Presidente estadual confirma Carlos Mundim para vice de Luis César, cobra uma definição do PT
·
O presidente do PDT em Goiás, Kowalsky Ribeiro, confirmou que Carlos Mundim é o nome do partido para ocupar a vice na chapa de Luis César Bueno ao governo estadual. A composição, no entanto, depende da manutenção do petista como candidato da frente que pretende construir o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Goiás.
Em entrevista ao Domingos Conversa, Kowalsky admitiu que existe o risco de a candidatura de Luis César ser substituída, cobrou uma posição da Federação Brasil da Esperança e afirmou que o PDT não aceitará ficar “a reboque” de outro partido.
“O silêncio do PT me incomoda bastante. Essa inércia me incomoda bastante”, afirmou.
O dirigente também abriu a possibilidade de uma composição com Marconi Perillo, desde que o ex-governador não apoie Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Em relação a Daniel Vilela, apesar de destacar a amizade construída durante os 20 anos em que permaneceu no MDB, Kowalsky disse não enxergar espaço para uma aliança nos campos programático e pragmático.
Durante a conversa, ele ainda tratou da reorganização do PDT, criticou Flávia Morais, chamou Ciro Gomes de “traidor”, comentou a cassação do mandato de Aava Santiago e explicou a disputa judicial sobre sua filiação partidária.
Mundim é o nome para vice
Kowalsky afirmou que não participa da disputa para vice-governador. Questionado diretamente sobre quem o PDT indicaria caso a candidatura de Luis César fosse mantida, respondeu: “Carlos Mundim”.
Segundo o presidente estadual, Mundim reúne experiência política e capacidade de articulação para participar da coordenação da campanha.
“O vice tem que garantir ao candidato a governador uma base sólida de articulação política, de organização da campanha e de conversa com todas as frentes. Nós entendemos que o Mundim tem essa especificação”, disse.
Kowalsky ponderou, porém, que o acordo poderá ser revisto se a Federação Brasil da Esperança substituir Luis César ou apresentar outro desenho para a chapa.
“Se amanhã há uma situação da Federação Brasil Esperança que coloca outra candidatura, essa composição inteira se altera. O PDT tem que sentar, se rearticular e abrir o diálogo novamente”, afirmou.
O dirigente defendeu uma chapa formada por Luis César ao governo, Carlos Mundim na vice e Aldo Arantes e Cíntia Dias ao Senado.
“Essa era uma chapa harmônica”, avaliou.
Candidatura de Luis César sob risco
Kowalsky admitiu que a possibilidade de retirada da candidatura de Luis César é concreta. Ao ser questionado se temia a queda do nome petista, respondeu: “Hoje é real. Hoje é real, infelizmente”.
Ele afirmou que pretende trabalhar pela consolidação de Luis César, mas reclamou da falta de diálogo nos últimos dias.
“Eu quero ser um parceiro que queira colocar esse candidato a governador para cima, mas não tem diálogo com ele já tem algum tempo”, declarou.
O presidente do PDT também mencionou informações sobre uma pesquisa interna da Federação Brasil da Esperança que teria apontado um desempenho melhor de Adriana Accorsi para o governo e indicado a possibilidade de Aava Santiago participar da chapa majoritária.
Kowalsky ressaltou que não teve acesso oficial ao levantamento.
“O que foi oficial não foi colocado para mim. Não podemos publicitar uma pesquisa que não está registrada. O silêncio do PT me incomoda bastante”, reforçou.
Para ele, a indefinição na federação impede que os demais partidos avancem sobre a montagem da chapa. Kowalsky disse ter participado de quatro reuniões para discutir a frente e afirmou que o PDT continuará aberto ao diálogo até o encerramento do período de convenções.
“Não somos obrigados a formar aliança com ninguém. O PDT tem sua independência e é um partido da construção e do diálogo”, disse.
Críticas ao PSB
Ao tratar da participação do PSB na frente, Kowalsky afirmou que o partido ainda não definiu qual caminho pretende seguir em Goiás.
“O PSB não decidiu com quem quer casar. O PSB não quer casar e quer ter vida de casado. O PSB quer namorar”, declarou.
