Ato simbólico que reuniu Aava Santiago e o futuro ex-presidente do PSB em Goiás, Elias Vaz. Também participa da foto o deputado estadual Karlos Kabral (Foto: Divulgação)

Ato simbólico que reuniu Aava Santiago e o futuro ex-presidente do PSB em Goiás, Elias Vaz. Também participa da foto o deputado estadual Karlos Kabral (Foto: Divulgação)

Ato simbólico que reuniu Aava Santiago e o futuro ex-presidente do PSB em Goiás, Elias Vaz. Também participa da foto o deputado estadual Karlos Kabral (Foto: Divulgação)

Ato simbólico que reuniu Aava Santiago e o futuro ex-presidente do PSB em Goiás, Elias Vaz. Também participa da foto o deputado estadual Karlos Kabral (Foto: Divulgação)

Os detalhes por trás da filiação de Aava Santiago ao PSB

Os detalhes por trás da filiação de Aava Santiago ao PSB

Costura nacional e disputa pelo governo explicam a chegada de Aava ao comando do PSB em Goiás

7 de janeiro de 2026 às 11:40

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Política

Apesar de dirigentes do PSB sustentarem publicamente que as articulações para as chapas majoritárias de 2026 em Goiás estão em segundo plano e que a prioridade do partido é a montagem de chapas proporcionais para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados, os bastidores mostram que foi justamente a disputa pelo Palácio das Esmeraldas que levou a vereadora Aava Santiago ao comando estadual da legenda.

O Blog do DK apurou que a costura que resultou na filiação de Aava ao PSB foi conduzida de cima para baixo, com interlocução direta com a direção nacional do partido e quadros ligados ao vice-presidente Geraldo Alckmin, coincidentemente, também ex-tucano. O objetivo era claro: evitar que o PSB em Goiás fosse empurrado para um arranjo político dissociado da estratégia nacional e, ao mesmo tempo, garantir um palanque minimamente funcional para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

Até a mudança no comando, o PSB goiano era presidido pelo ex-deputado federal Elias Vaz, que integra um campo político ligado ao presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto. Esse grupo já havia sinalizado apoio ao vice-governador Daniel Vilela na disputa pelo governo do estado em 2026.

O problema, para a direção nacional do PSB, é que Daniel Vilela já deixou claro que não pretende e nem deseja contar com o apoio do PT ou de partidos ligados à Federação Brasil da Esperança. Caso esse desenho avançasse, o PSB em Goiás poderia acabar apoiando um projeto liderado pelo MDB, em oposição direta ao PT e ao governo Lula, configurando uma anomalia política difícil de sustentar para um partido que ocupa ministério e a vice-presidência da República.

Foi para bloquear esse cenário que a presidência estadual do PSB passou a ser tratada como peça central da negociação. A filiação de Aava não ocorreu para ocupar espaço lateral. Ela condicionou sua ida ao partido ao comando da legenda, assumindo a função de fiadora política de um novo arranjo em Goiás, alinhado ao campo governista nacional e incompatível com uma aliança formal com o MDB em oposição ao PT.

Com Aava à frente do PSB, no mínimo, esse caminho deixa de existir. Ainda que o partido evite, por ora, cravar posições sobre a chapa majoritária, a mudança no comando redefine os limites do jogo. O PSB passa a ter uma direção que não apenas mantém diálogo com o governo federal, mas que se declara publicamente comprometida com a construção de um palanque forte para Lula no estado.

A troca no comando também reorganiza o tabuleiro interno. Elias Vaz deixou a presidência sem confronto aberto, mas a mudança reflete a perda de centralidade de um campo político que poderia levar o partido a um alinhamento contraditório com sua estratégia nacional. A chegada de Aava concentra decisões, fecha portas e redefine prioridades.

Paralelamente, o movimento impôs pressão indireta sobre o ex-governador Marconi Perillo, presidente estadual do PSDB. A leitura em Brasília é que, mesmo fora da base formal do governo federal, Marconi não poderia se tornar um obstáculo à construção de uma frente ampla em Goiás. Na prática, nada impede que o tucano lidere esse processo no estado. Trata-se de um cenário que não será assumido publicamente agora, mas que começa a ser desenhado com a participação direta de Aava.

Outro ponto sensível da negociação envolve as ambições do PT em Goiás, que tende a abrir mão de candidatura própria ao governo para apoiar um nome capaz de abrir palanque a Lula no estado. Nos bastidores, petistas colocaram à mesa a reivindicação de protagonismo na chapa majoritária, incluindo a vaga de vice-governador e espaço na disputa ao Senado. Ainda que nada disso esteja formalizado, o debate existe e ajuda a explicar por que o comando do PSB em Goiás passou a ser tratado como peça-chave no xadrez político estadual.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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