Kowalsky Ribeiro em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Kowalsky Ribeiro em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Kowalsky Ribeiro em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

Kowalsky Ribeiro em entrevista ao jornalista Domingos Ketelbey (Foto: Divulgação)

DOMINGOS CONVERSA #51: O FUTURO DO PDT E DA FRENTE AMPLA PRÓ-LULA NAS ELEIÇÕES 2026, COM KOWALSKY RIBEIRO

DOMINGOS CONVERSA #51: O FUTURO DO PDT E DA FRENTE AMPLA PRÓ-LULA NAS ELEIÇÕES 2026, COM KOWALSKY RIBEIRO

Presidente estadual confirma Carlos Mundim para vice de Luis César, cobra uma definição do PT

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Domingos Conversa

Podcast

O presidente do PDT em Goiás, Kowalsky Ribeiro, confirmou que Carlos Mundim é o nome do partido para ocupar a vice na chapa de Luis César Bueno ao governo estadual. A composição, no entanto, depende da manutenção do petista como candidato da frente que pretende construir o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás.

Em entrevista ao Domingos Conversa, Kowalsky admitiu que existe o risco de a candidatura de Luis César ser substituída, cobrou uma posição da Federação Brasil da Esperança e afirmou que o PDT não aceitará ficar “a reboque” de outro partido.

“O silêncio do PT me incomoda bastante. Essa inércia me incomoda bastante”, afirmou.

O dirigente também abriu a possibilidade de uma composição com Marconi Perillo, desde que o ex-governador não apoie Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Em relação a Daniel Vilela, apesar de destacar a amizade construída durante os 20 anos em que permaneceu no MDB, Kowalsky disse não enxergar espaço para uma aliança nos campos programático e pragmático.

Durante a conversa, ele ainda tratou da reorganização do PDT, criticou Flávia Morais, chamou Ciro Gomes de “traidor”, comentou a cassação do mandato de Aava Santiago e explicou a disputa judicial sobre sua filiação partidária.

Mundim é o nome para vice

Kowalsky afirmou que não participa da disputa para vice-governador. Questionado diretamente sobre quem o PDT indicaria caso a candidatura de Luis César fosse mantida, respondeu: “Carlos Mundim”.

Segundo o presidente estadual, Mundim reúne experiência política e capacidade de articulação para participar da coordenação da campanha.

“O vice tem que garantir ao candidato a governador uma base sólida de articulação política, de organização da campanha e de conversa com todas as frentes. Nós entendemos que o Mundim tem essa especificação”, disse.

Kowalsky ponderou, porém, que o acordo poderá ser revisto se a Federação Brasil da Esperança substituir Luis César ou apresentar outro desenho para a chapa.

“Se amanhã há uma situação da Federação Brasil Esperança que coloca outra candidatura, essa composição inteira se altera. O PDT tem que sentar, se rearticular e abrir o diálogo novamente”, afirmou.

O dirigente defendeu uma chapa formada por Luis César ao governo, Carlos Mundim na vice e Aldo Arantes e Cíntia Dias ao Senado.

“Essa era uma chapa harmônica”, avaliou.

Candidatura de Luis César sob risco

Kowalsky admitiu que a possibilidade de retirada da candidatura de Luis César é concreta. Ao ser questionado se temia a queda do nome petista, respondeu: “Hoje é real. Hoje é real, infelizmente”.

Ele afirmou que pretende trabalhar pela consolidação de Luis César, mas reclamou da falta de diálogo nos últimos dias.

“Eu quero ser um parceiro que queira colocar esse candidato a governador para cima, mas não tem diálogo com ele já tem algum tempo”, declarou.

O presidente do PDT também mencionou informações sobre uma pesquisa interna da Federação Brasil da Esperança que teria apontado um desempenho melhor de Adriana Accorsi para o governo e indicado a possibilidade de Aava Santiago participar da chapa majoritária.

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Kowalsky ressaltou que não teve acesso oficial ao levantamento.

“O que foi oficial não foi colocado para mim. Não podemos publicitar uma pesquisa que não está registrada. O silêncio do PT me incomoda bastante”, reforçou.

Para ele, a indefinição na federação impede que os demais partidos avancem sobre a montagem da chapa. Kowalsky disse ter participado de quatro reuniões para discutir a frente e afirmou que o PDT continuará aberto ao diálogo até o encerramento do período de convenções.

