Professor e pesquisador coordena contextualização histórica de obra publicada em 1946
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Cultura
Em meio às discussões sobre polarização política, radicalização ideológica e desgaste do debate público no Brasil, o professor e pesquisador Einstein Paniago aposta na força de um livro publicado há quase oito décadas para recolocar temas antigos no centro da política contemporânea. Responsável pela nova edição de “Rumos Políticos”, obra de Domingos Netto de Vellasco lançada originalmente em 1946, Paniago afirma que o relançamento busca preservar um dos principais legados intelectuais da história política de Goiás.
Publicado no período de reorganização democrática após o Estado Novo, o livro reúne textos em que Vellasco debate autoritarismo, republicanismo, moralidade religiosa, justiça social e fortalecimento institucional. A leitura feita por Einstein Paniago é de que muitos dos temas enfrentados hoje pelo país já apareciam, ainda nos anos 1940, nas reflexões do intelectual goiano.
“Em um momento de forte polarização política e fragilidade do debate público, revisitar autores que refletiram sobre democracia, liberdade, justiça social e republicanismo torna-se também um exercício de maturidade institucional e histórica”, afirma Paniago.
Entre os textos reunidos na obra estão “Carta a um Católico”, “Carta a um Integralista”, “Carta a um Comunista” e “Carta a um Democrata”. Em uma das análises destacadas pelo pesquisador, Vellasco discute os riscos do radicalismo político associado ao uso da força, ponto que, segundo Paniago, dialoga diretamente com os debates atuais sobre intolerância e extremismo.
A nova edição também incorpora atualização ortográfica, análises acadêmicas e conteúdos ligados à coleção “Equidade é Liberdade”, da Fundação João Mangabeira. O material inclui prefácio do professor Paulo Afonso Bracarense Costa, análise histórica do professor Luís Estevam e homenagem póstuma prestada pelo Senado Federal.
Ao comentar como Domingos Vellasco enxergaria o cenário brasileiro atual, Einstein Paniago avalia que o intelectual defenderia a reconstrução do diálogo democrático e o fortalecimento das instituições republicanas. “Muito possivelmente alertaria para os riscos da radicalização excessiva, da degradação do diálogo público e da substituição do debate racional pela lógica do conflito permanente”, conclui.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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