O assédio eleitoral acontece quando um trabalhador sofre pressão, ameaça ou constrangimento relacionado à sua escolha política. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O assédio eleitoral acontece quando um trabalhador sofre pressão, ameaça ou constrangimento relacionado à sua escolha política. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O assédio eleitoral acontece quando um trabalhador sofre pressão, ameaça ou constrangimento relacionado à sua escolha política. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O assédio eleitoral acontece quando um trabalhador sofre pressão, ameaça ou constrangimento relacionado à sua escolha política. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Governo quer criar "lista suja" de empresas que ameaçam funcionários por escolha política

Governo quer criar "lista suja" de empresas que ameaçam funcionários por escolha política

Ministério Público do Trabalho recebeu 1.140 denúncias em apenas três dias

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Política

Pressionar um funcionário a votar em determinado candidato, ameaçar demissão por causa de opiniões políticas, deixar de contratar alguém ou até mesmo demitir por sua escolha eleitoral pode trazer consequências para as empresas. O governo federal estuda criar uma espécie de “lista suja” de empregadores envolvidos em assédio eleitoral, com a possibilidade de restringir o acesso dessas empresas a linhas de crédito público.

A proposta foi anunciada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, nesta quarta-feira (28), durante uma coletiva de imprensa com representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Ministério da Justiça.

A discussão acontece em meio ao aumento das denúncias de assédio eleitoral no país. Segundo o MPT, foram registrados pelo menos 1.140 relatos nos últimos três dias, de um total de 3.080 recebidos desde o início da campanha eleitoral.

Uma força-tarefa foi criada para enfrentar esse tipo de prática e ampliar a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pela proteção dos trabalhadores.

O que pode ser considerado assédio eleitoral?

O assédio eleitoral acontece quando um trabalhador sofre pressão, ameaça ou constrangimento relacionado à sua escolha política, especialmente quando essa conduta envolve a relação de trabalho.

Entre as situações mencionadas pelas autoridades estão ameaças de demissão, desligamentos motivados por opiniões políticas e a recusa de contratação em razão do posicionamento eleitoral de uma pessoa.

O ministro Luiz Marinho destacou que a proteção deve valer independentemente do candidato ou partido escolhido pelo trabalhador. “Nós não estamos falando de coloração A ou B. O trabalhador tem o direito democrático garantido na nossa Constituição de ter o direito à sua opção política”, afirmou.

A liberdade de escolha eleitoral é um direito constitucional. Por isso, o empregador não pode utilizar sua posição de autoridade para constranger funcionários a apoiar ou rejeitar determinado candidato.

Como funcionaria a lista de empresas?


A proposta apresentada pelo Ministério do Trabalho prevê a identificação pública de empresas envolvidas em práticas de assédio eleitoral. Segundo Luiz Marinho, a intenção é criar um mecanismo que permita à sociedade conhecer os empregadores responsabilizados por essas condutas e aplicar consequências econômicas às irregularidades. “[O objetivo é] poder, além das providências, ter uma lista que a gente possa mostrar para a sociedade que tem empresas cometendo ilegalidades de eventual crime contra o trabalhador”, explicou.

O ministro afirmou que a restrição de crédito público poderia envolver a comunicação de informações ao sistema financeiro por meio do Banco Central.

No entanto, a criação da lista e os critérios para aplicação das restrições ainda estão em estudo. Não foi anunciada, ainda, uma regulamentação definitiva nem um prazo para o início dessas medidas.

Mais de mil denúncias em três dias

Os números apresentados pelo Ministério Público do Trabalho mostram a dimensão do problema. Desde o início da campanha eleitoral, o órgão recebeu 3.080 denúncias de assédio eleitoral. Desse total, pelo menos 1.140 foram registradas apenas nos três dias anteriores à coletiva.

O procurador regional do trabalho Maurício Coentro Pais de Mello demonstrou preocupação com o volume de relatos e a concentração de denúncias em um período tão curto.

O aumento da procura pelos canais de denúncia levou os órgãos federais a reforçarem a atuação conjunta para identificar irregularidades e responsabilizar os envolvidos.

TST alerta para consequências aos empregadores

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, afirmou que o assédio eleitoral não atinge apenas trabalhadores com carteira assinada. Segundo ele, também há situações envolvendo profissionais autônomos que divulgam seus serviços nas redes sociais, pequenos estabelecimentos comerciais e propriedades cujos responsáveis manifestaram opiniões políticas.

O presidente do TST advertiu que empregadores envolvidos em práticas ilegais podem enfrentar consequências econômicas. “É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande”, declarou.

Assédio também pode acontecer nas redes sociais

Durante a coletiva, o secretário executivo do Ministério da Justiça, Adhemar Borges, chamou a atenção para situações de constrangimento e violência que acontecem no ambiente digital.

Segundo ele, há registros de práticas envolvendo relações de trabalho, ameaças, campanhas de boicote e pedidos de demissão motivados por posicionamentos políticos.

O secretário também destacou a responsabilidade das plataformas digitais no enfrentamento de conteúdos ilícitos, conforme as obrigações legais aplicáveis a cada situação.

Onde denunciar assédio eleitoral?

Trabalhadores que sofrerem ameaças, pressões ou outras formas de constrangimento relacionadas ao voto podem procurar os canais oficiais de denúncia.

O Ministério Público do Trabalho recebe relatos de assédio eleitoral por meio de sua página na internet.

Também é possível buscar orientações e registrar denúncias nos canais do Ministério do Trabalho e Emprego.

Ao identificar uma situação desse tipo, é importante preservar mensagens, documentos e outros elementos que possam ajudar na apuração dos fatos.

A orientação das autoridades é que trabalhadores não deixem de denunciar por receio de represálias. A liberdade de escolha política deve ser respeitada dentro e fora do ambiente profissional.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.

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