Deputada diz que governos não deveriam esperar entrada da União para iniciar solução no transporte coletivo da região
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Política
A deputada federal Lêda Borges (Republicanos) defendeu, em entrevista ao podcast Domingos Conversa, que os governos de Goiás e do Distrito Federal iniciem um modelo próprio de subsídio ao transporte coletivo do Entorno, mesmo sem a entrada imediata da União no consórcio. Para ela, a região não pode continuar presa ao impasse entre os entes federativos enquanto a população enfrenta passagem cara, ônibus lotados e trânsito cada vez mais pesado.
“Por que não começar com o que se tem?”, questionou a deputada. “Que mesmo comece timidamente, com desconto menor, com subsídio menor, mas que se comece. E depois se discuta a entrada do tripartite, que é a União", destacou ao jornalista Domingos Ketelbey.
Ex-prefeita de Valparaíso, Lêda apontou a mobilidade urbana como um dos três principais gargalos do Entorno, ao lado da saúde e da qualidade do transporte público. Segundo ela, a situação deixou de ser apenas emergencial e se tornou “gravíssima”, com impacto direto na rotina de quem mora em cidades goianas e trabalha ou estuda no Distrito Federal.
A deputada comparou o problema do Entorno ao modelo adotado na Região Metropolitana de Goiânia, onde o subsídio envolve o Governo de Goiás e municípios. No caso do Entorno, a dificuldade é maior porque a solução dependeria de Goiás, Distrito Federal e União.
Ainda assim, Lêda avalia que a ausência do governo federal não deveria impedir um primeiro passo entre os dois governos locais. “Eu teria começado, mesmo que de uma forma mais tímida, com desconto menor ou com subsídio menor. Eu começaria entre o governo de Goiás e o governo do Distrito Federal”, afirmou.
Lêda disse reconhecer a dificuldade da União em assumir o subsídio, já que, segundo ela, a entrada federal no modelo do Entorno poderia abrir precedente para outras regiões metropolitanas cortadas por rodovias federais. Para a deputada, isso explica parte da resistência, mas não justifica a paralisação das tratativas.
Na avaliação da parlamentar, também é preciso avançar em soluções estruturais, como VLT e BRT. Ela citou o projeto de VLT ligando a região a Brasília como mais adiantado e afirmou que o BRT até Santa Maria ainda estaria mais atrasado. “Nós precisamos do VLT, do BRT”, disse.
A deputada afirmou ainda que as discussões sobre o tema esfriaram após um período de suspensão do reajuste das passagens a pedido dos governos. Sem avanço, segundo ela, o aumento voltou a pesar no bolso da população. “Não avançou, e hoje aumenta. E o povo está preocupado com esse preço”, afirmou.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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