(Foto: Codego)

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Indústria cresce em Goiás, mas segue sem bancada própria na Alego

Indústria cresce em Goiás, mas segue sem bancada própria na Alego

Setor tem peso bilionário na economia estadual, mas ainda busca representação política mais orgânica no Legislativo goiano

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Política

A indústria goiana ocupa lugar estratégico na economia do Estado, mas ainda não encontrou correspondência proporcional na Assembleia Legislativa de Goiás. Apesar do peso no PIB, da geração de empregos e do avanço recente da produção, o setor não conta hoje com uma bancada estadual organizada em torno de uma agenda industrialista.

A ausência de uma representação mais nítida da indústria na Alego passou a ser vista, por lideranças do setor produtivo, como uma das lacunas da política goiana. O Legislativo estadual tem parlamentares ligados ao agronegócio, ao municipalismo, à segurança pública, à saúde e a segmentos religiosos, mas não consolidou uma frente com atuação permanente em defesa da pauta industrial.

O descompasso chama atenção pelo tamanho do setor na economia estadual. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o PIB industrial goiano é de aproximadamente R$ 66,8 bilhões. Em 2025, Goiás ficou entre os estados com maior crescimento da produção industrial no país, com alta de 2,4% na indústria de transformação.

O desempenho também teve picos relevantes ao longo do ano. Em outubro, Goiás liderou o ranking nacional de crescimento das atividades fabris, com avanço de 6,5% em relação ao mês anterior. O resultado reforçou a presença do Estado no mapa industrial brasileiro, especialmente em segmentos como alimentos, biocombustíveis, metalurgia, produtos químicos e transformação.

A força econômica, no entanto, ainda não se converteu em força política organizada na esfera estadual. Em Brasília, a indústria goiana tem nomes associados ao setor, como o senador Vanderlan Cardoso (PSD) e o deputado federal Glaustin da Fokus (Podemos). Na Alego, a agenda aparece de forma dispersa, sem um parlamentar que tenha o industrialismo como eixo central de mandato.

Essa ausência tende a ganhar peso no debate eleitoral de 2026. A reforma tributária, a revisão de incentivos fiscais e a disputa entre estados por investimentos industriais devem pressionar Goiás a defender com mais clareza os instrumentos que ajudaram a estruturar sua política de desenvolvimento.

Entre os nomes que ensaiam ocupar esse espaço, aparecem pré-candidatos com trajetória empresarial e discurso voltado ao empreendedorismo, à produção e à manutenção de políticas de incentivo. Um deles é Felipe Mabel (Podemos), empresário nascido em Anápolis e ligado a uma família tradicional da indústria goiana.

Felipe afirma que o setor precisa ampliar sua presença no debate estadual. “Nós sabemos o que está por vir, no sentido do emparedamento das ferramentas que Goiás construiu ao longo de sua história para a promoção de seu desenvolvimento. Não podemos ficar de braços cruzados. A indústria precisa de campeões na esfera estadual, e isso é para ontem”, diz.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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