“Não somos obrigados a formar aliança com ninguém. O PDT tem sua independência e é um partido da construção e do diálogo”, disse.

Críticas ao PSB

Ao tratar da participação do PSB na frente, Kowalsky afirmou que o partido ainda não definiu qual caminho pretende seguir em Goiás.

“O PSB não decidiu com quem quer casar. O PSB não quer casar e quer ter vida de casado. O PSB quer namorar”, declarou.

Segundo ele, parte das candidaturas proporcionais do PSB estaria alinhada com Daniel Vilela, apesar de a legenda integrar nacionalmente o governo Lula e ter Geraldo Alckmin na Vice-Presidência da República.

Kowalsky disse acreditar que o peso de Alckmin deverá levar o PSB ao palanque do presidente em Goiás. Para ele, a frente precisa apresentar dois candidatos ao Senado, evitando que o eleitor de centro-esquerda seja obrigado a destinar o segundo voto a um nome de outro campo político.

Conversas com Marconi

Kowalsky admitiu que o PDT poderá apoiar Marconi Perillo. A condição é que o ex-governador não se alinhe a Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto.

“O Marconi Perillo representa talvez uma alternativa ao PDT? Claro que representa. Vai depender dele escolher o palanque que vai definir no plano nacional”, afirmou.

O dirigente lembrou que o PDT participou de governos de Marconi e disse que uma nova aliança não representaria uma ruptura com a história do partido em Goiás.

A possibilidade seria descartada, contudo, caso o tucano anuncie apoio ao bolsonarismo.

“Se o Marconi declarar apoio direto ao Flávio Bolsonaro, de maneira alguma teremos aliança. De maneira alguma”, disse.

Kowalsky afirmou ter apresentado pessoalmente a Marconi os ganhos e as perdas de uma eventual aproximação com a centro-esquerda. Segundo ele, o prazo político para essa definição termina na convenção do PSDB.

“Até lá tem que ser anunciado”, declarou.

Relação com Daniel Vilela

O presidente do PDT destacou a relação pessoal com Daniel Vilela e relembrou a trajetória de duas décadas no MDB. Kowalsky afirmou ter sido tesoureiro municipal, integrante do diretório estadual e presidente da Comissão de Ética e Disciplina da legenda.

“Sempre fui maguitista, sempre fui vilelista. Nunca neguei isso a ninguém”, disse.

Apesar da proximidade, ele afirmou que o vínculo de Daniel com Ronaldo Caiado dificulta uma composição do PDT com o grupo governista.

“Eu gostaria muito de sentar com toda tranquilidade e transparência e conversar com o Daniel sobre o futuro do PDT em Goiás. Mas não encaixo, de forma pragmática e muito menos programática, uma agenda conjunta”, afirmou.

Na avaliação do dirigente, a candidatura presidencial de Caiado também pressiona Daniel a assumir um palanque contrário ao de Lula no Estado.

“O PDT não é partido de reboque”

Kowalsky repetiu durante a entrevista que o PDT não aceitará uma posição secundária dentro da frente.

“O PDT não é partido de reboque a ninguém. É um partido de expressão, de 46 anos, mais antigo que o próprio PT”, afirmou.

Segundo ele, a legenda abriu mão de lançar uma candidatura própria ao governo para contribuir com a construção de uma chapa competitiva para Lula em Goiás, mas espera participação efetiva na definição do programa e dos nomes.

O dirigente também declarou que não mantém diálogo apenas com o PL. “Eu só não converso com o PL”, disse.

Kowalsky afirmou que o PDT foi o primeiro partido a apoiar a reeleição do presidente e que recebeu de Lula e do presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, a missão de ajudar a construir um palanque no Estado.

“Vamos entregar esse palanque ao Lula em Goiás”, garantiu.

Partido perdeu cem diretórios

Ao assumir o comando estadual, Kowalsky encontrou o PDT organizado em 205 municípios. Após a saída de Flávia Morais e George Morais para o MDB, esse número caiu para 105 diretórios ativos.

Kowalsky classificou a situação encontrada como de abandono e disse ter percorrido o Estado para conversar com dirigentes locais e identificar quem permaneceria no partido.

“Nós pegamos o partido realmente de forma esfacelada. Era um sentimento de abandono”, afirmou.