Segundo ele, parte das candidaturas proporcionais do PSB estaria alinhada com Daniel Vilela, apesar de a legenda integrar nacionalmente o governo Lula e ter Geraldo Alckmin na Vice-Presidência da República.
Kowalsky disse acreditar que o peso de Alckmin deverá levar o PSB ao palanque do presidente em Goiás. Para ele, a frente precisa apresentar dois candidatos ao Senado, evitando que o eleitor de centro-esquerda seja obrigado a destinar o segundo voto a um nome de outro campo político.
Conversas com Marconi
Kowalsky admitiu que o PDT poderá apoiar Marconi Perillo. A condição é que o ex-governador não se alinhe a Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto.
“O Marconi Perillo representa talvez uma alternativa ao PDT? Claro que representa. Vai depender dele escolher o palanque que vai definir no plano nacional”, afirmou.
O dirigente lembrou que o PDT participou de governos de Marconi e disse que uma nova aliança não representaria uma ruptura com a história do partido em Goiás.
A possibilidade seria descartada, contudo, caso o tucano anuncie apoio ao bolsonarismo.
“Se o Marconi declarar apoio direto ao Flávio Bolsonaro, de maneira alguma teremos aliança. De maneira alguma”, disse.
Kowalsky afirmou ter apresentado pessoalmente a Marconi os ganhos e as perdas de uma eventual aproximação com a centro-esquerda. Segundo ele, o prazo político para essa definição termina na convenção do PSDB.
“Até lá tem que ser anunciado”, declarou.
Relação com Daniel Vilela
O presidente do PDT destacou a relação pessoal com Daniel Vilela e relembrou a trajetória de duas décadas no MDB. Kowalsky afirmou ter sido tesoureiro municipal, integrante do diretório estadual e presidente da Comissão de Ética e Disciplina da legenda.
“Sempre fui maguitista, sempre fui vilelista. Nunca neguei isso a ninguém”, disse.
Apesar da proximidade, ele afirmou que o vínculo de Daniel com Ronaldo Caiado dificulta uma composição do PDT com o grupo governista.
“Eu gostaria muito de sentar com toda tranquilidade e transparência e conversar com o Daniel sobre o futuro do PDT em Goiás. Mas não encaixo, de forma pragmática e muito menos programática, uma agenda conjunta”, afirmou.
Na avaliação do dirigente, a candidatura presidencial de Caiado também pressiona Daniel a assumir um palanque contrário ao de Lula no Estado.
“O PDT não é partido de reboque”
Kowalsky repetiu durante a entrevista que o PDT não aceitará uma posição secundária dentro da frente.
“O PDT não é partido de reboque a ninguém. É um partido de expressão, de 46 anos, mais antigo que o próprio PT”, afirmou.
Segundo ele, a legenda abriu mão de lançar uma candidatura própria ao governo para contribuir com a construção de uma chapa competitiva para Lula em Goiás, mas espera participação efetiva na definição do programa e dos nomes.
O dirigente também declarou que não mantém diálogo apenas com o PL. “Eu só não converso com o PL”, disse.
Kowalsky afirmou que o PDT foi o primeiro partido a apoiar a reeleição do presidente e que recebeu de Lula e do presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, a missão de ajudar a construir um palanque no Estado.
“Vamos entregar esse palanque ao Lula em Goiás”, garantiu.
Partido perdeu cem diretórios
Ao assumir o comando estadual, Kowalsky encontrou o PDT organizado em 205 municípios. Após a saída de Flávia Morais e George Morais para o MDB, esse número caiu para 105 diretórios ativos.
Kowalsky classificou a situação encontrada como de abandono e disse ter percorrido o Estado para conversar com dirigentes locais e identificar quem permaneceria no partido.
“Nós pegamos o partido realmente de forma esfacelada. Era um sentimento de abandono”, afirmou.
Segundo ele, o PDT apresentará 18 candidatos a deputado federal e trabalhará para conquistar uma cadeira na Câmara. A lista para deputado estadual ainda estava sendo fechada para a convenção.
