Gestão projeta avanço para outros terminais e reforça discurso de referência nacional
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Cidades
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), entregou nesta segunda-feira (13) um novo trecho de 6 quilômetros de metronização no BRT Leste-Oeste, entre os terminais Praça da Bíblia e Praça A. A ampliação leva o corredor a 9 quilômetros com o novo sistema, em um movimento que combina intervenção técnica com construção de narrativa administrativa.
A chamada metronização reúne inteligência artificial, semáforos inteligentes e comunicação em tempo real para priorizar os ônibus. O objetivo é direto: reduzir tempo de viagem e elevar a velocidade média. “Cada passageiro economizará 8 a 9 minutos por viagem, e a velocidade média aumentará de 16 km/h para 24 km/h”, afirmou o prefeito.
Na prática, a gestão tenta vender ganho operacional como mudança de patamar. O investimento total previsto é de R$ 10 milhões para os corredores Leste-Oeste e Norte-Sul. Mabel faz a comparação: “Em termos de eficiência, equivale a não mais que meio quilômetro de um sistema de metrô”.
Tecnologia e discurso de eficiência
O pacote inclui semaforização com botoeiras sonoras e acessíveis, além de nobreaks conectados ao parque semafórico para evitar interrupções. A promessa é de redução de até 50% no tempo de viagem em relação ao modelo tradicional.
A estratégia dialoga com uma agenda mais ampla. Goiânia tenta se posicionar como vitrine de mobilidade inteligente. Segundo a prefeitura, a capital foi pioneira na adoção do modelo no país e já recebeu premiação nacional em 2025.
Há também um componente institucional. A expansão ocorre em articulação com a RMTC e a CMTC, o que indica tentativa de padronização e ganho de escala no sistema.
Expansão e meta de capilaridade
A gestão projeta avançar o BRT Leste-Oeste até o Terminal Padre Pelágio e ampliar o Norte-Sul até Paulo Garcia, Hailé Pinheiro e Recanto do Bosque. Hoje, o sistema metronizado já alcança o trecho entre o Terminal Isidória e a Praça Cívica.
O secretário de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, reforça o enquadramento técnico. “É um ganho real de tempo e de conforto para o usuário do transporte público. É um BRT que funciona exatamente como um metrô”, disse.
Na Câmara, o vereador Anselmo Pereira amplia o discurso para o comportamento do usuário. “Você economiza tempo em um ônibus com ar-condicionado, wi-fi, em terminais dignos, então, permite que você deixe o carro e vá de ônibus para o trabalho”, afirmou.
Mobilidade como ativo político
A entrega do trecho ocorre no momento em que a gestão busca consolidar indicadores fiscais. Mabel aproveitou o evento para destacar a melhora da nota de Capacidade de Pagamento (Capag), do Tesouro Nacional, que saiu de C para A.
O prefeito vincula as duas agendas. “Fizemos um grande ajuste, cortamos despesas, enfrentamos a corrupção e todo esse trabalho trouxe esse resultado”, disse. A leitura é clara: eficiência administrativa como base para investimento em infraestrutura.
Há, no entanto, pontos que exigem verificação e acompanhamento. A promessa de redução de até 50% no tempo de viagem depende de operação contínua e integração plena dos sistemas. Também é necessário checar a metodologia usada para comparar o investimento com o custo de metrô, já que a equivalência apresentada por Mabel tende a simplificar realidades distintas.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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