
Pré-candidato do PT diz que está no páreo, detalha composição da chapa e encerra debate sobre aliança com Marconi Perillo
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O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno, pré-candidato do PT ao governo de Goiás, afirmou que está na disputa, mas admitiu rever sua candidatura caso a deputada federal Adriana Accorsi ou a vereadora Aava Santiago aceite concorrer ao Palácio das Esmeraldas.
Questionado pelo jornalista Domingos Ketelbey sobre os convites feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva às duas parlamentares, Bueno foi direto. “Se alguma delas disser que será candidata, com certeza o cenário é outro”, afirmou, durante entrevista ao Domingos Conversa exibida nesta segunda-feira (27).
Professor e integrante do Diretório Nacional do PT, Luis Cesar foi vereador por Goiânia durante dois mandatos e deputado estadual por quatro legislaturas. Seu nome foi homologado pela direção estadual da legenda em junho, depois de meses de indefinição no campo governista.
A condição para deixar a disputa
Bueno rejeitou a avaliação de que o PT tenha demorado a escolher um pré-candidato. Segundo ele, os nomes colocados ao longo do primeiro semestre faziam parte da estratégia interna do partido.
“Não foi demora, foi uma estratégia do partido”, afirmou.
Ao ser novamente questionado sobre sua permanência na disputa, o petista devolveu a cobrança aos principais adversários.
“Por que não pergunta isso para o Marconi? Por que não pergunta para o Wilder? Por que não pergunta para o Daniel Vilela? Eu estou no páreo. Há três meses o PT homologou meu nome”, disse.
Luis Cesar afirmou que somente aceitou a pré-candidatura depois de conversar com Adriana e Aava. Para ele, caberia às duas explicar ao presidente Lula os motivos de uma eventual recusa.
“Não sou eu que tenho que justificar. São as duas que têm que justificar para ele por que não serão candidatas.”
Vice do PDT e disputa pelo Senado
Luis Cesar afirmou que a vaga de vice foi reservada ao PDT, que já teria apresentado o nome do advogado Kowalski, ex-procurador da Câmara Municipal de Goiânia.
Para as duas vagas ao Senado, citou quatro nomes em discussão: a presidente estadual do PSOL, Cíntia Dias; a ex-deputada Isaura Lemos, do PSB; o ex-deputado Aldo Arantes, do PCdoB; e o advogado Ricardo Dias, do PV.
Bueno evitou declarar preferência e afirmou que a decisão passará pelas direções nacionais dos partidos. Segundo ele, a composição deverá ser anunciada até a convenção marcada para 1º de agosto.
Aliança com Marconi é assunto encerrado
Cobrado pela defesa que fez, em outubro do ano passado, de uma aliança com o ex-governador Marconi Perillo, Luis Cesar afirmou que a posição não era exclusivamente sua.
“Não só eu. A direção nacional”, respondeu.
Na avaliação do petista, Marconi “perdeu um grande momento para ter uma aliança com o presidente Lula”. A divergência teria passado, principalmente, pela relação com o agronegócio.
Bueno, no entanto, tratou o debate como encerrado.
“Esse assunto já está vencido. Ele vai com a chapa dele e nós vamos com a nossa. Essa pauta é do ano passado, não é mais deste ano.”
Sete partidos e os votos de Lula
A aliança liderada pelo PT reúne sete partidos. Além de PT, PV e PCdoB, integrantes da Federação Brasil da Esperança, estão no grupo PSOL, Rede, PSB e PDT.
Sobre as especulações de que o PSOL poderia construir um segundo palanque para Lula em Goiás, Bueno descartou a existência de conflito.
“O PSOL é um partido correto. Ele não manda recado para nós”, afirmou.
A estratégia eleitoral apresentada pelo petista parte da divisão do campo conservador. Com base no resultado de 2022, Luis Cesar estima que 58 de cada 100 votos em Goiás estarão divididos entre Daniel Vilela, Wilder Morais e Marconi Perillo, enquanto os outros 42 seriam disputados por sua chapa.
No cenário nacional, descartou a existência de uma terceira via e afirmou que o centro político não conseguiu construir uma candidatura presidencial competitiva.
Dúvidas sobre as contas de Goiás
Luis Cesar também colocou em dúvida a situação fiscal do governo estadual e citou ressalvas feitas pelo Tribunal de Contas do Estado.
Segundo ele, há dúvidas até mesmo sobre a capacidade de o atual governador cumprir todas as obrigações financeiras até o encerramento do exercício fiscal.
Como alternativa, defendeu o aumento da arrecadação por meio da atração de novas indústrias e da exploração de terras raras em parceria com o governo federal.
O episódio completo do Domingos Conversa com Luis Cesar Bueno está disponível no YouTube e nas principais plataformas de podcast.

Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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