“Nós vamos brigar por uma vaga. O PDT hoje briga por uma vaga e, com certeza, vamos ultrapassar a cláusula de barreira”, disse.
O dirigente afirmou que a prioridade nacional é assegurar o desempenho necessário para a sobrevivência partidária, sem abandonar a busca por representação na Assembleia Legislativa.
Para o presidente estadual, a mudança para o MDB permitiu que a deputada mantivesse acesso simultâneo às estruturas do governo federal e do governo goiano.
“Ela tinha estrutura com o Lula, tinha estrutura com Daniel Vilela e ficou muito confortável de ir para o MDB”, disse.
Filiação será decidida pelo TRE
Kowalsky também explicou a pendência jurídica que impede a confirmação de sua candidatura ao Senado.
Ele afirmou ter assinado a ficha de filiação ao PDT em 30 de março, durante uma agenda no Rio de Janeiro. O documento teria sido encaminhado à direção nacional, em Brasília, mas não foi lançado no sistema da Justiça Eleitoral dentro do prazo de 4 de abril.
Segundo Kowalsky, foi necessário realizar um novo procedimento em maio. A Justiça Eleitoral, entretanto, não reconheceu em primeira instância a filiação retroativa.
“Se validar dia 19 de maio, eu estou inelegível, porque a filiação teria que ocorrer até 4 de abril. Se validar a partir de 30 de março, estou elegível para disputar as eleições”, explicou.
A defesa recorrerá ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás. Kowalsky disse, porém, que sua prioridade é conduzir o partido.
“A prioridade hoje do presidente do PDT, Kowalsky Ribeiro, é montar uma chapa competitiva para deputado federal, fazer uma chapa de deputado estadual e defender o palanque de Lula em Goiás”, afirmou.
Aava e o mandato partidário
Ao comentar a cassação do mandato de Aava Santiago por infidelidade partidária, Kowalsky defendeu a decisão com base no entendimento de que, nas eleições proporcionais, o mandato pertence à legenda.
“O mandato legislativo pertence ao partido. Isso tem que ficar claro para a população, para o eleitor e principalmente para o mandatário”, disse.
Segundo ele, Aava e sua assessoria jurídica conheciam os riscos da saída do PSDB para assumir o comando do PSB. “Ela sabia o risco que correria”, afirmou.
Apesar da posição, Kowalsky disse torcer pela eleição de Aava para a Câmara dos Deputados e elogiou Michel Magul, suplente que poderá assumir a cadeira na Câmara de Goiânia.
Ciro Gomes chamado de “traidor”
Kowalsky também criticou a saída de Ciro Gomes do PDT e sua aproximação com setores da direita.
Questionado se o ex-ministro havia traído a legenda, respondeu: “Com certeza”.
“O Ciro Gomes ajudou o partido, não vou afirmar que não. Mas o partido também o ajudou durante todo esse período de forma muito ativa”, disse.
Segundo ele, Ciro utilizou a estrutura do PDT enquanto esteve sem mandato e deixou a legenda para seguir um projeto pessoal.
“A política adora a traição e odeia o traidor”, afirmou, recorrendo a uma frase atribuída a Leonel Brizola.
Última eleição de Lula
No bate-bola final, Kowalsky afirmou acreditar que a eleição de 2026 será a última disputada por Lula.
“É a última dele. Nós vamos participar dessa última porque ela é histórica”, disse.
Para o dirigente, o presidente ainda exerce papel central na defesa da democracia após os ataques de 8 de janeiro e poderá encerrar a carreira política com mais um mandato.
“Tem tudo para fazer um último e belo governo e entrar de vez para a história com os maiores presidentes que o Brasil já teve, lógico, depois de Getúlio Vargas”, afirmou.
Perguntado sobre quem será o próximo governador de Goiás, Kowalsky evitou apontar um nome. “O próximo governador de Goiás é aquele que o PDT apoiar”, respondeu.
O presidente estadual disse que a escolha partidária será definida com o encerramento das convenções. Até lá, o PDT continuará negociando a formação de um palanque que tenha Lula como referência nacional e preserve a participação da legenda na chapa majoritária em Goiás.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
Continue a leitura