Segundo ele, o PDT apresentará 18 candidatos a deputado federal e trabalhará para conquistar uma cadeira na Câmara. A lista para deputado estadual ainda estava sendo fechada para a convenção.

“Nós vamos brigar por uma vaga. O PDT hoje briga por uma vaga e, com certeza, vamos ultrapassar a cláusula de barreira”, disse.

O dirigente afirmou que a prioridade nacional é assegurar o desempenho necessário para a sobrevivência partidária, sem abandonar a busca por representação na Assembleia Legislativa.

Para o presidente estadual, a mudança para o MDB permitiu que a deputada mantivesse acesso simultâneo às estruturas do governo federal e do governo goiano.

“Ela tinha estrutura com o Lula, tinha estrutura com Daniel Vilela e ficou muito confortável de ir para o MDB”, disse.

Filiação será decidida pelo TRE

Kowalsky também explicou a pendência jurídica que impede a confirmação de sua candidatura ao Senado.

Ele afirmou ter assinado a ficha de filiação ao PDT em 30 de março, durante uma agenda no Rio de Janeiro. O documento teria sido encaminhado à direção nacional, em Brasília, mas não foi lançado no sistema da Justiça Eleitoral dentro do prazo de 4 de abril.

Segundo Kowalsky, foi necessário realizar um novo procedimento em maio. A Justiça Eleitoral, entretanto, não reconheceu em primeira instância a filiação retroativa.

“Se validar dia 19 de maio, eu estou inelegível, porque a filiação teria que ocorrer até 4 de abril. Se validar a partir de 30 de março, estou elegível para disputar as eleições”, explicou.

A defesa recorrerá ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. Kowalsky disse, porém, que sua prioridade é conduzir o partido.

“A prioridade hoje do presidente do PDT, Kowalsky Ribeiro, é montar uma chapa competitiva para deputado federal, fazer uma chapa de deputado estadual e defender o palanque de Lula em Goiás”, afirmou.

Aava e o mandato partidário

Ao comentar a cassação do mandato de Aava Santiago por infidelidade partidária, Kowalsky defendeu a decisão com base no entendimento de que, nas eleições proporcionais, o mandato pertence à legenda.

“O mandato legislativo pertence ao partido. Isso tem que ficar claro para a população, para o eleitor e principalmente para o mandatário”, disse.

Segundo ele, Aava e sua assessoria jurídica conheciam os riscos da saída do PSDB para assumir o comando do PSB. “Ela sabia o risco que correria”, afirmou.

Apesar da posição, Kowalsky disse torcer pela eleição de Aava para a Câmara dos Deputados e elogiou Michel Magul, suplente que poderá assumir a cadeira na Câmara de Goiânia.

Ciro Gomes chamado de “traidor”

Kowalsky também criticou a saída de Ciro Gomes do PDT e sua aproximação com setores da direita.

Questionado se o ex-ministro havia traído a legenda, respondeu: “Com certeza”.

“O Ciro Gomes ajudou o partido, não vou afirmar que não. Mas o partido também o ajudou durante todo esse período de forma muito ativa”, disse.

Segundo ele, Ciro utilizou a estrutura do PDT enquanto esteve sem mandato e deixou a legenda para seguir um projeto pessoal.

“A política adora a traição e odeia o traidor”, afirmou, recorrendo a uma frase atribuída a Leonel Brizola.

Última eleição de Lula

No bate-bola final, Kowalsky afirmou acreditar que a eleição de 2026 será a última disputada por Lula.

“É a última dele. Nós vamos participar dessa última porque ela é histórica”, disse.

Para o dirigente, o presidente ainda exerce papel central na defesa da democracia após os ataques de 8 de janeiro e poderá encerrar a carreira política com mais um mandato.

“Tem tudo para fazer um último e belo governo e entrar de vez para a história com os maiores presidentes que o Brasil já teve, lógico, depois de Getúlio Vargas”, afirmou.

Perguntado sobre quem será o próximo governador de Goiás, Kowalsky evitou apontar um nome. “O próximo governador de Goiás é aquele que o PDT apoiar”, respondeu.

O presidente estadual disse que a escolha partidária será definida com o encerramento das convenções. Até lá, o PDT continuará negociando a formação de um palanque que tenha Lula como referência nacional e preserve a participação da legenda na chapa majoritária em Goiás.

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Domingos Ketelbey

É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística

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