Presidente do Sinpol diz que evasão de policiais e avanço de golpes digitais pressionam a Polícia Civil em Goiás
5 de janeiro de 2026 às 21:30
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O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Goiás, Renato Rick, afirmou que a Polícia Civil vive hoje um cenário de pressão estrutural, marcado pela evasão de servidores, déficit de efetivo e avanço de crimes digitais, mesmo diante da melhora nos indicadores gerais da segurança pública no estado. A avaliação foi feita durante entrevista ao Domingos Conversa, apresentado pelo jornalista Domingos Ketelbey.
Para Renato Rick, a evasão se tornou um dos principais gargalos da corporação. “Em 1991, o estado de Goiás tinha cerca de 6 mil policiais civis. Hoje nós estamos em torno de 3.500, para uma população que praticamente dobrou”, afirmou. Ele destacou que, do concurso realizado em 2024, cerca de 30% dos nomeados já pediram exoneração. “De quase mil policiais convocados, aproximadamente 300 já foram embora. A conta não fecha”, resumiu.
Na entrevista, o dirigente sindical também chama atenção para a mudança no perfil da criminalidade. Para ele, o crime não desapareceu, mas se reorganizou. “O bandido não mudou de estado. Ele só mudou de escritório, só mudou a forma de atuação”, disse.
De acordo com Rick, crimes como roubo de veículos deram lugar a golpes virtuais e estelionatos, que oferecem menos risco e maior retorno financeiro. “Hoje ele fica dentro de casa, com ar-condicionado, pega um telefone e consegue ganhar três ou quatro vezes mais do que ganhava em um roubo”, afirmou.
Essa migração do crime para o ambiente digital, segundo o presidente do Sinpol, tem sobrecarregado a estrutura da Polícia Civil. “Nós temos delegacias que recebem quase 50 ocorrências por dia só de estelionato”, relatou. Ele citou ainda que grupos especializados em investigação de fraudes atuam com equipes reduzidas diante de uma demanda de abrangência estadual. “É possível investigar isso com 12 investigadores para o estado inteiro? Não é”, questionou.
Renato Rick também abordou o desgaste na relação entre a categoria e o governo estadual. Ele lembrou que a Polícia Civil foi a primeira instituição a declarar apoio público ao governador Ronaldo Caiado, ainda na eleição de 2018, movida pela expectativa de avanços na carreira. “Nós tivemos seis anos de muita paciência. O governador pediu resultados e paciência, e nós entregamos”, afirmou.
O desgaste, segundo ele, se aprofundou quando o governo recuou, a poucos dias da votação na Assembleia Legislativa, de um projeto de reestruturação da carreira prometido publicamente. “Não foi o sindicato que esbravejou. Foram os policiais civis que cobraram uma postura”, disse.
Ao comentar o cenário político, Rick afirmou que o vice-governador Daniel Vilela conhece de perto as demandas da Polícia Civil. “Ele acompanhou o projeto de reestruturação do começo ao fim, passando por todas as etapas dentro do governo”, afirmou. Para o dirigente, a expectativa da categoria é que eventuais correções possam ocorrer a partir do momento em que o vice assumir o comando do Executivo estadual. “Ele sabe o quanto isso é importante”, concluiu.
Domingos Ketelbey
É repórter, colunista e apresentador. Conecta os bastidores do poder, cultura e cotidiano na cobertura jornalística
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