Urna eletrônica (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Urna eletrônica (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Urna eletrônica (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Urna eletrônica (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Homens são seis em cada dez candidatos nas eleições em Goiás

Homens são seis em cada dez candidatos nas eleições em Goiás

Mulheres são 53% do eleitorado goiano, mas representam 38% das candidaturas e ocupam apenas quatro cadeiras na Alego

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Política

Os homens são maioria entre os candidatos que disputam as eleições de 2026 em Goiás. De acordo com levantamento feito pelo Blog do DK, a partir dos dados disponíveis no sistema de Divulgação de Candidaturas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das 894 candidaturas contabilizadas no Estado, 554 são masculinas, o equivalente a 61,97%. As mulheres somam 340 registros, ou 38,03%.

A diferença ganha outro peso quando comparada ao perfil de quem vai às urnas. Goiás tem 5,08 milhões de eleitores aptos a votar em outubro, dos quais 2,69 milhões são mulheres. Elas representam 53% do eleitorado goiano.

Na Assembleia Legislativa de Goiás, porém, a proporção se inverte de forma ainda mais acentuada. Das 41 cadeiras, apenas quatro são atualmente ocupadas por mulheres: Bia de Lima (PT), Dra. Zeli (UB), Rosângela Rezende (Agir) e Vivian Naves (PP). Isso representa 9,76% do plenário.

“O problema começa quando as mulheres decidem ocupar os espaços”

A deputada estadual Rosângela Rezende (Agir), candidata à reeleição, avalia que o principal problema não está apenas no número de mulheres lançadas pelos partidos, mas nas condições oferecidas para que elas consigam efetivamente disputar os mandatos.

“Eu costumo dizer que a política gosta muito de falar sobre a importância das mulheres. O problema começa quando as mulheres decidem ocupar os espaços de poder de verdade”, afirmou.

Rosângela é uma das quatro mulheres que integram a atual legislatura da Alego e disputa agora a permanência na Casa.

A deputada cita a trajetória da mãe, Laci Machado, primeira mulher eleita prefeita de Mineiros, como uma referência para sua entrada na vida pública.

“Cresci vendo uma mulher ocupar um espaço que, naquele tempo, parecia reservado aos homens. Isso me ensinou muito cedo que mulher pode governar, liderar, tomar decisões e fazer política em pé de igualdade com qualquer homem. Mas também me ensinou que, para uma mulher chegar ao mesmo lugar, quase sempre se exige dela muito mais”, disse.

Para Rosângela, o percentual de candidaturas femininas não pode ser analisado isoladamente. Segundo ela, ainda há mulheres incluídas nas nominatas apenas para atender às exigências da legislação, sem acesso proporcional a estrutura, recursos e visibilidade.

“Representatividade de verdade não se mede pelo número de nomes femininos colocados numa nominata. Mede-se por quantas mulheres recebem condições reais de disputar, vencer e exercer poder”, afirmou.

“Quando olho para 41 cadeiras e vejo apenas quatro mulheres, não consigo considerar isso normal. Já passou da hora de a presença feminina deixar de ser uma exceção comemorada e se tornar parte natural da política goiana”, completou.

Acima da cota, longe da paridade

O percentual de candidaturas femininas em Goiás supera o piso de 30% previsto para as disputas proporcionais. A legislação obriga partidos e federações a respeitarem o mínimo de 30% e o máximo de 70% de candidaturas de cada sexo.

A regra, porém, vale para as chapas proporcionais apresentadas por cada partido ou federação. O levantamento geral também inclui candidatos às disputas majoritárias.

A contadora e ex-presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO) Sucena Hummel (UB), candidata a deputada estadual, também vê uma distância entre a participação das mulheres no eleitorado e a presença feminina nos espaços de decisão.

“Esse número mostra que ainda temos um longo caminho pela frente. As mulheres são 53% do eleitorado goiano, mas ocupam menos de 10% das cadeiras da Assembleia Legislativa. Há uma diferença muito grande entre a presença feminina nas urnas e nos espaços de decisão, e isso precisa mudar imediatamente”, afirmou.

Para Sucena, a participação feminina precisa avançar para além do cumprimento formal das cotas eleitorais.

“Acredito em uma política em que a presença feminina vá além do cumprimento de cotas. Queremos liderar, decidir, propor e transformar. Temos competência, experiência, sensibilidade e coragem para isso”, disse.

Segundo a candidata, ampliar o número de mulheres nos espaços de poder passa também por transformar candidaturas em mandatos.

“Minha candidatura a deputada estadual nasce também desse propósito: colocar minha experiência a serviço de Goiás, trazer novas ideias para a política e contribuir para que mais mulheres ocupem espaços de liderança”, afirmou.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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