Eleito com 109 mil votos, parlamentar do PRD condiciona eventual troca partidária à orientação de Jorcelino Braga
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Política
O deputado estadual Lucas Calil (PRD), eleito deputado federal por Goiás, afirmou que fará oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir de 2027 e pretende apoiar a reeleição de Hugo Motta à presidência da Câmara. Em entrevista ao Blog do DK, também relatou convites para trocar de partido, mas disse que qualquer decisão dependerá da orientação de Jorcelino Braga. "Sou intransigente na lealdade a ele", garante ao jornalista Domingos Ketelbey.
Calil afirmou que a oposição ao Planalto terá como prioridade a responsabilidade fiscal e procurou se diferenciar da atuação voltada à mobilização nas redes sociais. “Eu pretendo muito ser opositor ao governo federal, sem ser essa oposição barata, rasteira, de ‘troca-like’. Ser uma oposição de verdade”, declarou.
Segundo o parlamentar, a decisão não decorre de compromisso com a militância bolsonarista. Ele sustenta que conquistou os 109.025 votos sem se apoiar no discurso dos dois polos da disputa presidencial, com o respaldo de apenas um prefeito e sem despesas com impulsionamento digital.
“Eu poderia muito bem ficar calado, fingir que nada aconteceu, afinal não tenho voto da militância da extrema direita e seria o chamado centrão”, afirmou. Calil disse que poderia buscar recursos adicionais por meio da aproximação com o Executivo, mas rejeitou a possibilidade de votar contra suas convicções para receber emendas.
O deputado eleito associou os juros elevados e o endividamento à condução dos gastos públicos. Na avaliação dele, o próximo mandato exigirá atenção à economia. “Vai precisar de político de verdade, não político de rede social em Brasília.”
Apoio a Motta
A posição contrária ao governo federal não impede o entendimento com Hugo Motta. Calil contou que foi recebido pelo presidente da Câmara antes do segundo turno presidencial e saiu do encontro disposto a apoiar sua recondução.
“Eu pretendo muito apoiar a reeleição do presidente Hugo Motta”, afirmou. Segundo ele, não houve oferta de cargos nem negociação de espaços na Mesa Diretora ou na bancada.
Calil reconheceu a divergência entre os dois na eleição presidencial, mas disse considerar Motta habilidoso e capaz de dialogar com diferentes grupos da Câmara. “Ele votou no Lula, eu não votei. Mas eu considero ele muito habilidoso, sensato, um cara equilibrado, moderno.”
O deputado relatou que já esteve diversas vezes em Brasília para preparar a chegada ao Congresso. No caso da presidência da Casa, apresentou a disposição de apoiar Motta como uma escolha baseada no contato pessoal e na capacidade de articulação que identificou no encontro.
Convites e lealdade a Braga
Sem que o PRD/Solidariedade tenha cumprido a cláusula de barreira nas eleições 2026, Calil afirmou ter sido procurado por lideranças de diferentes siglas. Citou contatos de Ronaldo Caiado, do presidente do MDB, Baleia Rossi, e do governador Daniel Vilela. Também relatou conversas com Renata Abreu, do Podemos, e uma ligação de Antonio Rueda, do União Brasil, além de uma abordagem do Republicanos.
De acordo com Calil, Marcel van Hattem também o procurou com a possibilidade de assumir o comando do Novo em Goiás. Apesar das alternativas, o deputado disse que aguardará a orientação de Braga antes de definir seu caminho.
“Eu sou intransigente na lealdade ao Jorcelino Braga. Eu vou esperar até que ele me dê o comando”, afirmou.
A definição passa pelas negociações envolvendo PRD, Solidariedade e Avante. De acordo com Calil, a articulação busca reunir uma bancada de 12 deputados para alcançar a cláusula de barreira. Ele afirmou que um pedido já foi apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral, mas reconheceu a existência de questões jurídicas que podem ser contestadas.
Mais autonomia para estados e municípios
Calil apontou a descentralização de recursos e decisões como sua principal bandeira na Câmara. Defendeu reduzir a concentração de poder no governo federal e ampliar a autonomia de governadores e prefeitos para atender às demandas locais.
“Essa será a nossa grande bandeira: diminuir o tamanho do poder da Presidência e dar mais autonomia a estados e municípios”, declarou.
O deputado argumentou que os problemas de saúde, segurança, educação e infraestrutura recaem diretamente sobre as administrações locais. Não apresentou, na entrevista, uma proposta específica para alterar a distribuição de recursos, mas afirmou que pretende levar essa discussão ao mandato que começa em fevereiro de 2027.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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