Dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto; especialistas ouvidos pela Agência Brasil defendem que juros elevados também precisam entrar no centro do debate fiscal
·
Economia
A discussão sobre como controlar a dívida pública deve ocupar espaço central na agenda econômica do próximo governo. Enquanto setores do mercado defendem redução de despesas para estabilizar o endividamento, economistas de linhas desenvolvimentistas ouvidos pela Agência Brasil contestam a ideia de que cortes nos gastos públicos sejam a principal solução.
A dívida bruta brasileira passou de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2022, para cerca de 82,9% em agosto deste ano. O avanço tem ampliado a pressão por medidas de ajuste fiscal.
Corte de até R$ 450 bilhões entra no debate
Uma das propostas que ganhou repercussão após a eleição presidencial foi a possibilidade de uma redução expressiva das despesas públicas.
A revista norte-americana Forbes publicou uma análise que menciona corte de até R$ 450 bilhões para estabilizar a dívida, tomando como referência estudos do Instituto Fiscal Independente (IFI), ligado ao Senado.
Durante a campanha presidencial, propostas de redução de despesas também estiveram no centro da disputa política.
Economistas apontam peso dos juros
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil argumentam que concentrar o ajuste apenas nos gastos primários pode comprometer recursos destinados a áreas como saúde, educação, previdência e assistência social.
Para essa corrente, a taxa de juros é outro fator relevante na trajetória da dívida pública.
O Banco Central, por outro lado, sustenta que a redução dos juros depende também de condições fiscais mais favoráveis, entre elas a obtenção de resultados primários capazes de estabilizar as contas públicas.
Divergência sobre risco fiscal
O debate econômico envolve diferentes interpretações sobre os riscos decorrentes do aumento da dívida.
Economistas de orientação mais liberal defendem maior controle das despesas como forma de aumentar a confiança na capacidade do governo de honrar seus compromissos e reduzir a pressão sobre juros e inflação.
Já especialistas de orientação desenvolvimentista argumentam que cortes excessivos podem prejudicar a atividade econômica e reduzir a capacidade do Estado de financiar serviços públicos e investimentos.
A discussão deve ganhar força durante a elaboração das primeiras medidas econômicas para o próximo mandato presidencial.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
Continue a leitura







