Ex-governador reage a críticas, fala em “narrativas falsas”, reafirma projeto eleitoral e aponta erros do partido em 2022
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Entrevista
O ex-governador Marconi Perillo colocou o caso da consultoria ao Banco Master no centro do debate político, mas tratou de reduzir o impacto do tema sobre sua pré-candidatura ao governo de Goiás. De acordo ele, em entrevista exclusiva ao Blog do DK, não há irregularidade nos valores recebidos e o episódio tem sido explorado por adversários. O tucano também descartou qualquer aliança com o PT e indicou que o partido deve lançar candidato à presidência da República.
Em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey, Marconi afirmou que não vê risco político no caso e sustentou que toda a atuação ocorreu no setor privado. “Eu não tenho nenhuma preocupação em relação a contratos que eu fiz no setor privado”, disse.
O tucano destacou que não ocupava cargo público à época e afirmou que a atividade foi exercida dentro da legalidade, com recolhimento de impostos. “Eu prestei serviço, eu paguei impostos e não tenho nada a temer nem a esconder”, declarou.
Ao tratar das críticas, o ex-governador atribuiu o desgaste a uma estratégia política. “Alguns adversários vivem de narrativas falsas”, afirmou, ao sugerir o uso de estruturas financiadas com recursos públicos para disseminar conteúdo negativo. Os principais trechos da entrevista serão publicados nas redes sociais do Blog do DK e do jornalista Domingos Ketelbey.
Os valores pagos à MV Projetos e Consultoria, empresa ligada a Marconi, somam R$ 14.547.712,23 entre 2022 e 2025, segundo dados da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado. A documentação não detalha os serviços prestados.
A assessoria do ex-governador sustenta que a atuação foi privada e sem relação com função pública. Marconi afirmou ter trabalhado por 47 meses e indicou que os contratos seguiram parâmetros legais.
Em tom de contra-ataque, ele disse que outros agentes públicos deveriam explicar vínculos com instituições financeiras. “Alguns aqui em Goiás têm que se preocupar, sim. Porque esses usaram o poder público”, afirmou.
PSDB, 2022 e projeto nacional
Além do caso envolvendo o banco, Marconi voltou a fazer uma autocrítica do PSDB e apontou como erro a decisão de não lançar candidatura própria à Presidência da República em 2022.
Segundo ele, a escolha teve impacto direto na perda de espaço político da sigla. “Isso nos custou derrotas e minguar a bancada”, disse.
O ex-governador defendeu que o partido retome protagonismo em 2026, inclusive com candidatura própria ao Planalto. A decisão ainda não está formalizada, mas ele afirma que há um movimento interno nesse sentido.
Alianças e disputa em Goiás
No cenário local, Marconi indicou que a prioridade agora é buscar composições para a disputa ao Senado e à vice-governadoria, após a formação das chapas proporcionais. Apesar de admitir conversas iniciais, afirmou que as definições devem ocorrer apenas próximo às convenções. “O apressado come cru”, disse.
O tucano também descartou qualquer possibilidade de aliança com o PT, mesmo diante de sinais emitidos por setores do partido em Goiás. “Não existe essa possibilidade”, afirmou, ao citar divergência histórica entre as siglas.
Ao projetar a disputa de 2026, Marconi evitou apontar um adversário específico e disse que todas as candidaturas devem ser tratadas como competitivas. Ele afirmou que pretende entrar na eleição para apresentar propostas e defendeu um cenário com múltiplas candidaturas. “Quem ganha com isso é o eleitor”, disse.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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