Tumores fora da pele são mais raros, mas podem ser agressivos e passar despercebidos nas fases iniciais; olho concentra 75% dos casos extracutâneos analisados
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O melanoma é normalmente associado ao câncer de pele, mas também pode aparecer em outras regiões do organismo, como olhos, mucosas da bocaórgãos dos sistemas genital e digestório.
Um levantamento divulgado pela Fundação do Câncer chama atenção para os chamados melanomas extracutâneos. Embora mais raros, esses tumores podem ser mais agressivos e apresentam risco de metástase.
O melanoma surge a partir dos melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina.
Olho concentra maioria dos casos
Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 casos de melanoma fora da pele no Brasil, segundo os dados analisados.
O olho foi a localização mais frequente, concentrando 75% das ocorrências. Em seguida aparecem órgãos genitais, com 12,8%, e o sistema digestório, com 8,2%.
Em uma análise mais ampla com 42.255 registros hospitalares, 92,2% eram melanomas de pele, 5,7% oculares e 2,5% de mucosa.
Sintomas podem passar despercebidos
O melanoma ocular preocupa porque pode não provocar sintomas em sua fase inicial.
Quando aparecem, os sinais podem incluir visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda da visão. Como essas alterações também podem ter outras causas, o diagnóstico pode ser retardado.
A Fundação do Câncer destaca a importância de exames regulares e da investigação de alterações persistentes.
Centro-Oeste enfrenta maior deslocamento
O estudo também encontrou dificuldades de acesso ao tratamento.
No Centro-Oeste, 20,2% dos pacientes precisaram se deslocar para outra localidade em busca de atendimento oncológico, o maior índice entre as regiões brasileiras. Para os pesquisadores, o resultado aponta um gargalo de acesso à assistência especializada.
Diagnóstico precoce melhora prognóstico
A cirurgia permanece como principal tratamento inicial para o melanoma de pele no país e representou 84,7% dos procedimentos registrados entre 2014 e 2023.
Nos casos avançados, imunoterapias ampliaram as possibilidades de tratamento, embora o custo e o acesso pelo SUS ainda sejam desafios.
O Instituto Nacional de Câncer estima 9.360 novos casos de melanoma de pele no Brasil em 2026.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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