Ex-governador aponta erros na disputa estadual, critica escolhas de Marconi e defende preparação antecipada para as eleições de 2028 e 2030
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O ex-governador de Goiás José Eliton defendeu que a aliança que ajudou a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha espaço nas decisões do próximo mandato e cobrou uma reorganização da centro-esquerda goiana. Em entrevista ao Domingos Conversa, nesta terça-feira (3), afirmou que esse campo precisa abandonar candidaturas construídas de última hora e começar a preparar as disputas de 2028 e 2030.
Sem partido, Eliton participou da articulação que reuniu empresários, representantes do agronegócio, intelectuais, tucanos e ex-tucanos no apoio à chapa Lula-Alckmin no segundo turno. Agora, defende que a amplitude da campanha se traduza na composição e na condução do governo.
Na conversa com o jornalista Domingos Ketelbey, o ex-governador também apontou equívocos de Marconi Perillo, analisou os limites eleitorais do PT em Goiás e explicou por que sua própria tentativa de disputar o Palácio das Esmeraldas não avançou.
Frente ampla precisa participar do governo
Na avaliação de Eliton, a virada de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro resultou de uma combinação entre mobilização da juventude universitária, adesão de setores do centro democrático e mudanças na comunicação da campanha. Ele associou a ampliação dos apoios à defesa de pautas como soberania e sustentabilidade.
Para o ex-governador, a vitória abre condições para melhorar a relação entre o Executivo e o Congresso. Sua leitura é que o resultado eleitoral favorece a negociação de uma base parlamentar, embora essa construção dependa da capacidade de diálogo do presidente.
“O parlamento brasileiro nunca esteve alinhado aos extremos; ele sempre foi uma síntese da sociedade. Com o resultado das urnas, o presidente Lula tem todas as condições de estabelecer uma relação mais confortável com o Congresso e focar na pacificação do país”, afirmou.
Eliton também defendeu que o quarto mandato preserve a diversidade política reunida na campanha. Criticou o que considera um fechamento partidário no ciclo anterior e sustentou que o governo precisa incorporar as diferentes correntes que participaram da vitória.
Candidaturas de última hora limitam a oposição
Em Goiás, a cobrança foi por antecedência. Eliton afirmou que a falta de tempo para consolidar uma candidatura e construir identificação com o eleitor, sobretudo no interior, pesou na decisão de não levar adiante sua pré-candidatura ao governo em 2026.
O diagnóstico se estende ao desempenho da centro-esquerda. Na avaliação dele, a candidatura do PT ao Executivo estadual não alcançou o potencial eleitoral demonstrado por Lula em Goiás porque faltou tempo de preparação política.
A crítica é ao método de organização desse campo: definir uma candidatura perto da eleição, sem uma articulação prévia nos municípios, limita as condições de disputar o governo.
“É preciso organizar uma frente de centro-esquerda e progressista em Goiás. Se o nome será da Adriana Accorsi, da Aava Santiago, do Edward Madureira ou de outra liderança, isso será construído. O importante é criar um projeto transparente para o cidadão goiano. Não acredito em nada construído de véspera ou apenas para marcar presença”, disse.
Marconi se afastou das raízes do PSDB, avalia Eliton
Ao analisar a trajetória recente de Marconi Perillo, Eliton atribuiu parte das dificuldades políticas do ex-governador a escolhas que o afastaram das raízes social-democratas do PSDB.
Na leitura de Eliton, esse distanciamento restringiu as possibilidades de aproximação com forças de centro-esquerda em Goiás. Ele evocou a tradição política de Henrique Santillo ao defender a recuperação de uma agenda social-democrata no estado.
A avaliação coloca as alianças no centro do debate sobre o futuro da oposição. Para Eliton, a reconstrução passa por superar divergências pessoais e estabelecer compromissos que permitam a diferentes lideranças atuar em conjunto antes da definição das candidaturas.
Preparação para 2028 e 2030
Eliton defendeu que as eleições municipais de 2028 e a disputa estadual de 2030 sejam tratadas como etapas de uma organização política de longo prazo. A proposta é construir uma agenda de desenvolvimento para Goiás e apresentá-la ao eleitor com antecedência.
Adriana Accorsi, Aava Santiago e Edward Madureira foram citados como nomes que podem participar dessa construção. A escolha de quem disputará cada cargo, segundo ele, deve decorrer das conversas e da consolidação do projeto.
O ex-governador também afirmou que participa de discussões sobre um movimento nacional de centro e centro-esquerda, ainda em fase inicial, e citou Eduardo Leite como uma referência desse campo. A possibilidade de a articulação resultar em uma nova legenda permanece indefinida.
“Essa é uma questão embrionária. Discutimos com alguns amigos a formatação de um movimento nacional com lideranças expressivas desse mesmo espectro ideológico”, afirmou. “Se isso se tornará realidade ou ficará na utopia, só o tempo vai dizer.”

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística.
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