Prefeito cassado afirma que salários estão em dia, admite repasses menores do duodécimo e diz que recursos foram priorizados para serviços essenciais
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Política
O prefeito cassado de São Miguel do Araguaia, Jeronymo José de Siqueira Neto (MDB), divulgou uma nota nesta terça-feira (27) para contestar a decisão da Câmara Municipal que retirou seu mandato. Ele questiona a existência de prejuízo ao Legislativo, reconhece que houve repasses abaixo do previsto no duodécimo e sustenta que os recursos foram direcionados a serviços considerados essenciais pela administração.
A cassação foi aprovada nesta segunda-feira (26), por nove votos a dois, após o plenário acolher as cinco infrações analisadas no processo político-administrativo. A decisão foi formalizada pelo Decreto Legislativo nº 3/2026.
Salários e repasses são contestados
O processo que resultou na cassação foi instaurado a partir de uma denúncia apresentada por um eleitor e teve entre os fundamentos atrasos recorrentes no pagamento dos servidores municipais e repasses do duodécimo à Câmara abaixo dos valores previstos.
Dados apresentados durante o processo apontaram uma diferença de aproximadamente R$ 916 mil nos repasses ao Legislativo entre janeiro e julho de 2026.
Na manifestação divulgada após a cassação, Jeronymo afirma que os salários dos servidores municipais estão atualmente em dia. Segundo ele, ao assumir a Prefeitura, em janeiro de 2025, encontrou pendente a folha salarial referente a dezembro de 2024.
Sobre o duodécimo, o prefeito reconheceu que realizou transferências inferiores aos valores previstos, mas afirmou que a decisão ocorreu diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo município.
Recursos teriam sido destinados a serviços essenciais
Jeronymo sustenta que os valores foram priorizados para despesas como transporte escolar, merenda, abastecimento da farmácia básica, recuperação de ruas, realização de partos no hospital municipal e pagamento dos servidores.
A alegação representa a versão apresentada pelo prefeito e não altera, até o momento, a decisão tomada pela Câmara Municipal.
O gestor também afirma que os repasses realizados foram suficientes para manter em dia os salários dos vereadores e servidores do Legislativo. Com base nisso, questiona a afirmação de que a redução dos valores transferidos teria provocado prejuízo financeiro à Câmara.
Ele defende que essa situação seja confrontada com extratos bancários e documentos contábeis da Casa.
Prefeito fala em decisão política
Na nota, Jeronymo classifica a cassação como uma decisão política e destaca que o processo analisado pelo Legislativo teve como foco os repasses do duodécimo e os pagamentos de servidores.
A Câmara informou, após a votação, que o prefeito foi notificado durante as diferentes etapas do processo e teve oportunidade de apresentar defesa. Segundo o Legislativo, pedidos apresentados à Justiça para suspender o procedimento também foram rejeitados.
Antes da cassação, Jeronymo já havia questionado judicialmente a tramitação do processo e alegado irregularidades em etapas do procedimento. A Justiça, no entanto, não suspendeu os trabalhos da comissão processante.
Cassação foi aprovada por nove votos a dois
Durante o julgamento, os vereadores analisaram separadamente cinco infrações atribuídas ao prefeito. Todas receberam nove votos favoráveis à cassação e dois contrários, número superior aos dois terços exigidos para a perda do mandato.
O resultado foi proclamado às 13h49 de segunda-feira e posteriormente formalizado pelo Decreto Legislativo nº 3/2026.
Ao encerrar a manifestação divulgada nesta terça-feira, Jeronymo afirmou que pretende continuar contestando a decisão e reiterou sua defesa da administração municipal. “Sigo firme, mesmo em meio a tantas dificuldades, sem fugir dos desafios e das obrigações, buscando sempre o melhor para nossa população e nossa cidade”, declarou.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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