhões de reais) no primeiro semestre, crescimento de 79,2% em um ano.
Desse total, R$ 50 bilhões (cinquenta bilhões de reais) foram movimentados em operações de crédito. A solução permite que estabelecimentos recebam pagamentos por aproximação diretamente em dispositivos compatíveis, sem a necessidade de uma maquininha tradicional.
E o Pix por aproximação?
Apesar do avanço dos cartões, o Pix por aproximação ainda possui participação pequena dentro do universo de transferências instantâneas. Dados do Banco Central citados na reportagem do Metrópoles indicam que a modalidade respondeu por cerca de 0,01% das transações e 0,02% do valor movimentado pelo Pix.
Entre os obstáculos apontados estão limitações tecnológicas, necessidade de integração com carteiras digitais e falta de familiaridade de consumidores e comerciantes com a ferramenta.
O cenário mostra que, embora diferentes tecnologias utilizem a aproximação, elas estão em estágios distintos de adoção. Nos cartões, o recurso já é predominante nas compras presenciais; no Pix, ainda representa uma parcela reduzida das operações.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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