Entre a memória de Iris Rezende e as fotografias de Jackson Rodrigues, ex-prefeito relativiza críticas, evita falar em retorno à política e resume a experiência no cargo
16 de dezembro de 2025 às 14:02
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Política
Rogério Cruz reapareceu nesta terça-feira (16) na Assembleia Legislativa não como ex-prefeito disposto a revisitar decisões ou defender a própria gestão, mas como personagem lateral de um rito maior. Estava ali para prestigiar a exposição de fotografias assinada pelo saudoso e talentoso fotojornalista Jackson Rodrigues, que foi vítima de uma pneumonia bacteriana e nos deixou em setembro de 2024. A exposição registra os últimos meses da administração de Iris Rezende, um político cuja biografia insiste em sobreviver ao tempo, às derrotas e até à morte. O cenário não poderia ser mais eloquente.
Antes dos discursos, Cruz falou um pouco com este repórter. Sob testemunha do filho do ex-vereador Paulo Magalhães, hoje auxiliar do prefeito Sandro Mabel (UB), foi questionado sobre a possibilidade de voltar à vida pública, preferiu o desvio elegante. “Estou tranquilo, aqui estou para prestigiar o legado de Iris Rezende e as belas fotografias de Jackson Rodrigues”, disse.
Em seguida, confrontado sobre as críticas que ainda recebe, optou por não individualizá-las. “Críticas às gestões passadas são normais. Quando o Mabel sair, daqui alguns anos, ele também vai ser criticado por um ou outro motivo. É normal da política. O poder passa, o mandato passa”, afirmou.
A frase, dita sem ensaio, carrega mais verdade do que talvez o próprio autor pretendesse. O poder passa, de fato. Passa rápido quando não se ancora em algo que sobreviva a ele. Passa quando se exerce de forma isolada, sem lastro político, sem narrativa, sem uma obra que resista à mudança do vento. Passa quando o cargo é maior que o personagem, e não o contrário.
O contraste com Iris Rezende, homenageado naquele mesmo espaço, é inevitável. Iris também perdeu eleições, deixou cargos e enfrentou críticas. Mas construiu algo que não se dissolveu com o fim do mandato. Seu nome permanece associado a uma ideia de cidade, de política e de presença pública que não depende mais do cargo. Mesmo em memória, ainda pauta eleições. Por isso, vira exposição. Por isso, vira legado.
Rogério Cruz ainda tentou encerrar o assunto com uma espécie de resposta silenciosa às críticas. “Quando eu cheguei aqui [na Alego], fui recebido com sorrisos. Pra mim, essa é a melhor resposta. Quando chego aos locais, sempre sou bem recepcionado. O resto, as críticas, fazem parte da política”, completou.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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