Volume equivale a 70% das emendas impositivas de Goiânia
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Economia
Às vésperas da etapa brasileira da MotoGP, em Goiânia, o impacto do evento começa a aparecer nas contas públicas. A estimativa, de acodo com estudos do Instituto Mauro Borges, é de R$ 130 milhões em arrecadação de impostos, somando ICMS e ISS, gerados pela cadeia econômica ligada à corrida entre 20 e 22 de março.
O número ganha dimensão quando comparado ao orçamento municipal. O valor corresponde a 70,3% dos R$ 185 milhões previstos na Lei Orçamentária Anual de 2026 para emendas impositivas dos vereadores de Goiânia. Em três dias, o evento se aproxima de uma das principais rubricas de investimento direcionado da capital.
A natureza dos tributos, no entanto, impõe um limite. Diferentemente de taxas, os impostos não têm destinação vinculada. Na prática, embora o turismo e os serviços sejam os principais responsáveis pela geração da receita, não há obrigação de retorno direto ao setor.
Para o economista Cláudio Henrique de Oliveira, do Corecon-GO, o dado mais relevante está na velocidade do retorno fiscal. “Os R$ 130 milhões representam metade do investimento inicial no autódromo, recuperados já no primeiro evento, apenas pela via tributária”, afirmou. A conta reforça o argumento de eficiência do gasto público na reforma do circuito.
O ponto de tensão está no que vem depois. Oliveira alerta que o ciclo não se sustenta sem continuidade. “A atratividade exige reinvestimento permanente, inclusive nos períodos sem grandes eventos”, disse. Sem isso, o efeito tende a se dissipar.
Na Assembleia, o debate já começou. Presidente da Comissão de Turismo, o deputado Coronel Adailton defende que parte da arrecadação volte ao setor que gerou o resultado. “Boa parte desses impostos deveria ficar no turismo. É um segmento que já mostrou capacidade de gerar emprego e renda”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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