Psicologia reconhece diferentes respostas à perda e alerta que frases para “ser forte” podem aumentar o sofrimento de quem perdeu alguém
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Visitar o cemitério, rever fotografias, ouvir uma música ou simplesmente preferir o silêncio. No Dia de Finados, as formas de lembrar quem morreu mostram que o luto não segue um modelo único.
Embora algumas pessoas encontrem conforto em rituais e homenagens, outras podem experimentar aumento da tristeza e da saudade em datas simbólicas.
Luto não acontece em cinco etapas obrigatórias
A ideia de que todas as pessoas precisam passar, necessariamente e na mesma ordem, pelas chamadas cinco fases do luto não corresponde à forma como o processo é compreendido atualmente na Psicologia.
Tristeza, raiva, saudade, culpa, alívio e momentos de bem-estar podem aparecer de maneiras diferentes e se alternar ao longo do tempo.
Retomar atividades cotidianas também não significa que a perda tenha sido “superada”.
O que dizer a alguém enlutado
Frases como “seja forte”, “você precisa seguir em frente” ou tentativas de estabelecer um prazo para o sofrimento podem produzir efeito contrário ao pretendido.
Ouvir, oferecer companhia e ajudar com tarefas práticas costuma ser mais útil do que tentar encontrar uma frase capaz de eliminar a dor.
Respeitar o silêncio de quem não quer conversar também é uma forma de acolhimento.
Luto por animais também precisa ser reconhecido
A perda de um animal de estimação ainda costuma receber menos reconhecimento social, apesar do vínculo afetivo construído entre tutores e pets.
Pesquisa mostra que 81% dos tutores brasileiros entrevistados consideravam os animais parte da família.
Minimizar esse sofrimento com expressões como “era só um cachorro” pode aumentar a sensação de isolamento da pessoa enlutada.
Quando procurar ajuda
Não existe um prazo universal para deixar de sentir saudade.
A atenção deve aumentar quando o sofrimento provoca prejuízo persistente no trabalho, nas relações, no autocuidado ou na capacidade de realizar atividades cotidianas.
A CID-11 reconhece o transtorno do luto prolongado quando há sofrimento intenso e persistente associado à perda e comprometimento significativo da vida da pessoa, considerando também seu contexto cultural.

Karla Alves
É jornalista e assessora de comunicação. Há mais de 15 anos, atua na imprensa goiana e aproxima informação, pessoas e organizações.
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