Ex-senador assume publicamente que trabalha para ser vice e descarta qualquer outro caminho em 2026
28 de novembro de 2025 às 12:44
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Política
O ex-senador Luiz do Carmo voltou ao centro das conversas políticas após uma entrevista concedida ao jornalista Domingos Ketelbey, em que abriu, sem rodeios, seus planos para 2026. A fala, que circula nas redes, revela um tripé que explica a movimentação dele no tabuleiro: o peso do voto evangélico, a construção do vice na futura chapa de Daniel Vilela e a defesa de uma chapa mais enxuta ao Senado na base de Ronaldo Caiado.
Luiz do Carmo é empresário do agro, ligado à Assembleia de Deus, irmão do bispo Oídes e figura historicamente influente entre pastores e dirigentes do segmento. Na entrevista, ele afirmou que o eleitorado evangélico pode definir a eleição do ano que vem, com cerca de 30 por cento do eleitorado e forte capacidade de mobilização comunitária. É a mesma força que ele ajudou a organizar para Caiado em 2022 e que agora se movimenta em direção à pré-candidatura de Daniel.
Mas o ponto que mais chamou atenção foi outro. Luiz do Carmo afirmou, sem hesitar, que está em construção para assumir a vice na chapa governista. “Minha única opção é ser vice do Daniel”, disse. Segundo ele, a relação antiga entre os dois, construída ainda nos tempos de MDB, sustenta o movimento. Luiz deixou claro que não trabalha com plano B, não considera disputar outro cargo e que apoiará Daniel independentemente de ser escolhido.
A leitura de quem acompanhou os bastidores é de que Luiz do Carmo tenta retomar protagonismo depois de perder espaço nos últimos anos. A articulação dentro da Assembleia de Deus pode ser um ativo real, mas a vaga de vice costuma depender mais da equação política do que da militância religiosa. Ainda assim, ele se coloca no páreo e dá o recado antes da temporada oficial de negociações.
Luiz do Carmo também se posicionou sobre a formação das chapas ao Senado. Para ele, uma das vagas já pertence a Gracinha Caiado, que classificou como nome natural depois de anos de trabalho social no governo. A outra vaga, defende, precisa ser organizada com calma, mas sem abrir espaço para múltiplas candidaturas. E ainda deixou no ar a possibilidade de aproximação com nomes hoje na oposição, como o deputado federal Gustavo Gayer, ao afirmar que política é somar.
Em resumo, o ex-senador tenta voltar ao jogo ancorado no segmento evangélico, apresenta-se como opção de vice para Daniel Vilela e pressiona por uma chapa mais amarrada na disputa ao Senado. O movimento anima aliados, incomoda concorrentes e abre uma disputa interna que, cedo ou tarde, terá de ser tratada oficialmente pelo grupo caiadista. Se vai prosperar, é outra história. O fato é que Luiz do Carmo colocou o nome na mesa e escolheu um caminho: o da vice. E, como ele próprio diz, sem plano alternativo.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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